‘Bronze’ na Nations League confirma bom momento da Inglaterra

Ingleses vivem ótima fase sob comando de Gareth Southgate

0
214
‘Bronze’ na Nations League confirma bom momento da Inglaterra
(Getty Images)

Depois de se classificar em um grupo com Espanha e Croácia na Nations League, a Inglaterra chegou às semifinais da competição contra a Holanda (previmos a semifinal aqui) e acabou derrotada na prorrogação. Mesmo assim, a campanha de terceiro lugar (venceu a Suíça nos pênaltis) afirma Gareth Southgate e a nova geração inglesa.

Veja como foi a caminhada dos Three Lions ao pódio da primeira edição da nova competição da UEFA.

SIGA A PL BRASIL NO YOUTUBE

CRAQUES QUE NUNCA GANHARAM A PREMIER LEAGUE

Fase de grupos da Nations League

A Inglaterra, seguindo o ranking de seleções da UEFA, ficou no grupo 4 da Liga A junto de Espanha e da vice-campeã mundial Croácia. As partidas aconteceram entre setembro e novembro de 2018, pouco tempo depois da conquista do quarto lugar no Mundial da Rússia.

O primeiro desafio dos ingleses foi contra a Espanha, do praticamente estreante Luís Enrique, ex-Barcelona. Jogando em Wembley, os ingleses começaram bem, mas levaram a virada ainda no primeiro tempo.

Inglaterra 1×2 Espanha (Rashford; Saúl e Rodrigo)

Southgate manteve a aposta no esquema 3-1-4-2, como na Copa do Mundo. Jesse Lingard e Dele Alli foram os meias que municiavam e formavam parceria com Harry Kane e Marcus Rashford. As ligações entre Jordan Pickford e o camisa nove dos Spurs fazia o time funcionar.

Rashford abriria o placar no começo, mas logo depois a Espanha empataria com Saúl. A movimentação de Rodrigo, que concluiu a assistência de Thiago Alcântara de pé direito dentro da pequena área, virou o jogo para a Fúria.

O conjunto inglês melhorou depois do segundo gol e teve chances de empatar com Rashford. Uma no primeiro tempo, numa cabeçada, e outra em finalização rasteira no segundo.

David de Gea se deu melhor em ambas, garantindo a vitória dos visitantes. Nem os nove minutos acrescidos pelo árbitro holandês Danny Makkielie foram suficientes para mudar o placar.

Marcus até marcou no começo, mas a virada veio rapidamente (Getty Images)

Leia mais: A esquecida campanha da Inglaterra na Eurocopa de 1968, sua melhor no torneio
Croácia 0x0 Inglaterra

Revanche da Copa em Rijeka, na Croácia, Southgate preferiu mudar o esquema e foi a campo num 4-3-3, tendo o trio com Raheem Sterling,  Rashford e Kane. Ao contrário do que se esperava, o time finalizou menos que o adversário e não marcou.

As estatísticas vão contra porque foram duas bolas na trave, que não são contabilizadas como chutes no alvo. Entretanto, mesmo contando tais situações, os mandantes deram mais trabalho ao goleiro inglês.

Pickford foi acionado em finalizações dos perigosos Ante Rebic e Andrej Kramaric. Enquanto isso, as chances inglesas saíam apenas de bolas paradas. Harry Maguire e Kane acertaram o poste em cabeçadas de escanteio e falta, respectivamente, cobrados por Jordan Henderson.

Na parte final do jogo, Sterling serviu Rashford duas vezes, mas o atacante do Manchester United desperdiçou cara a cara contra o arqueiro Dominik Livakovic, do Dynamo Kiev. Era a chance de conquistar a primeira vitória no certame.

Vitória contra Espanha e classificação

Espanha 2×3 Inglaterra (Sterling, Rashford; Alcácer, Ramos)

A primeira vitória veio no jogo mais improvável dessa primeira fase. Fora de casa contra a Espanha sem alguns dos principais atletas, o jovem técnico britânico veio com o antídoto perfeito para o jogo de posse característico de Lucho.

As ligações diretas de Pickford para Kane mais uma vez fizeram o time funcionar e, assim, fugir da pressão alta. Tanto que o primeiro gol sai de um lançamento do goleiro para o atacante.

Com a defesa aberta, Rashford recebe com liberdade pela esquerda e enfia com precisão nas costas de Marcos Alonso para Sterling. O então camisa 10 bate no ângulo de De Gea, que nem se mexe.

O 4-3-3 era mutável e, por vezes, Eric Dier saía da posição de primeiro volante para ser terceiro zagueiro. Os pontas recompunham uma segunda linha de marcação, mas sempre atentos para os contra-ataques.

A generosidade de Kane continuou beneficiando o selecionado inglês. Autor de duas assistências, o atacante do Tottenham praticamente consagrou Rashford (no segundo gol) e Sterling. O 2 a 0 era justo para o que acontecia até o momento no Benito Villamarín.

Consagrado na Espanha, Sterling foi o melhor da partida histórica (Michael Regan/Getty Images)

O terceiro saiu de mais uma assistência de Kane. Ross Barkley levantou com doçura para dentro da área e viu o camisa nove ajeitar, se jogando na bola, para Sterling coroar sua noite como melhor jogador do confronto.

O segundo tempo foi diferente. A Espanha foi mais agressiva com a posse, como era de se esperar. Diminuiu o placar com Alcácer e Sérgio Ramos, porém, não foi o suficiente para igualar o marcador ou tirar a eficiência da atuação do primeiro tempo.

As conexões diretas do goleiro com o atacante foram cruciais para a estratégia funcionar (Michael Regan/Getty Images)
Inglaterra 2×1 Croácia (Lingard, Kane, Kramaric)

A classificação à fase final deu-se após uma vitória de virada sobre a Croácia em Wembley. O resultado negativo dos espanhóis na rodada anterior também colaborou para o primeiro lugar do grupo.

