Guia da seleção inglesa feminina na Copa do Mundo: renovação e favoritismo

Mesclando experiência e juventude, seleção inglesa chega entre as favoritas

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seleção inglesa feminina
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Não é novidade que o futebol inglês tem estado em alta nos últimos anos. Com os recentes títulos da Euro sub-19, do mundial sub-20 e o surpreendente quarto lugar na Copa de 2018, “It’s Coming Home” não é tão entoada como hoje desde os anos 1990. O que nem todos os seguidores do futebol da Terra da Rainha sabem, é que o bom momento também se estende à seleção inglesa feminina.

Terceiras colocadas no mundial de 2015, no Canadá, semifinalistas da Euro de 2017, na Holanda, e atuais campeãs da SheBelieves Cup, nos Estados Unidos, as Lionesses chegam com moral e cercadas de expectativas para a Copa do Mundo 2019, que começa dia 7 de junho, na França.

Histórico e retrospecto das Three Lionesses

O futebol feminino na Inglaterra só começou a ser organizado de forma mais profissional devido à empolgação com o esporte revitalizada após a Copa de 1966. Além de demasiadamente tardio, o processo de profissionalização e formação de uma equipe nacional foi lento e gradual.

Em 1969, foi fundada a Associação de Futebol Feminino (WFA). Três anos mais tarde, a FA (Football Association) retirou a proibição da prática do futebol feminino em estádios da Football League. Somente em 1984, com a organização da primeira Euro feminina, as inglesas tiveram a chance de disputar sua primeira competição internacional, na qual foram vice-campeãs.

Antes do mundial de 2015, a Inglaterra só havia se classificado para três das seis Copas organizadas até ali, sendo seu melhor resultado o sexto lugar em 1995. Já no cenário europeu, as maiores conquistas foram o vice-campeonato das Euro de 2009, além do já citado segundo lugar em 1984.

No entanto, de 2015 para cá, a geração de ouro, liderada por lendas como Fara Williams, Jill Scott, Lucy Bronze, Karen Carney e Steph Houghton, finalmente mostrou a que veio.

Em campanha praticamente irretocável na Copa do Canadá, a seleção inglesa feminina chegou a uma inédita semifinal com quatro vitórias e apenas uma derrota, mas um apertado e dramático revés por 2 a 1 para o Japão a impediu de chegar à sonhada final.

Uma surpreendente vitória na disputa de terceiro lugar contra a Alemanha rendeu às inglesas sua primeira medalha em mundiais, além de colocá-las de vez entre as seleções de elite no mundo.

Veja também: Brasil ou Inglaterra: qual a melhor seleção?
Inglesas comemoraram muito o terceiro lugar na Copa de 2015 (foto: Getty Images)

Dois anos mais tarde, na Euro de 2017, a Inglaterra já era vista como uma das favoritas. Entretanto, apesar dos 100% de aproveitamento, as inglesas pararam novamente na semi, dessa vez a algoz foi a dona da casa Holanda, que acabaria levando o título na final.

Fase atual

A reabilitação da derrota na Euro veio rápido, no entanto. Após a decepção no torneio continental, a campanha nas Eliminatórias para a Copa de 2019 foi praticamente perfeita.

Com sete vitórias e um empate, 29 gols marcados e apenas um sofrido, as inglesas passearam pelo grupo 1, terminando bem à frente das adversárias País de Gales, Rússia, Bósnia-Herzegovina e Cazaquistão. Os principais destaques foram as atacantes Nikita Parris e Toni Duggan, que juntas somaram 10 gols, além do sólido sistema defensivo.

Destaque das eliminatórias, Duggan (esq.) e Parris (dir.) foram colegas de time no Manchester City (foto: Getty Images)

Além do excelente desempenho nas eliminatórias, a Inglaterra ergueu recentemente a taça da SheBelieves Cup, torneio amistoso de pontos corridos organizado anualmente, desde 2016, pelos Estados Unidos. Na atual edição, realizada entre fevereiro e março deste ano, as inglesas bateram Brasil (2 a 1) e Japão (3 a 0), além de arrancarem um empate contra as anfitriãs norte-americanas (2 a 2).

O clima na Terra da Rainha é de crescente otimismo em relação a sua seleção. Na campanha das Eliminatórias para a Copa de 2019, a média de público nos jogos da Inglaterra foi de 13.079 torcedores por jogo, um aumento de 43% em relação à média nas Eliminatórias da Euro 2017 e 94% em relação à campanha de qualificação para o mundial de 2015.

No ciclo entre Copas (2015-19), a seleção inglesa disputou ao todo 52 partidas, sendo 32 vitórias, 10 empates e 10 derrotas, com 113 gols marcados e apenas 28 sofridos.

A seleção atual

Ícone do futebol feminino inglês, Fara Williams não disputará a Copa de 2019 (foto: Getty Images)

O técnico Phil Neville, ex-lateral-esquerdo da seleção e irmão do lendário Gary Neville, anunciou as 23 convocadas para a Copa no dia 8 de maio.

No intuito de renovar a equipe, Neville optou por chamar algumas jovens promessas em detrimento de certas atletas mais experientes.

