Gianfranco Zola: a lenda do Chelsea que desfilou nos campos ingleses

De pupilo de Maradona a treinador de um rival, conheça a carreira do pequenino astro italiano dentro e fora do campo

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Gianfranco Zola: a lenda do Chelsea que desfilou nos campos ingleses
Ben Radford/Allsport

Não são muitos os jogadores que tem êxito na carreira recebendo como primeiro desafio a substituição de um ídolo no futebol de elite. Isso mostra um pouco de como Gianfranco Zola era um atleta especial.

O surgimento de Zola no futebol italiano

Contratado pelo Napoli em 1989, após transferência junto ao pequeno Torres, da região da Sardenha – sua terra natal – o baixinho chegou para ser o reserva imediato de ninguém mais, ninguém menos que Diego Maradona, ídolo máximo da equipe napolitana.

Mantendo estreita relação com o argentino, com quem diz ter aprendido tudo que sabe sobre futebol, Zola era apontado como seu sucessor pelo próprio Maradona. Ele teve que arcar com essa responsabilidade quando o camisa 10 foi suspenso do esporte por testar positivo para o uso de cocaína.

Após o doping de Maradona, Zola dividia bem o protagonismo com o centroavante Careca, mas a queda na obtenção de resultados em relação ao “período maradoniano” era inevitável e o clube partenopeo, após alguns anos, precisou negociar jogadores para equilibrar as complicadas finanças.

Em 1994, Zola chegou ao Parma, clube no qual se destacou, venceu uma Copa e uma Supercopa Europeia. Nesse mesmo ano, foi convocado para disputar a Copa do Mundo, mas amargou uma expulsão num jogo contra a Nigéria. O capítulo que marcou sua fraca carreira pela Azzurra.

Allsport/ALLSPORT

Rumo aos memoriais dos Blues

No ano de 1996, com a chegada de Carlo Ancelotti e a concorrência de Hernán Crespo e Stoichkov, Zola se transferiu do Parma para o Chelsea pelo valor de 4,5 milhões de libras. Ele foi a segunda contratação mais cara dos Blues à época.

Em seu primeiro ano, Magic Box – como ficou conhecido popularmente – conquistou a Copa da Inglaterra, torneio que os azuis de Londres não conquistavam havia 27 anos. Além disso, foi o vice-artilheiro geral do clube com 12 tentos e foi eleito pela Associação dos Jornalistas Esportivos (FWA) da Inglaterra como o melhor jogador da temporada, o primeiro e único a conquistar tal feito tendo chegado ao país no decorrer dos campeonatos.

O sucesso do italiano na Premier League foi um fenômeno, no mínimo, atípico. Tendo chegado à competição britânica aos 30 anos e sendo caracterizado por um físico franzino, o italiano de 1,68m usou seu exímio controle de bola, dribles curtos e inteligência para ignorar os prejuízos do seu biotipo.

Ben Radford/Allsport

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Nem um 10, nem um 9, Zola era um segundo atacante que participava muito na criação e finalização de jogadas. Ágil e veloz, era o principal protagonista dos contra-ataques dos azuis e um importante contribuinte para os gols de Mark Hughes e Gianluca Vialli. Além disso, o camisa 25 aliava ambidestria e qualidade nas bolas paradas na sua figura.

Zola continuou a ser importante nas temporadas seguintes, estando sempre entre os maiores goleadores do plantel e auxiliando o time a vencer títulos, como outra Copa da Inglaterra, Copa da Liga Inglesa, Supercopa da Uefa e Recopa Europeia. Ficou marcado nessa última conquista por ter feito o gol decisivo para o título saindo do banco, já que não foi titular devido uma lesão.

No entanto, a partir de sua quinta temporada – já aos 34 anos – Gianfranco viu seu rendimento cair concomitantemente ao crescimento de outros jogadores como Gudjohnsen, Hasselbaink, Poyet e Tore André Flo. Essas situações geraram uma queda em seus minutos em campo nos anos seguintes.

Ben Radford/Getty Images

Na temporada 2002/2003, sua última com a camisa dos azuis de Londres, Zola voltou a um bom nível. Foi o artilheiro geral do time com 16 gols, colaborou para a conquista da vaga na Champions League e saiu do clube pela porta da frente, sendo considerado à época o maior jogador da história do Chelsea.

Com o profissionalismo sendo sua característica marcante, Zola registrou 229 jogos, 80 gols e seis taças conquistadas em sete temporadas com a camisa azul.

O técnico Zola

Após se aposentar em 2005, com a camisa do Cagliari, Zola iniciou sua carreira fora das quatro linhas logo no ano seguinte. Ele se tornou assistente técnico de Pierluigi Casiraghi na Itália sub-21, eliminada nas quartas de finais das Olimpíadas de Pequim.

Ainda em 2008, o italiano da Sardenha aceitou proposta para treinar o West Ham, na elite do futebol inglês. Inicialmente os resultados foram bons, jogadores jovens foram desenvolvidos e o término da Premier League na nona colocação foi suficiente para que o Little Giant estendesse seu contrato e conquistasse a torcida dos Hammers, rival local dos Blues.

Apesar disso, o time não manteve as boas atuações em sua segunda temporada e encerrou o campeonato lutando contra o rebaixamento, na décima sétima colocação, o que culminou na demissão do ícone ex-Chelsea.

Daniel Berehulak/Getty Images

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Esse roteiro de queda de desempenho em temporadas seguidas se repetiu no Watford. Zola não conseguiu completar sua segunda temporada nos Hornets, sendo demitido no fim de 2013.

Depois disso, acumulou curtos insucessos em Cagliari, Al-Arabi e Birmingham City até chegar ao Chelsea em 2018 como assistente de Maurizio Sarri. Com a saída de Sarri e a chegada do ídolo Frank Lampard em 2019, Gianfranco recusou uma oferta para o cargo de embaixador. Assim, deixou o clube ao término de seu contrato, visando progredir na sua carreira como técnico.

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