Arteta tomou a decisão merecida com Martinelli, que caiu muito de produção nesta temporada

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O Arsenal vivia a pior fase dos últimos dois anos. Vinha de uma sequência de uma vitória e quatro derrotas em sete jogos, incluindo uma doida eliminação para o Liverpool na Copa da Inglaterra, em pleno Emirates Stadium.

Na Premier League, havia caído da primeira para a quarta colocação, já a 5 pontos do líder Liverpool. E o principal motivo foi a queda de rendimento do ataque. O time até criava oportunidades, mas não conseguia balançar as redes.

Nessas sete partidas, foram apenas cinco gols marcados. Na Inglaterra, cresceram os comentários de que o time precisava de um camisa 9, um matador. Arteta e seus comandados foram para Dubai, aproveitar a pausa de inverno para passar duas semanas treinando por lá.

E a solução, pelo menos momentânea, encontrada pelo treinador foi colocar Gabriel Martinelli no banco e promover a entrada do belga Leandro Trossard. E não dá para questionar a decisão do técnico espanhol.

Nessa temporada, o atacante brasileiro caiu muito de produção.

Antes do jogo deste sábado contra o Crystal Palace, tinha apenas quatro gols e uma assistência em 24 jogos. Números bem inferiores que os da temporada passada, quando fez 15 gols e deu seis assistências em 46 partidas. Ou seja, na atual a média era de uma participação direta em gol a cada 3,5 jogos. Na anterior, essa média foi de 2,1.

Martinelli sempre foi MUITO admirado pela torcida.

Não só pelos gols, mas pela postura em campo. Corre muito, volta para marcar, demonstra uma entrega fora do comum para um atacante. Até isso parecia ter diminuído um pouco. Talvez pela sequência insana de jogos, que deixa a grande maioria dos jogadores realmente exausta. Ou talvez ele precisasse de um “chacoalhão”, um incentivo para voltar à melhor forma.

Se esse incentivo fosse ir para o banco, parece ter dado certo.

Contra o Crystal Palace, entrou aos 24 minutos do segundo tempo. E pela primeira vez na temporada, fez dois gols em um jogo. Ambos no seu melhor estilo: arrancada pela esquerda, finalização precisa, colocada.

Claro, facilitou muito o fato de ter entrado com o placar já de 3 a 0 para o Arsenal. Jogo definindo, Crystal Palace entregue e com a defesa muito mais aberta do que no início da partida. Mas desde o primeiro segundo em campo, Martinelli mostrou o que o torcedor tanto gosta e admira.

Gabriel Martinelli em jogo do Arsenal. Foto – Icon sport

Aquele jogador incansável, que se movimenta o tempo todo, estava de volta. Aos 22 anos, é normal oscilar um pouco durante a temporada. Aliás, dá até para dizer que o anormal era um jogador tão jovem entregar tanto quanto ele entregou na temporada passada.

Martinelli ainda vai crescer muito no Arsenal.

E ele realmente precisa aperfeiçoar o seu jogo, principalmente no quesito finalização. Um atacante, mesmo que de lado de campo, tem que fazer mais gols. Os 15 da temporada passada foram bons, mas para se tornar um dos melhores do mundo, é necessário mais.

Por exemplo: o Vinicius Júnior, que não deixa de ser concorrente de Martinelli na vaga de titular no ataque da seleção brasileira, fez mais de 20 gols nas duas últimas temporadas. Dito isso, não me surpreenderei se o atacante brasileiro voltar a ser titular já na próxima partida.

Mesmo com Trossard tendo jogado bem, e feito um gol. Entendo a decisão de colocar Martinelli no banco nesse retorno da Premier League, mas é inegável que ele, na melhor forma, entrega mais que o jogador belga.

Renato Senise
Renato Senise

Renato Senise é correspondente em Londres desde 2016. São mais de cinco temporadas cobrindo Premier League e Champions League. No currículo, duas Copas do Mundo “in loco”, além de entrevistas com nomes como Pep Guardiola, José Mourinho, Juergen Klopp, Marcelo Bielsa, Neymar, Kevin De Bruyne e Harry Kane.