Homegrown Player: O que é a regra e como impacta o futebol inglês

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Existem vários motivos que fazem da Premier League uma referência mundial. O altíssimo investimento estrangeiro dos clubes é um deles, mas colaborou para a redução das oportunidades a jogadores formados na Inglaterra. A Federação Inglesa entendeu isso como uma das razões para a falta de sucesso da seleção nacional. Para tentar equilibrar a situação, se criou a regra “Homegrown Player” (jogador caseiro, em tradução literal para o português).

Trata-se de uma iniciativa para que os jogadores nacionais sejam desenvolvidos desde cedo pelos clubes, com a expectativa de ter mais talentos à disposição da seleção inglesa.

O que é o “Homegrown Player” para a Premier League?

Apesar do nome, nem todo “Homegrown Player” precisa ser obrigatoriamente inglês. É considerado “caseiro” um jogador de qualquer nacionalidade, que passou pelo menos três temporadas treinando em um clube profissional inglês ou galês antes dos 21 anos.

Quantos atletas “Homegrown” um clube precisa ter?

A Premier League propôs que os clubes precisam ter, pelo menos, oito jogadores formados na Inglaterra em um elenco de 25. Ou seja, isso limita que os times tenham 17 jogadores estrangeiros ou considerados “não caseiros”.

A regra não inclui atletas sub-21. Esses, as equipes podem usar o quanto quiserem.

O lateral Hector Bellerín, por exemplo, é espanhol, mas chegou ao Arsenal aos 16 anos de idade e é um jogador formado na Inglaterra. Portanto, atende à regra e é considerado “homegrown”.

Eric Dier é inglês, mas não é um “Homegrown Player”. Isso porque ele viveu dos sete aos 20 anos em Portugal e foi revelado pelo Sporting. Então não cumpre a regra de ter estado em um time inglês por pelo menos três anos antes dos 21.

Em 2015, a Federação Inglesa (FA) propôs aumentar o número para 12, mas a Premier League entendeu que o mínimo de oito jogadores não precisava mudar. Ainda há um debate sobre o tema, mas a regra não foi alterada até o momento.

Aumentar esse número poderia causar um forte impacto no mercado de transferências. Os jogadores ingleses já costumam custar caro para sair de um clube para outro e, aumentando essa cota mínima, os valores de transferência aumentariam, devido a uma maior demanda por eles.

Isso significa que os clubes de menor poderio financeiro sofreriam com essa decisão, já que os gigantes como Manchester City, United e Chelsea, por exemplo, têm um poder de aquisição e investimento muito maior.

Além disso, os clubes ingleses estão sempre em busca jogadores fora do país para reforçar seus elencos. Esse é o fator principal para que os clubes lutem contra a regra do Homegrown Player limitar seus estrangeiros no elenco.

Jogadores estrangeiros disputando a Premier League, como Heung Min Son, fazem com que a liga se torne forte na Coreia do Sul e em outros países da Ásia, que certamente sem a representatividade nacional não dariam tanta atenção ao campeonato.

O que a Uefa entende como Homegrown Player?

A Uefa define jogadores locais como aqueles que, independentemente da sua nacionalidade, foram formados pelo seu clube ou por outro clube da mesma federação nacional durante, pelo menos, três anos com idades compreendidas entre os 15 e os 21.

Diferente da Premier League, a Uefa entende como Homegrown somente jogadores formados no mesmo país em que atuam. A Regra na Inglaterra abrange também os jogadores formados em Gales que atuam na Inglaterra, ou vice versa.

O caso do lateral galês Ben Davies explica bem essa diferença. Ele é formado no País de Gales e atua na Inglaterra. Segundo as regras da Premier League, ele é um jogador caseiro, por ter sido formado em Gales, mas não se encaixa na regra da Uefa, por ter sido formado em um país diferente do que atua.

Como os Homegrown Players afetam o fair play financeiro da Premier League?

Os jogadores locais oferecem um impacto nas finanças dos clubes ingleses também. Pensando em mercado de transferências, é mais vantajoso ao caixa vender homegrown players porque eles rendem um lucro “puro”.

Veja: ao vender um atleta formado na base, o valor contábil dele é zero, já que não foi necessário pagar taxa de transferência pela sua chegada à equipe principal. Por isso, o valor de uma possível venda, no balanço financeiro, seria contado apenas como lucro.

Um exemplo foi a venda de Mason Mount para o Manchester United. O jogador formado no Chelsea foi vendido por 55 milhões de libras. Na demonstração de resultados dos Blues, ele irá constar apenas como lucro de 55 milhões, sem ter uma taxa de transferência anterior subtraída desse total.

Isso é benéfico para os clubes porque as regras de fair play financeiro da Premier League apontam que os clubes não podem ter um prejuízo maior que 105 milhões de libras em um período de três anos.

Maria Tereza Santos
Maria Tereza Santos

Me formei em Jornalismo pela PUC-SP em 2020. Antes de escrever para a PL Brasil, fui editora na ESPN e repórter na Veja Saúde, Folha de S.Paulo e Superesportes.