Guia do Aston Villa na Premier League 2020/2021

O Villa escapou do rebaixamento na última rodada e precisa entregar mais nesta temporada

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Aston Villa
Divulgação/Aston Villa

Na Premier League 2019/2020, os Villans escaparam por pouco de um dos maiores vexames de sua história. Após três temporadas na segunda divisão, um novo rebaixamento, em meio a um investimento de quase 200 milhões de libras, representaria um verdadeiro e profundo desastre. Mas a salvação veio, enfim, e o enredo agora é outro. Não de decepção, mas de superação. Agora, para dar novos rumos à história em 2020/2021, o planejamento do Aston Villa sofreu mudanças significativas nos bastidores.

Dean Smith ainda tem muita moral com a torcida e a diretoria, e por isso, apesar de não ter conseguido fazer a equipe render o esperado, permanece como treinador, mas com caras novas ao seu redor.

John Terry, cotado para assumir o Bristol City, segue como auxiliar-técnico e agora terá a companhia do experiente Craig Shakespeare, assistente de Claudio Ranieri na vitoriosa campanha do Leicester, e, assim como Dean Smith, torcedor dos Villans.

Mas a novidade mais relevante é a substituição de Jesús García Pitarch ‘‘Suso’’, contestado diretor esportivo, por Johan Lange, de trabalho louvável no Copenhagen, conhecido por rejuvenescer elencos e recrutar talentos.

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Clive Mason/Getty

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Fazendo jus a seu histórico, Lange de imediato voltou seus olhos às categorias de base, alegadamente deixadas de lado por Suso. Figuras promissoras como Cameron Archer (19) e Louie Barry (17) receberão mais atenção, e podem pintar na equipe principal ao longo desta temporada. E assim a direção já buscou outros nomes interessantes para os próximos anos, como Caolan McBride (17), Sil Swinkels (16) e Ben Chrisene (16).

Já no mercado de transferências propriamente dito, a postura do clube também foi distinta daquela adotada na temporada anterior. Apesar do suporte financeiro de Wes Edens e Nassef Sawiris, os bilionários donos do clube, o investimento do Aston Villa em seu elenco principal foi mais modesto, limitado a grandes nomes em posições de carência da equipe.

Assim, chegaram ao Villa Park Matty Cash, do Nottingham Forest; Ollie Watkins, destaque do Brentford; Emiliano Martínez, ex Arsenal; Bertrand Traoré, vindo do Lyon; Ross Barkley, emprestado pelo Chelsea.

Além disso, o radar de transferências dos Villans, enfim, deixou de priorizar os mercados alternativos do futebol europeu, destacadamente as ligas turca e belga, para se concentrar na segunda divisão nacional, de onde vieram os já citados Cash e Watkins. E esse era mesmo o perfil de vários outros alvos do clube na janela: Said Benrahma (Brentford), Callum Wilson (ex-Bournemouth e agora no Newcastle) e John Swift (Reading).

No mais, em uma ótima janela, o Aston Villa ainda comemora a permanência de todos os seus titulares para a Premier League 2020/2021. A mais celebrada foi, claro, a de Jack Grealish, bastante especulado no Manchester United, que renovou com os Villans até 2025. Além do camisa 10, havia muito receio de que deixassem o Villa Park John McGinn, Tyrone Mings, e Douglas Luiz, este caso o Manchester City optasse por acionar a cláusula de recompra do brasileiro.

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Desse modo, a base foi preservada, mas nem por isso mantida intacta para a nova temporada. Assim, os amistosos contra Bristol, Wycombe Wanderers, Manchester United e Arsenal foram de extrema importância para experimentar variações e testar peças pouco aproveitadas.

No gol, por exemplo, após longo período sem jogar, Jed Steer retomou a condição de reserva – pelo menos até o retorno do lesionado Tom Heaton, em outubro – deixando para trás o irregular Orjan Nyland. Enquanto isso, a titularidade da posição fica, a princípio, com Emiliano Martínez, que brilhou na reta final da temporada e é tido como reforço de peso para o futuro do clube.

