Bellingham? Foden? Por que o grande nome da Inglaterra na Eurocopa será Kyle Walker

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Oscilar faz parte da realidade do torcedor do futebol. Em um minuto, “somos imbatíveis, ninguém pode com a gente”. No próximo, “somos péssimos, incapazes de vencer qualquer adversário”. Faz parte, é normal.

Mas não lembro de tanta instabilidade e variações de humor sobre a seleção inglesa. O time de Gareth Southgate, que inicia a sua campanha na Eurocopa contra a Sérvia no domingo (16), tem de longe o melhor elenco no torneio, deve voltar da Alemanha com o troféu. Mas como? Acabou de perder em casa para a Islândia, não tem a menor possibilidade de ganhar a taça.

Na véspera do torneio, é normal ouvir essas duas opiniões na Inglaterra, e também nas ruas dos rivais. E, embora sejam opostos completos, as duas têm base.

Realmente, a congregação dos talentos é impressionante — e tem a ver com um assunto que a gente abordou algumas semanas atrás. O desenvolvimento de jovens no futebol inglês está sendo muito bem feito. Extrapola a seleção. Ademola Lookman, o herói da Atalanta no final da Liga Europa, representa a Nigéria. Mas é inglês, nascido, crescido e desenvolvido no país. 

Jamal Musiala nasceu na Alemanha e defende a sua seleção. Mas cresceu na Inglaterra, fez a base toda por lá e jogou pela seleção inglesa em quase todas as categorias até decidir voltar para a Alemanha. Folarin Balogun, o centroavante do Monaco e dos Estados Unidos, é outro. Nasceu em Nova Iorque, mas foi para Londres com dois anos e se desenvolveu no Arsenal antes de ir fazer nome na França. 

Trata-se de uma linha de produção que, falando agora da seleção da Inglaterra, enche Gareth Southgate de opções.

Mas aí tem o debate, com as suas incertezas. Como juntar os talentos num coletivo coerente? Jude Bellingham vai ser titular, óbvio. Mas onde? Na sua posição original, como meio-campista? Ou, na função em que fez tanto sucesso nesta temporada com o Real Madrid, mais perto do gol?

Mas se Bellingham joga aí, como um 10, o que fazer com Phil Foden? Vai ter que ir para o lado esquerdo, onde ele tem menos panorama. O melhor de Foden nesta temporada tem sido numa posição mais central. 

Walker Inglaterra e Brasil
Walker saindo machucado em Inglaterra e Brasil (Foto: Icon Sport)

Southgate realmente tem um excesso de riqueza em algumas posições. Mas não em todas.

A fartura que tem nas posições ofensivas não se repete atrás. A safra atual dos zagueiros não é a melhor — vale a pena comparar com a turma que foi para a Alemanha na última vez que o país sediou um grande torneio, a Copa do Mundo de 2006. Rio Ferdinand, John Terry e Sol Campbell eram gigantes, maiores ainda em comparação com os defensores atuais.

Vai ter muita pressão em cima de John Stones, quem vem jogando mais no meio-campo ultimamente e também não parece estar desfrutando das melhores condições físicas. A bola nas costas dele é um perigo — que o time vai enfrentar se não melhorar a pressão em cima da posse de bola adversária. A quantidade de espaço na frente da zaga da Inglaterra é uma preocupação.

Southgate Inglaterra Eurocopa
Gareth Southgate pela Inglaterra (Foto: Imago/Funke Foto)

Uma conclusão possível disso tudo é que o elemento mais importante do time do Gareth Southgate não se trata de nenhum dos nomes badalados lá na frente. 

Talvez seja Kyle Walker, o veterano lateral-direito.

A combinação de experiência e velocidade dá a Walker um papel fundamental no time: de equilibrar o desejo de atacar com a necessidade de defender. A ideia mais provável — e mais lógica — de Southgate é usar Walker para dar cobertura para a linha defensiva, reduzindo o perigo de um passe nas costas da zaga. 

Para qual lado vão as oscilações da torcida inglesa durante a Euro? Pode ser que dependa bastante do desempenho de Kyle Walker.

Tim Vickery
Tim Vickery

Tim Vickery cobre futebol sul-americano para a BBC e para a revista World Soccer desde 1997, além de escrever para ESPN e aparecer semanalmente no programa Redação SporTV. Foi declarado Mestre de Jornalismo pela Comunique-se e, de vez em quando, fica olhando para o prêmio na tentativa de esquecer os últimos anos de Tottenham Hotspur.