Inglaterra e Escócia desafiam FIFA e vão usar braçadeiras com papoula nas Eliminatórias

FIFA proíbe seleções de usarem símbolos considerados "políticos", mas federações decidem manter homenagem aos britânicos mortos em guerras

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Inglaterra e Escócia desafiam FIFA e vão usar braçadeiras com papoula nas Eliminatórias

As Federações de Futebol da Inglaterra e da Escócia anunciaram na quarta-feira (02) que, no confronto entre ambas seleções no próximo dia 11, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018, os jogadores usarão braçadeiras de luto com o desenho de uma papoula, contrariando o veto imposto pela FIFA.

A entidade máxima do futebol proíbe qualquer manifestação política, religiosa ou comercial por meio de símbolos nos uniformes, e ao ser consultada pelas federações, entendeu que não poderia abrir exceção para a papoula.

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A polêmica repercutiu inclusive no meio político, motivando a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, a classificar o veto da FIFA como “absolutamente escandaloso”. A secretária-geral da FIFA, Fatma Samoura, disse em entrevista à BBC que Inglaterra e Escócia devem estar preparadas para receber sanções caso descumpram a norma.

“A Grã-Bretanha não é o único país que tem sofrido com o resultado da guerra. A Síria é um exemplo”, disse a senegalesa Samoura. “Meu próprio continente tem sido revirado pela guerra há anos. E a única questão é: por que vamos abrir exceções para apenas um país e não para o restante do mundo?.”

A flor representa um momento de reflexão e de homenagem dos britânicos aos que morreram pelo Reino Unido em guerras. Além disso, o confronto entre ingleses e escoceses ocorre justamente no Dia do Armistício, ato que deu fim ao confronto entre os Aliados e a Alemanha na Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

“A papoula é um símbolo importante de lembrança e não acreditamos que ela represente uma mensagem política, religiosa ou comercial, nem que se refira a nenhum evento histórico específico”, disse a Football Association (FA), em nota, depois de receber a negativa da FIFA. “De acordo com a posição acertada com a FIFA em 2011, e no que acreditamos estar de acordo com a Lei 4, parágrafo 4, a FA pretende prestar uma homenagem adequada àqueles que fizeram o sacrifício extremo por meio da equipe da Inglaterra usando braçadeiras pretas com a papoula no nosso jogo no Dia dos Armistício.”

A Federação Escocesa também lançou uma nota semelhante, e ambas estão confiantes de que o fato da Inglaterra ter sido liberada para usar a braçadeiras em 2011, num amistoso contra a Espanha, sirva como precedente – reforçando o argumento de que a papoula não é um símbolo político a ponto de ter sido liberada anteriormente.

“Nossos jogadores querem reconhecer e respeitar aqueles que deram suas vidas por nossa segurança. Eu acho que é absolutamente certo que eles sejam capazes de fazer isso [vestir as braçadeiras]”, disse a primeira-ministra May. “Antes que eles [FIFA] comecem a nos dizer o que fazer, deveriam estar bem dispostos a colocar a própria casa deles em ordem.”