Seguindo na defesa, apesar de ter sido a segunda mais vazada do último campeonato, os nomes titulares agradam. A dupla Ezri Konsa e Tyrone Mings parece ter ganhado moral e confiança, em especial com a boa sequência de julho. Na lateral esquerda, Matt Targett vem de boas atuações, mas aqui a vulnerabilidade do elenco preocupa: o reserva imediato, Neil Taylor, revelou-se pouquíssimo confiável, sobretudo no aspecto defensivo.

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Catherine Ivill/Getty

Em contrapartida, a lateral direita, que já contava com Ahmed Elmohamdy e Frédéric Gulbert, ganhou a concorrência de Matty Cash (23). Em uma primeira vista desmedida, a contratação se justifica porque, além de ser uma aquisição a longo prazo, Dean Smith não tinha plena confiança na posição, tendo improvisado Konsa na reta final da temporada.

E, com características ofensivas – 11 gols e oito assistências nos últimas dois anos – Cash pode atuar como ala, trazendo versatilidade ao elenco. Aliás, ele pode jogar até no meio-campo, o qual, por sinal, segue sendo o setor mais completo da equipe. Isso porque, após muitos testes, Smith enfim encontrou um bom e equilibrado trio para o setor, uma combinação bem sucedida nos últimos jogos da temporada 2019/2020.

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Douglas Luiz, o destaque da equipe pós retomada; John McGinn, extraclasse e incontestável; Conor Hourihane, polivalente e decisivo na bola parada. Agora, a chegada de Ross Barkley agrega uma versatilidade ainda maior ao elenco, além de levar uma boa dor de cabeça ao comandante. O meio campista do Chelsea chega para ser titular, mas terá que se provar para fazer jus à vaga, visto que Hourihane tem correspondido.

De todo modo, Barkley é mais uma contratação acertada, à medida que o time ainda carecia de um reserva à altura para o setor. Marvelous Nakamba, apesar de ser boa opção, tem atributos mais defensivos, enquanto Henri Lansbury não parece ser a melhor opção. Há ainda o promissor Jacob Ramsey, que deve receber mais espaço na equipe principal, mas aos poucos, sem a pressão de ter que render de imediato.

Já no ataque, se Grealish domina o lado esquerdo, o direito ainda é uma incógnita. Destaque dos últimos jogos, Trézéguet não é unanimidade, enquanto Anwar El Ghazi se mostrou irregular. Por isso, Bertrand Traoré vem, em tese, para ser a solução da posição, após três anos no Lyon. Contudo, o jogador de 25 anos de discreta passagem pelo Chelsea vem de temporada irregular e não deixa de ser uma aposta.

Por outro lado, na referência, setor ainda mais crítico, de fato veio o reforço de peso que se esperava. E na figura de um atleta já conhecido de Dean Smith, dos tempos de Brentford. Artilheiro da Championship 2019/2020 com 26 gols e eleito o melhor jogador da liga, Ollie Watkins chega ao Villa Park para ser a peça que a equipe tanto sentiu falta na última temporada.

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Divulgação/Aston Villa

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Com Wesley Moraes lesionado, Mbwana Samatta e Keinan Davis não corresponderam: Davis não marcava há mais de um ano e Samatta desde a final da Copa da Liga. Em razão disso, o grande investimento em torno do inglês de 24 anos, agora contratação mais cara da história do clube, era tido como extremamente necessário.

Em síntese, o Aston Villa não é das maiores atrações em 2020/2021 e é colocado entre os principais candidatos contra o rebaixamento. Ainda assim, tem uma equipe que, pelo menos no papel, não deveria ser qualificada como umas das mais fracas da liga. Agora, resta aguardar se os comandados de Dean Smith demonstrarão mais organização nesta temporada, de provação a cada rodada, e se serão capazes de surpreender.

Ao mesmo tempo, o clube não deve perder de vista as copas nacionais, ótima oportunidade para abrilhantar uma temporada que não deve ser das mais memoráveis. Nesse sentido, destaque especial para a Copa da Liga, torneio mais curto, e justamente o ponto alto do Aston Villa em 2019/2020. E voltar à Wembley em 2021 já seria um feito enorme.

