Guia do Fulham na Premier League 2020/2021

Os Cottagers estão de volta à elite do futebol inglês e querem aprender com erros do passado

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Fulham
Divulgação/Fulham

Antes de garantir o retorno à Premier League 2020/2021, o Fulham esteve na elite inglesa na temporada 2018/2019 após quatro anos na segunda divisão. E esse início foi repleto de expectativas.

A equipe londrina apresentou um bom futebol na Championship 2017/2018 – tendo ficado 23 jogos sem perder na temporada. A manutenção dos principais jogadores daquela campanha e os mais de 100 milhões de libras gastos em reforços eram motivos de esperanças para os torcedores. A equipe tornou-se a primeira da história a investir tal quantia na temporada após o acesso. 

Contando com nomes como André Schürrle, Seri, Mitrović, Anguissa e o promissor Ryan Sessegnon, criou-se grande perspectiva. A equipe chegou a ser apontada como postulante de briga no meio da tabela, e alguns mais empolgados sonharam até com vaga na Europa League.

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Alex Davidson/Getty Images

Mas bastaram as primeiras rodadas para que o sonho do retorno à Premier League começasse a tomar ares de pesadelo. Slaviša Jokanović ficou no cargo por 12 rodadas, mas acabou não suportando uma série de seis derrotas consecutivas. O sérvio deixou o clube com dois empates e apenas uma vitória.

A diretoria então resolveu apostar no experiente Claudio Ranieri, que havia conquistado o título três anos antes com o Leicester. Mas com uma proposta de jogo totalmente diferente do seu antecessor, não conseguiu emplacar suas ideias e sobreviveu por 17 jogos no comando. O italiano conquistou apenas três vitórias e três empates.

Então, o clube resolveu buscar a solução dentro de casa e deixou Scott Parker – que atuava como auxiliar-técnico – conduzir o time nas últimas dez rodadas que faltavam. Mas com toda a bagunça, Parker pouco pode fazer, com a equipe sendo rebaixada na 33ª rodada. Foi a pior campanha da história do clube na primeira divisão.

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Parker havia trabalhado na equipe sub-18 do Tottenham na temporada anterior. E, apesar de sua experiência como treinador de uma equipe profissional tenha sido somente nos dez jogos finais em que comandou o Fulham na Premier League, foi o escolhido para liderar a equipe nesse retorno repentino à Championship.

O que é comum para as equipes recém-rebaixadas acabou acontecendo: um desmanche. Dos 15 jogadores contratados anteriormente, apenas Maxime Le Marchand, Aleksandar Mitrović, Alfie Mawson e Joe Bryan permaneceram. Soma-se ainda a saída de Ryan Sessegnon, negociado com o Tottenham.

Em contrapartida, foi mantida uma boa base dos jogadores que estavam no acesso na temporada 2017/2018, além das chegadas de Ivan Cavaleiro, Anthony Knockaert, Harry Arter, Harrison Reed, Josh Onomah (envolvido na negociação de Sessegnon com os Spurs), Bobby Reid e Michael Hector.

Apesar de levar o Fulham à Premier League 2020/2021, o trabalho de Parker chegou a ser questionado durante a temporada. Principalmente quando o time tinha a chance de alcançar ou entrar na zona de acesso direto, mas acabava tropeçando.

Afinal, muitos consideravam o elenco do Fulham como um dos melhores da Championship, sendo um dos maiores favoritos a ficar com uma das duas vagas do acesso direto. Mas qualquer tipo de crítica acabou sucumbindo nos playoffs, tanto nas vitórias diante o Cardiff, quanto na final contra o Brentford.

Sem sombra de dúvidas, o grande favorito para ficar com a última vaga era o Brentford, que vivia um ótimo momento após a pausa devido à pandemia do novo coronavírus.

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Alex Pantling/Getty Images

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Mas, mesmo sem poder contar com o artilheiro Mitrović na sua melhor forma, a equipe jogou de igual para igual, conseguiu segurar o ímpeto dos conterrâneos londrinos, e com os dois inesperados gols do lateral Joe Bryan, garantiu o acesso.

Mesmo não sendo unanimidade, Parker teve seu trabalho reconhecido e renovou seu contrato por mais três temporadas. Sobre o futuro do Fulham na Premier League na temporada 2020/2021, o que se pode notar é que a diretoria parece ter aprendido com os erros cometidos anteriormente.

O diretor do clube, Tony Khan, informou, em entrevista ao The Times, que não fará loucuras financeiras. “Não vamos gastar 100 milhões novamente, não acho que precisamos. Os melhores jogadores que compramos ainda estão conosco.”

E já podemos ver essa mudança de mentalidade com as chegadas de Mario Lemina, Alphonse Areola e Antonee Robinson. Lemina e Areola chegam por empréstimo, tendo uma cláusula de opção de compra, enquanto Robinson, de 23 anos, assinou em definitivo. 

Parker disse em entrevista que o elenco não deve passar por uma nova reformulação. “Você não pode construir uma equipe com mudanças drásticas e mudanças drásticas de jogadores. É claro que precisaremos de reforços, estamos indo para a maior liga que existe e precisamos adicionar, mas com certeza nenhuma mudança drástica”.