O jogo direto e vertical continuou funcionando através de ligações diretas e jogadas ensaiadas de bolas paradas. Os gols saíram dessa forma e o faro de artilheiro de Kane finalmente apareceu na competição. Justamente no momento mais decisivo.

O zero a zero da primeira etapa e o gol precoce de Kramaric na volta deram a impressão de um fracasso. Considerando que a Inglaterra nunca foi uma seleção de protagonizar grandes viradas, o time se superou e, com méritos, se classificou para a semifinal.

Leia mais: Guia da seleção inglesa feminina na Copa do Mundo: renovação e favoritismo

Semifinal contra Holanda

Holanda 3×1 Inglaterra (De Ligt, Walker, Promes; Rashford)

A pressão alta no início do jogo rendeu um erro de Matthijs De Ligt que, além de perder a bola, fez pênalti em Rashford. O atacante converteu e viu a Holanda ser controlada até o fim do primeiro tempo.

Porém, no segundo, assim como contra a Espanha, os holandeses foram mais agressivos e De Ligt compensou o erro empatando de cabeça.

Frenkie De Jong ditava o ritmo da partida, controlando a saída de bola e fugindo da pressão inglesa. O meio-campista ganhou o prêmio de melhor jogador daquela partida.

O The Times viu semelhanças no jogo de ontem com aquele de julho passado, frente à Croácia, nas semifinais do Mundial:

“A história repetiu-se e a Inglaterra voltou a sentir muitas dificuldades frente a um adversário mais rápido de pensamento e ação. O meio-campo voltou a ser crucial: no ano passado Modrić ditou, e desta vez coube ao sublime Frenkie de Jong dar espectáculo”.

A prorrogação foi um terrível pesadelo para os defensores. Ronald Koeman subiu suas linhas e viu John Stones vacilar e Kyle Walker marcar contra no mesmo lance. Eram os holandeses quem pressionavam em linha alta e com resultados.

Pela direita, depois de um passe errado de Barkley, Memphis Depay acionou Quincy Promes, que decretou a eliminação da Inglaterra. O sonho da final tinha sido estilhaçado por uma seleção com mais vocação ofensiva e por erros de jogadores campeões na última temporada.

Decisão nos pênaltis contra a Suíça

A volta de Kane deu esperanças prévias aos torcedores. O artilheiro ficou fora da semifinal e fez falta. As conexões de Pickford não funcionaram direito sem o artilheiro em campo.

O retrospecto mostrava vantagem aos leões, já que eram 10 jogos de invencibilidade contra os suíços. E a partida, pelo menos na primeira hora, parecia fazer valer o histórico favorável.

Yann Sommer negou diversas possibilidades dos atacantes e o duelo tático de um 4-3-2-1 de Southgate contra um 3-5-2 de Vladmir Petkovic era intenso. O goleiro do Borussia Monchengladbach estava numa noite inspirada.

As quatro bolas na trave nos 120 minutos foram a prova da superioridade inglesa, além do bom desempenho pelo lado direito, principalmente. Trent Alexander-Arnold criou sete oportunidades de finalização por lá.

Pickford, eleito o melhor goleiro do torneio, apareceu quando tinha que aparecer. Além de converter uma das penalidades, voou para defender a última cobrança de Josip Drmic no canto direito.

O primeiro goleiro a converter um pênalti para a Inglaterra (Getty Images)

O terceiro lugar pode parecer um prêmio de consolação, entretanto, muitas lições foram tiradas e o inegável restabelecimento da Inglaterra como uma das grandes seleções mundias foi concluído.

Além do mais, foi a segunda vitória nos pênaltis seguida. Com isso, o time ganha casca e amadurece para competições e momentos decisivos futuros. Isso é, claramente, fruto do trabalho do treinador.

“Merecemos ganhar o jogo devido ao número de ocasiões de gol que tivemos e pelos quatro arremates à trave. Acima de tudo, o que me agradou foi a forma como a equipe respondeu a um jogo que contava para pouco, e também por não estar satisfeita por não termos chegado à final e quererem fazer melhor da próxima vez”.

Gareth Southgate, técnico da Inglaterra

Jogadores utilizados por Southgate

Goleiros: Pickford, Butland, McCarthy, Betinelli e Heaton.

Laterais: Walker, Alexander-Arnold, Trippier, Shaw, Chilwell e Rose.

Zagueiros: Stones, Maguire, Keane, Joe Gomez, Tarkowski e Dunk.

Meias: Dier, Henderson, Alli, Lingard, Barkley, Loftus-Cheek, Delph, Winks, Chalobah, Mount, Maddison e Rice.

Atacantes: Kane, Sterling, Rashford, Sancho, Wilson e Welbeck.

(Getty Images)

Obviamente que a campanha teve seus altos e baixos, mas o saldo final é positivo. Uma competição estreante contra adversários qualificados e competitivos.

É verdade que a Espanha estava em reconstrução. Por outro lado, a Croácia vinha de uma excelente Copa do Mundo.

Na semifinal, foi eliminada na prorrogação por conta de erros individuais. Conseguiu controlar a talentosa Holanda de Koeman em certos momentos, mas não pôde parar o talento de Frenkie De Jong.

O terceiro lugar veio numa atuação que poderia ser melhor nos 90 minutos regulamentares. A falta de gana foi compensada na prorrogação, quando parecia conquistar a medalha de bronze sem precisar dos pênaltis e de Pickford.

O goleiro foi um dos pontos altos da campanha, assim como a generosidade de Kane, o poder decisivo de Sterling e a confirmação do talento de Southgate para a função.