Jürgen Klinsmann no Tottenham: os bons anos do alemão na Inglaterra

Atacante alemão é muito querido pela torcida dos Spurs

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Klinsmann Tottenham
Gary M. Prior/Getty Images

Em 29 de julho de 1994, o atacante Jürgen Klinsmann chegava ao Tottenham, aos 30 anos, vindo do Monaco custando 2 milhões de libras. O alemão já tinha uma Copa do Mundo no currículo e possuía status de estrela internacional, trazendo o peso de seu nome não apenas para o clube londrino, mas também à própria Premier League.

Jürgen Klinsmann no Tottenham: os bons anos do alemão na Inglaterra

Os Spurs não haviam feito uma boa campanha na temporada anterior. O time londrino escapou do rebaixamento por apenas três pontos. Trazer uma grande contratação ao clube para 1994/1995 significava também massagear o ego ferido dos torcedores que tanto sofreram em 1993/1994.

Em contrapartida, Klinsmann vinha de dois bons anos no Monaco. Em 1992/1993, o atacante marcou os mesmos 20 gols da sua temporada mais artilheira, que havia sido 1985/1986 pelo Stuttgart. Já em 1993/1994, fez 14. Nas duas, vestiu a camisa do Monaco em 40 oportunidades.

O impacto da contratação foi forte e trouxe a visibilidade que a Premier League ansiava. Além do tricampeonato mundial com a seleção alemã, Klinsmann já havia sido o melhor jogador alemão duas vezes, erguido a Copa da Uefa com a Internazionale, ostentava 168 gols marcados em 388 partidas de primeira divisão somando Alemanha, Itália e França.

Klinsmann Tottenham
Gary M. Prior/Getty Images

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Tudo isso favorecia para que o atacante impusesse respeito de sobra. Além disso, aos olhos dos ingleses, seguiam vivas as cenas de sua atuação diante dos Three Lions na semifinal da Copa do Mundo de 1990, bem como do lance controverso protagonizado por Klismann, que resultou na expulsão de Pedro Monzon na final contra a Argentina.

A fama de jogador cai-cai é algo que os ingleses tradicionalmente abominam e ela rendeu a Klinsmann, antes mesmo de estrear, um artigo no jornal The Guardian com o título ‘Por que eu odeio Jürgen Klinsmann'.

Para driblar o olhar torto da imprensa inglesa, o alemão mostrou uma faceta surpreendente, de um cara bem-humorado e simpático, algo que destoa da imagem que se tem dos alemães de certa forma. Na coletiva de apresentação, Klinsmann perguntou aos repórteres: “Há uma escola de mergulho em Londres?”. Seis semanas depois, Andrew Anthony do The Times mudava de ideia e escrevia ‘Porquê eu amo Jürgen Klinsmann’.

Estreia e comemoração irreverente

Contra o Sheffield Wednesdey, em seu primeiro jogo, Klinsmann justificou a contratação com uma atuação excelente. De cabeça o camisa 18 fez o quarto gol que sacramentou a vitória dos Spurs naquele dia e, de quebra, comemorou mergulhando, uma piada inteligente para rechaçar a alcunha de jogador cai-cai. Em entrevista à Four Four Two, Klinsmann explicou como nasceu a comemoração.

“Não simulava. Nunca simulei. Mas quando joguei a primeira vez pelo Tottenham, ouvi esta história e tive a ajuda de Teddy [Sheringham] e os outros colegas. Me foi uma grande lição de como lidar com a imprensa. Eles me ensinaram que na Inglaterra quando alguém está exposto ao público, há uma série de provocações por parte da mídia para ver qual será a sua reação. Para eles, você não deve se sentir ofendido, é preciso sair por cima dessas situações. E então, Teddy me aconselhou a fazer o mergulho depois do primeiro gol. Tive sorte porque a piada me fez popular e eu estava iluminado por fazer muitos outros gols naquele momento”.

Klinsmann Tottenham

A temporada mágica de Klinsmann no Tottenham

Nos 47 jogos que fez naquela temporada, Klinsmann foi o cara do Tottenham. O atacante marcou sete gols nos primeiros seis jogos em solo inglês. Um dos mais importantes foi contra o Liverpool, aos 44 do segundo tempo, em partida válida pelas quartas de final da Copa da Inglaterra, que classificou os Spurs para a semifinal.

Jogando em Londres, bateu o próprio recorde de gols até então, anotando 30 tentos em uma única temporada, sendo 21 somente na Premier League. Pegou o quinto lugar na artilharia, empatado com Andy Cole e atrás de Alan Shearer (34 gols pelo Blackburn), Fowler (25 pelo Liverpool), Les Ferdinand (24 pelo Queens Park Rangers) e Stan Collymore (22 pelo Nottingham Forest).

Mesmo não sendo o artilheiro, recebeu o prêmio de Jogador do Ano, entregue pela Football Writers Association. Também foi escolhido para formar o ataque do time do ano ao lado de Sutton e Shearer e foi o segundo colocado da Bola de Ouro da France Football, ficando atrás apenas do liberiano George Weah (que defendeu Paris Saint-Germain e Milan naquela temporada). Fora de campo, o sucesso certamente foi tão grande quanto dentro. O alemão vendeu mais de 150 mil camisas. Todos queriam ter a 18 do ídolo alemão.

Saída e retorno

Depois de temporada impressionante e com alto nível técnico, Klinsmann foi transferido para o Bayern. Em maio deste ano, deu uma declaração para justificar sua saída do clube londrino rumo a Alemanha, para aconselhar Harry Kane sobre seu futuro:

“Kane é daqueles jogadores que pode alcançar tudo o que quiser. É extremamente talentoso e chegou à fase mais madura da sua carreira. Por isso, torço por ele e pelo Tottenham e espero que consiga colecionar troféus. Afinal de tudo, é isso que conta. Por isso é que deixei o Tottenham em 1995, apesar de adorar o clube. Tive de sair para o Bayern porque pensei: ‘tenho 31 anos, estou ficando sem tempo e preciso ganhar mais troféus'. Mas o Kane terá essa oportunidade no Tottenham”.

Depois de erguer a Copa da Uefa em 1995/1996 e a Bundesliga de 1996/1997 pelo Bayern de Munique, Klinsmann ainda venceu pela seleção alemã a Eurocopa de 1996, disputada na Inglaterra.

Na temporada 1997/1998, o experiente atacante voltou para a Itália, assinando com a Sampdoria. Depois de apenas 10 jogos e dois gols marcados, retornou ao Tottenham por empréstimo em dezembro de 1997, onde voltou a ser muito importante.

Os Spurs estavam capengando e lutava desesperadamente contra o rebaixamento. Em seu retorno a Londres, fez 18 jogos e marcou nove gols. Klinsmann fez incríveis quatro vezes na goleada de 6 a 2 sobre o Wimbledon, resultado que salvou os Spurs do rebaixamento. A despedida do ídolo Klinsmann com a camisa do Tottenham foi no empate em 1 a 1 contra o Southampton em maio de 1998, quando deixou a sua derradeira marca.

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