Conheça Julie Welch, a primeira jornalista inglesa a cobrir futebol

Em 1973, aos 24 anos, teve sua primeira oportunidade na cobertura de um jogo

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julie welch

Inglaterra, começo dos anos 1970. Se você parar para observar as fotos das arquibancadas dos estádios na época e procurar por torcedoras, com certeza elas não vão ser a maioria. Expandindo a visão para as tribunas de imprensa, a tarefa se torna ainda mais complicada. Isso se não fosse Julie Welch, pioneira nas redações esportivas inglesas.

Julie Welch, a pioneira

Formada em filosofia pela Universidade de Bristol, Welch começou a trabalhar no The Observer (periódico dominical do Guardian) como secretária quando tinha 22 anos. Com 24, teve sua primeira oportunidade na cobertura de um jogo. Em 1973, escreveu sobre a vitória do Coventry City por 1 a 0 justamente sobre o Tottenham, seu clube do coração.

“Foi um grande alívio não ter feito nenhuma besteira e não decepcionar minhas companheiras”, contou Welch em entrevista ao blog.

Foram 11 anos na redação do Observer. Sobre este período, ela escreveu o livro The Fleet Street Girls. A obra conta não apenas sua experiência, mas a de mulheres de diversas editorias que conquistavam a Fleet Street, endereço dos principais jornais londrinos até a década de 1980.

Se entre os casos mais extremos contados no livro é o de um jornalista que atirou uma cadeira nas pernas de Welch durante uma cobertura, desde a sua primeira reportagem esportiva ela tem boas memórias.

“São muitas boas memórias, mas a primeira foi conseguir minha primeira autorização para escrever para a página de esportes. Era sobre uma garota de 14 anos que era uma promessa do salto em altura. Foi muito empolgante viajar desde a Fleet Street até o sudoeste da Inglaterra para entrevistá-la”.

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Mais tarde, ela se casaria com Ron Atkin, editor de esportes do Observer, com quem teria dois filhos. Eles são apadrinhados pelo lendário treinador inglês Brian Clough e o tenista estadunidense Arthur Ashe.

Apesar dos avanços ao longo das décadas, Welch é pessimista em relação ao cenário da participação das mulheres no futebol.

“Nunca haverá representação igualitária porque o futebol masculino é muito dominado por homens. Mas certamente nos Spurs temos, além de muitas torcedoras, Donna-Maria Cullen, uma diretora-executiva maravilhosa”.

Welch também trabalhou na redação do Sunday Telegraph. Depois de fechado o departamento de maratonas, outra de suas paixões, passou a se dedicar às funções de roteirista e escritora.

Aliás, o amor pelos Spurs sempre acompanhou a carreira de Welch, como no roteiro do filme Those Glory Glory Days (1983). Nele, a campanha da dobradinha dos títulos da primeira divisão e da Copa da Inglaterra na temporada 1960/1961 é pano de fundo para a infância da pequena Julie cercada pelo futebol, a idolatria por Danny Blanchflower (capitão das campanhas vitoriosas do Tottenham) e o início nas tribunas de imprensa.

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“A cena de abertura basicamente resume todos os obstáculos que eu encontrei ao longo do primeiro ano de trabalho, mas dois incidentes foram absolutamente reais. Eu realmente abri uma porta com a placa de imprensa e encontrei uma fila de homens no mictório! E Danny Blanchflower realmente me deu uma carona para a Fleet Street.”

Já sobre as esperanças de título dos Spurs, Julie Welch é um pouco cética, mas ainda tem expectativas com o clube. “Eu sou muito velha e prática para sonhar agora! Se nós pudermos terminar entre os quatro primeiros será fantástico. Sinto muita falta do Pochettino – eu o adorava. Enquanto isso, não me importo muito com Mourinho. Mas ele parece estar conseguindo coisas com o time. Então não posso condená-lo, não é?”.