Homegrown Player: o que é e como impacta o futebol inglês

Entenda como a regra que incentiva a formação de jogadores na Inglaterra impacta a formação de elencos pelos clubes

Homegrown Player: o que é e como impacta o futebol inglês
PETER POWELL/POOL/AFP via Getty Images

Existem vários motivos que fazem da Premier League uma referência mundial. O altíssimo investimento estrangeiro dos clubes é um deles, mas colaborou para a redução das oportunidades a jogadores formados na Inglaterra. A Federação Inglesa entendeu isso como uma das razões para a falta de sucesso da seleção nacional. Para tentar equilibrar a situação, se criou a regra “Homegrown Player”.

Trata-se de uma iniciativa para que os jogadores nacionais sejam desenvolvidos desde cedo pelos clubes, com a expectativa de ter mais talentos à disposição da seleção inglesa.

O que é o “Homegrown Player” para a PL?

Apesar do nome, nem todo jogador precisa ser obrigatoriamente inglês. É considerado “caseiro” um jogador de qualquer nacionalidade, que passou pelo menos três temporadas treinando em um clube profissional inglês ou galês antes dos 21 anos.

Quantos atletas “Homegrown” um clube precisa ter?

A Premier League propôs que os clubes precisam ter, pelo menos, oito jogadores formados na Inglaterra em um elenco de 25. Ou seja, isso limita que os times tenham 17 jogadores estrangeiros ou considerados “não caseiros”.

A regra não inclui atletas sub-21. Esses, as equipes podem usar o quanto quiserem.

O lateral Hector Bellerín, por exemplo, é espanhol, mas chegou ao Arsenal aos 16 anos de idade e é um jogador formado na Inglaterra. Portanto, atende à regra e é considerado “homegrown”.

Eric Dier é inglês, mas não é um “Homegrown Player”. Isso porque ele viveu dos sete aos 20 anos em Portugal e foi revelado pelo Sporting. Então não cumpre a regra de ter estado em um time inglês por pelo menos três anos antes dos 21.

Leia mais: Mais jogadores formados na Inglaterra estrearam na PL nesta temporada.

A Federação Inglesa (FA) pensa em aumentar o número para 12, mas a Premier League entende que o mínimo de oito jogadores não precisa mudar.

Aumentar esse número hoje poderia causar um forte impacto no mercado de transferências. Os jogadores ingleses já costumam custar caro para sair de um clube para outro e, aumentando essa cota mínima, os valores de transferência aumentariam, devido a uma maior demanda por eles.

O que significa que os clubes de menor poderio financeiro sofreriam com essa decisão, já que os gigantes como Manchester City, United e Chelsea, por exemplo, têm um poder de aquisição e investimento muito maior.

homegrown player
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Além disso, os clubes ingleses estão sempre em busca jogadores fora do país para reforçar seus elencos. Esse é o fator principal para que os clubes lutem contra a regra do Homegrown Player limitar seu estrangeiros no elenco.

Jogadores estrangeiros disputando a Premier League, como Heung Min Son, fazem com que a liga se torne forte na Coreia do Sul e em países da Ásia, que certamente sem a representatividade nacional não dariam tanta atenção ao campeonato.

O que a Uefa entende como Homegrown Player?

A Uefa define jogadores locais como aqueles que, independentemente da sua nacionalidade, foram formados pelo seu clube ou por outro clube da mesma federação nacional durante, pelo menos, três anos com idades compreendidas entre os 15 e os 21.

Diferente da Premier League, a Uefa entende como Homegrown somente jogadores formados no mesmo país em que atuam. A Regra na Inglaterra abrange também os jogadores formados em Gales que atuam na Inglaterra, ou vice versa.

O caso do lateral galês Ben Davies explica bem essa diferença. Ele é formado no País de Gales e atua na Inglaterra. Segundo as regras da Premier League, ele é um jogador caseiro, por ter sido formado em Gales, mas não se encaixa na regra da Uefa, por ter sido formado em um país diferente do que atua.

Brexit e seu impacto no futebol inglês

O Reino Unido já deixou oficialmente a União Europeia, mas vive um período de transição até o final de dezembro deste ano. E, essa saída não impacta apenas na situação socioeconômica britânica, mas também no futebol.

A grande preocupação com o Brexit é como o governo tratará a circulação e autorização de trabalho de atletas no país.

Os jogadores nascido em países da UE, possivelmente, passariam a ser tratados da mesma maneira que jogadores estrangeiros. Ou seja, teriam que enfrentar mais burocracia para jogar na terra da Rainha.

Leia mais: Brexit e Premier League: os impactos ao futebol inglês

Além disso, o Brexit também dificulta a contratação de jogadores europeus com menos de 18 anos. A  Fifa tem políticas de proteção aos menores de idade, e permite que transferências internacionais entre jogadores de 16 a 18 anos sejam feitas apenas entre clubes que estejam dentro da UE. Assim, com o Reino Unido fora, isso não seria mais possível.

Hoje em dia, por exemplo, o Manchester United não poderia contratar Paul Pogba como fez em 2009, porque o francês tinha apenas 16 anos.

O que vai mudar daqui para frente ainda é incerto, mas, não é esperada a adesão de forma tão radical dessas regras. Principalmente porque o campeonato sofreria um forte impacto financeiro e perderia sua força mundial.

O mais viável para todos os clubes é que exista uma flexibilização. Seja como for, em breve nós saberemos como ficará o destino do futebol Inglês.