Geovanni: ‘O Manchester City foi algo diferente’

Atacante passou por Manchester City e Hull City na Inglaterra

GEOVANNI

Revelado pelo Cruzeiro no fim dos anos 1990, Geovanni foi um dos brasileiros que deixou o seu legado na Premier League, tendo atuado por três temporadas com as camisas de Manchester City e Hull City.

O brasileiro bateu um papo exclusivo com a PL Brasil e revelou os bastidores da sua ida ao City, destacou a falta de sequência no time de Manchester, lembrou com carinho do Hull e muito mais.

A passagem de Geovanni pelo Manchester City

Foto: Jon Super

Os jogadores brasileiros sempre foram em sua maioria sinônimo de protagonismos e bons investimentos. E foi nisso que o Manchester City apostou, quando contratou Geovanni, um canarinho que já havia passado por clubes como Benfica e Barcelona. O meio-campista revela como foi essa negociação.

“Eu estava treinando no Portsmouth há mais de um mês. O treinador deles, o Redknapp, tinha me convidado. E aí chegou a proposta do Manchester City. Procurei meu empresário para definirmos logo a situação e fechar o acordo. Foi uma felicidade muito grande”.

Geovanni contou que teria jogado no Portsmouth caso o clube inglês tivesse formalizado uma proposta oficial. Na época, assim como o Manchester City, o Pompey jogava a Premier League.

O brasileiro assinou contrato com os Citizens até o fim da temporada. Na época, o Manchester City ainda estava engatilhando para virar um dos clubes mais competitivos anos depois.

E para se tornar um clube competitivo, precisava começar a vencer jogos “cascudos”. Um deles, contra o maior rival, o Manchester United. Os Citizens não venciam os Diabos Vermelhos há 18 anos.

E advinha quem foi o autor do gol que quebrou o tabu? O brasileiro Geovanni. Ele revelou a sensação de marcar em um clássico tão especial como esse.

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“Foi um dia inesquecível. Eu tenho certeza que a partir dali a história do Manchester City mudou. Os próprios torcedores acreditaram que poderiam ganhar do maior rival e finalmente soltaram o grito que estava engasgado há 18 anos. Foi muito gratificante.”

Mesmo marcando um gol decisivo contra o maior rival, o brasileiro foi perdendo espaço com o tempo. Ao fim da sua passagem pela equipe azul de Manchester, ele revela que poderia ajudar ainda mais o City naquela temporada.

“O jogador precisa de uma sequência. Eu comecei com seis jogos e três gols. Se eu tivesse sequência dali para frente, eu ia fazer no mínimo dez gols com a fase boa em que eu vivia. Isso poderia ajudar ainda mais o City no campeonato.”

Entretanto, mesmo com a falta de sequência, o meio-campista elogia Sven-Goran Eriksson, treinador do clube na época, e relata que a torcida pedia sua entrada durante os jogos.

“O que fica realmente são as boas lembranças. Agradecer ao Eriksson que me levou para lá e também a torcida, que sempre pedia para eu entrar. Isso foi o que me marcou no Manchester City.”

Foto: Getty Images
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Ao fim da temporada, Geovanni não teve seu contrato renovado. E por pouco ele não saiu antes. Em janeiro de 2008, o brasileiro recebeu duas propostas: uma do Paris Saint Germain, com seis meses de contrato com opção de mais um ano; e do Deportivo La Coruña, que ofereceu um e meio de contrato.

“Eu conversei com o Eriksson e pedi para ele me liberar. Mas aí ele falou que contava comigo para o restante da temporada. E aí por todo respeito e gratidão que eu tinha a ele, decidi permanecer, mesmo tendo poucas oportunidades.”

Geovanni encerrou seu ciclo com a camisa do Manchester City tendo feito apenas 23 jogos e marcado três gols. Mesmo atuando pouco, o brasileiro afirma que jogar no clube foi algo especial.

“Ao fim da temporada, eles não renovaram meu contrato. Mas eu fui feliz demais. A Inglaterra era o local que eu gostaria de ter ido. O Manchester City foi algo diferente. Eu não joguei, mas estava muito feliz.”

Ida para o Hull City

Foto: Getty Images

Após a sua passagem pelo City, Geovanni veio passar férias no Brasil. Durante esse período, recebeu a proposta do Hull City, clube que havia sido recém-promovido à Premier League.

“Eu tava sentindo que ia voltar para a Inglaterra. Eu estava dirigindo quando o meu empresário me ligou. Aí parei para atendê-lo. Ele ligou dizendo que o Hull queria me contratar. Eu aceitei na hora esse novo desafio. E se pudesse fazer a mesma coisa, faria de novo.”

E se para alguns o Hull é apenas um clube comum, Geovanni pensa diferente. O brasileiro revela a sensação de ter jogado pelo clube.

“O Hull foi fundamental para mim. A alegria e os momentos que eu passei ali foram espetaculares. A cidade também me acolheu com muito amor, carinho e respeito.”

Durante as duas temporadas em que atuou no Hull, o brasileiro foi protagonista do time e decisivo em jogos grandes, vide os gols contra Tottenham, Arsenal, United, City e Liverpool. Ele revela como a união daquele grupo era fundamental para essas marcas.

Foto: Getty Images

“Era um conjunto. Eu tive a felicidade de jogar no Hull ao lado de grandes jogadores. Pessoas compromissadas com o time. Nossa equipe era um time de amigos, de guerreiros. Agradeço a Deus e a eles que me incentivaram e me ajudaram muito nesse período”.

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Durante a primeira temporada no Hull, Geovanni conseguiu ajudar a equipe a permanecer na Premier League, marcando oito gols em 34 jogos pelos Tigers, um deles sendo o primeiro do clube após voltar à elite.

Ele renovou contrato na temporada seguinte, mas o Hull não conseguiu escapar e foi rebaixado, na vice-lanterna. Geovanni marcou três vezes em 26 jogos disputados.

Mesmo com o rebaixamento, Geovanni queria ter continuado no clube. O brasileiro afirma que reduziu até o seu salário para permanecer no Hull.

“Acabei saindo contra a minha vontade. Queria permanecer, e o treinador que chegou falou que contava comigo. Eles falavam que não tinham como pagar o meu salário. Disse a eles que reduzia em 50%, mas eles queriam 70%. Aí não deu. Mas eu guardo o Hull dentro do meu coração e sempre terei um carinho muito grande pelo clube.”

Ao fim do seu ciclo no Hull, também se encerrou a sua passagem pela Inglaterra. Foram três temporadas, dois clubes, 88 jogos e 16 gols. O brasileiro avalia este período da sua carreira.

“Foram três anos de muita felicidade e uma realização de um sonho – de jogar a Premier League. Foi muito legal a minha passagem na Inglaterra. E se eu pudesse, faria tudo de novo.”

Por fim, o brasileiro revela com qual o treinador da Premier League sempre quis trabalhar.

“É o Arsène Wenger. Um técnico que eu tenho uma admiração muito grande. Gostaria muito de ter sido jogador dele mas infelizmente não deu certo.”