Informações gerais

  • Estádio: Villa Park;
  • Cidade: Birmingham (West Midlands);
  • Posição na última Premier League: 17º lugar;
  • Títulos do Campeonato Inglês: sete;
  • Rival: Birmingham City;
  • Apelidos: Villans e Lions.

Vai e Vem

VEM:

Ben Chrisene (Exeter City, não revelado); Matty Cash (Nottingham Forest, £16m); Ollie Watkins (Brentford, £28m); Emiliano Martínez (Arsenal, £20m); Bertrand Traoré (Lyon, £17m); Ross Barkley (Chelsea, empréstimo)

VAI:

Callum O'Hare (Coventry City, free-agent); Ross McCormack (dispensado); Jack Birch (dispensado); Anton Hooper (dispensado); Colin Odutayo (dispensado); Dimitri Sea (dispensado); Jamie Searle (dispensado); Matija Sarkic (Wolverhampton Wanderers, free-agent); Kelsey Mooney (Scunthorpe United, free-agent); James Chester (Stoke City, free-agent); James Bree (Luton Town, não revelado); Mbwana Samatta (Fenerbahçe, empréstimo)

Jogador destaque – Jack Grealish

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Arte: Daniela Oliveira

Se Jack Grealish iniciou a temporada 2019/2020 ainda cercado de certa desconfiança, através de ótimas atuações o camisa 10 foi capaz de superá-la, e hoje já é uma grande realidade. Jogador que mais sofreu faltas em uma mesma edição da Premier League (167), Grealish se colocou entre os grandes nomes da liga, a ponto de conseguir a tão aguardada convocação para a seleção inglesa.

Por isso, sua saída do Villa Park não seria uma surpresa, mas o Villa fez todos os esforços para manter seu capitão, ídolo do clube, e que agora tentará escrever mais um capítulo dessa já gloriosa história. Nascido em Birmingham e torcedor do clube, no qual chegou ainda criança, ele foi fundamental para o retorno à elite, além de herói da manutenção na primeira divisão, embora tenha caído de produção após o retorno do futebol.

Com dez gols e oito assistências, Grealish se tornou mais decisivo na última temporada, sobretudo entre outubro e janeiro, quando atuando mais próximo do gol adversário, aberto pela esquerda. Contudo, por vezes esteve isolado na equipe, tanto no sentido espacial quanto no aspecto técnico. Assim, a indagação que fica é se nesta Premier League a equipe estará à altura de seu capitão – e quanto mais ele ainda pode render com as cores do clube da segunda maior cidade do país.

Fique de olho – Jacob Ramsey

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Formado na base do Villa, Jacob Ramsey é tido como uma das maiores joias recentes do clube, mas é claro, ainda deve ser lapidado. De todo modo, ele é, ao lado de Indiana Vassilev, o principal candidato a reluzir entre os jovens talentos a curto prazo. Aliás, o meio-campista ofensivo nascido em Birmingham já segue os passos de Grealish, seu estrelado conterrâneo, de quem pode ser o futuro sucessor.

Após grande destaque na Premier League 2, com seis gols e cinco assistências em 12 partidas, passou o restante da temporada na League One, emprestado ao Doncaster Rovers, pelo qual marcou duas vezes logo em sua estreia. De volta ao Villa, também anotou dois gols na vitória por 3 a 2 sobre o Arsenal, na pré-temporada, quando escalado entre os titulares, já que Grealish, McGinn e Hourihane estavam com suas seleções nacionais.

Jacob Ramsey pode oferecer alternativas interessantes a Dean Smith, que não conta com nenhum jogador parecido no banco de reservas. Porém, com minutos pelo time principal dos Villans apenas nas copas nacionais, é difícil apostar que o jogador de 19 anos brilhe pela equipe já nesta temporada. Por outro lado, ele deve receber cada vez mais oportunidades e, aos poucos, conquistar um espaço importante no elenco.

Time-base

aston villa 2020 2021
Arte/André Correia

4-3-3: Heaton; Cash, Konsa, Mings, Targett; Douglas Luiz, Hourihane, McGinn;
Trezeguet, Grealish, Watkins. Técnico: Dean Smith.

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