E esse pensamento condiz com o trabalho que já foi realizado. Dos reforços que chegaram para a Championship, apenas Arter não fará parte do Fulham que disputará a Premier League em 2020/2021.

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Jordan Mansfield/Getty Images

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O técnico ainda contará com Jean Michaël Seri e Zambo Anguissa, dois dos reforços mais caros que chegaram na fatídica campanha do rebaixamento, e que retornam de seus empréstimos no Galatasaray e Villarreal, respectivamente.

Todo a agitação criada em torno da equipe para a disputa da Premier League em 2018/2019 criou uma falsa expectativa sobre qual seria o papel do clube na competição.

Dessa vez, vemos que as coisas estão sendo feitas com os pés no chão. Em vez de atirar para todos os lados e gastar uma fortuna em busca de resultado imediato, agora a equipe parece estar sendo construída primeiro para se manter na elite, para então nas próximas temporadas buscar alçar voos mais altos.

Informações gerais

  • Estádio: Craven Cottage;
  • Cidade: Londres;
  • Posição na última Championship: 3º lugar;
  • Títulos do Campeonato Inglês: zero;
  • Rivais: Chelsea e Queens Park Rangers;
  • Apelido: Cottagers.

Vai e Vem

VEM:

Anthony Knockaert (Brighton, £15m); Antonee Robinson (Wigan, £1.9m); Mario Lemina (Southampton, empréstimo); Harrison Reed (Southampton, £6m); Kenny Tete (Lyon, £3m); Alphonse Aréola (PSG, empréstimo)

VAI:

Magnus Norman (Carlisle United, free-agent); Cody Drameh (Leeds, não revelado); Marlon Fossey (Shrewsbury Town, empréstimo); Martell Taylor-Crossdale (Colchester United, empréstimo); Marcus Bettinelli (Middlesbrough, empréstimo); Steven Sessegnon (Bristol City, empréstimo); Alfie Mawson (Bristol City, empréstimo)

Jogador destaque – Aleksandar Mitrovic

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Arte: Daniela Oliveira

Em janeiro de 2018, Aleksandar Mitrović havia viajado para a Bélgica afim de acertar seu empréstimo junto ao Anderlecht, visto que ele estava em baixa no Newcastle, mas a negociação acabou não sendo concluída.

Foi então que o jogador viu em seu WhatsApp o nome de Slaviša Jokanović, então treinador do Fulham. Ele resolveu mandar uma mensagem para ele: “Oi, como você está?”. E assim se iniciou uma história de sucesso entre o clube e o jogador.

Em apenas seis meses, marcou 12 gols em 20 jogos, sendo peça crucial no acesso. Já na Premier League, o clube fez o que todos já esperavam e contratou o atacante em definitivo.
Apesar da campanha pífia realizada pelo Fulham na primeira divisão, foi novamente a grande referência no ataque, marcando 11 gols.

E quando muitos esperavam que o sérvio deixasse a equipe após o rebaixamento, teve seu contrato renovado. O sérvio acabou como artilheiro da Championship com 26 gols, sendo peça fundamental para o novo acesso.

Mitrović vai novamente carregar o peso de ser a referência no ataque do Fulham para a temporada 2020/2021. Certamente, os torcedores esperam por seus gols para que a equipe possa sobreviver na elite.

Fique de olho – Antonee Robinson

Antonee Robinson surgiu na base do Everton, passando por todas as categorias de base do clube de Goodison Park, mas não fazendo nenhum jogo pela equipe profissional.

Em 2017, a equipe do Bolton acabou o contratando por um período de seis meses, mas seu desempenho foi positivo e o atleta teve seu empréstimo prorrogado por toda a temporada.

Com boas atuações, acabou despertando o interesse do Wigan, que o contratou por empréstimo de uma temporada. Mas, novamente, voltou a impressionar e acabou sendo contratado em definitivo pelos Latics.

Seu desempenho seguia chamando a atenção e no último dia da janela de transferências de inverno de 2020, Robinson chegou a fazer exames médicos na equipe do Milan. Porém, nesses exames acabou sendo detectado uma irregularidade em seu ritmo cardíaco.

Com a necessidade de novos exames e sem o tempo hábil para concluir a transferência, acabou retornando para o Wigan, onde após consultas com especialistas, acabou passando por um procedimento médico para solucionar esse problema. Se tornou peça-chave na defesa, ajudando a equipe a alcançar uma sequência de dez jogos sem sofrer gols.

Com apenas 23 anos, gerou-se uma concorrência muito grande entre várias equipes da Premier League que gostariam de contar com o jogador. Mas o Fulham fechou o negócio pelo defensor. Apesar de ter nascido na Inglaterra, Robinson possui a cidadania americana e acabou optando por defender a seleção dos Estados Unidos, na qual já acumula sete convocações.

Time-base

Fulham 2020 2021 Premier League
Arte/André Correia

4-3-3: Areola; Odoi, Hector, Ream, Bryan; Anguissa, Reed, Cairney; Decordova-Reid, Mitrović, Knockaert. Técnico: Scott Parker.

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