Onze jogadoras farão sua estreia em mundiais na Copa da França, dentre elas as duas revelações do Blackburn e hoje colegas no Manchester City, Keira Walsh (22 anos) e Georgia Stanway (20 anos), além das atacantes Beth Mead (23 anos, Arsenal) e Nikita Parris (25 anos, Manchester City).

Já a principal ausência da lista final fica por conta da lendária meia-atacante Fara Williams, de 35 anos. Williams, atualmente no Reading, é a recordista de jogos pela seleção inglesa, com 170 partidas, além de ser a terceira maior artilheira da história das Lionesses, com 40 gols.

Outras ausências notáveis são a experiente goleira Siobhan Chamberlain (Manchester United), a zagueira Gemma Bonner (Man City) e a meia-atacante Izzy Christiansen (Lyon-FRA).

Confira as 23 convocadas da seleção inglesa feminina:

Goleiras: Karen Bardsley (34 anos, Man City), Mary Earps (26 anos, Wolfsburg-ALE), Carly Telford (31 anos, Chelsea).

Defensoras: Millie Bright (25 anos, Chelsea), Lucy Bronze (27 anos, Lyon-FRA), Rachel Daly (27 anos, Houston Dash-EUA), Alex Greenwood (25 anos, Man Utd), Steph Houghton (31 anos, capitã, Man City), Abbie McManus (26 anos, Man City), Demi Stokes (27 anos, Man City) Leah Williamson (22 anos, Arsenal).

Meio-campistas: Karen Carney (31 anos, Chelsea), Jade Moore (28 anos, Reading), Jill Scott (32 anos, Man City), Lucy Staniforth (26 anos, Birmingham City), Georgia Stanway (20 anos, Man City), Keira Walsh (22 anos, Man City).

Atacantes: Toni Duggan (27 anos, Barcelona-ESP) Fran Kirby (25 anos, Chelsea), Beth Mead (24 anos, Arsenal), Nikita Parris (25 anos, Man City), Jodie Taylor (32 anos, Seattle Reign-EUA), Ellen White (30 anos, Birmingham City).

Time-base da seleção inglesa feminina (4-2-3-1)

Bardsley; Bronze, Houghton, Bright e Stokes (Greenwood); Walsh e Scott; Parris (Stanway), Carney (Staniforth) e Duggan (Mead); Taylor (Kirby).

A Inglaterra está no complicado grupo D, ao lado de Argentina, Japão e da rival Escócia. A estreia é no dia 9 de junho, contra as escocesas. Confira a tabela:

9 de junho – Inglaterra x Escócia (13h)

14 de junho – Inglaterra x Argentina (15h)

19 de junho – Japão x Inglaterra (15h)

DESTAQUE

Steph Houghton (31 anos, capitã, Man City)
A capitã Steph Houghton soma 104 jogos e 12 gols pela seleção inglesa (foto: Getty Images)

Capitã da Inglaterra, líder nata em campo e uma das melhores zagueiras do mundo. Essa é Steph Houghton, uma das principais responsáveis pela grande fase vivida pelo sistema defensivo das Three Lionesses.

Aos 31 anos, a experiente defensora, revelada pelo Sunderland e com passagens por Leeds e Arsenal, disputará sua segunda Copa com a braçadeira de capitã. Ao lado das também veteranas Karen Carney e Jill Scott, é uma das únicas convocadas com mais de 100 partidas pela seleção.

Houghton se destaca pelo senso de colocação, inteligência, vigor físico e um faro de gol acima da média para uma zagueira, além da já citada liderança. Com ela em campo, a Inglaterra ostenta média próxima a apenas um gol sofrido a cada dois jogos.

Na atual temporada, Steph foi campeã da FA Cup e da WSL Cup, além de vice da Super League pelo Manchester City. Ela disputou 31 partidas oficiais e anotou quatro tentos em 2018/19.

FIQUE DE OLHO

Nikita Parris (25 anos, Manchester City)
Uma cena comum de se ver: Nikita Parris comemorando mais um gol para sua conta (foto: Getty Images)

Depois de uma bela temporada em 2017/18, a atacante Nikita Parris finalmente atingiu seu potencial em 2018/19 e chega na Copa de 2019 no auge da carreira. Peça fundamental do Manchester City na conquista dos títulos da FA Cup e da WSL Cup, Parris marcou impressionantes 24 gols e distribuiu 10 assistências em 29 partidas.

Mesmo com a concorrência de nomes como Toni Duggan, Fran Kirby, Beth Mead, Jodie Taylor e Ellen White no ataque das Lionesses, Parris se apresenta como forte candidata à artilharia da Copa da França.

Georgia Stanway (20 anos, Man City)
Mais jovem dentre as 23 convocadas, Stanway é uma das maiores promessas do futebol mundial (foto: Getty Images)

Ao que tudo indica, a garota Georgia Stanway, de recém-completados 20 anos, foi a principal responsável pela ausência de Fara Williams da lista final de Phil Neville. Isso porque, assim como a lenda de 35 anos, Stanway é uma meia-atacante goleadora e dotada de rara qualidade técnica.

Jogadora mais jovem dentre as convocadas, Georgia, revelada pelas categorias de base do Blackburn, já vestiu a camisa dos Citizens em 86 partidas oficiais e marcou 34 gols ao longo de cinco temporadas. Em 2018/19 foram 16 tentos em 32 partidas oficiais.