Nova era na WSL: futebol feminino quer ‘revolução’ e terá uma Premier League para chamar de sua

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Uma nova era se inicia no futebol inglês feminino. Administrados pela Associação de Futebol da Inglaterra (FA) desde a sua criação, em 2010, agora a primeira e a segunda divisão inglesas serão dirigidas por uma liga independente, em molde similar ao da Premier League no futebol masculino.

Todos os 24 clubes das duas divisões — a Women's Super League (WSL) e Women's Championship (WC) — concordaram, em unanimidade, pela criação de uma nova empresa para gerir o futebol profissional feminino a partir da temporada 2024/25.

A nova empresa, batizada de NewCo, terá como CEO Nikki Doucet, ex-diretora da Nike e investidora. Com o acordo com o site “The Athletic”, todos os times da WSL e da WC passarão a receber 75% das receitas combinadas das duas divisões. Além disso, os clubes terão poder de voto absoluto em assuntos comerciais e relacionados a direitos de transmissão.

O desejo de criar uma liga independente surgiu em julho de 2022, vindo da própria FA. No início de novembro, quase um ano e meio depois, os clubes votaram as primeiras propostas, mas não chegaram a um acordo sobre o poder de voto em certas questões relacionadas ao funcionamento da NewCo.

Segundo o “The Athletic”, naquele momento, 11 dos 12 clubes da WC rejeitaram o acordo inicial. Apenas o Charlton, atual líder do torneio, havia votado a favor.

Agora, na nova reunião, o acordo foi aprovado em unanimidade. A diretora de futebol feminino da FA, a Baronesa Sue Campbell, acredita que a mudança levará o futebol inglês feminino “a outro nível”.

— O futebol profissional feminino está no lugar mais forte de todos os tempos, graças ao trabalho árduo de todos os envolvidos em seu desenvolvimento até agora, mas acreditamos firmemente que a NewCo levará para outro nível. 

Vinai Venkatesham, CEO do Arsenal e presidente do Grupo de Trabalho de CEOs que liderou o desenvolvimento da proposta da NewCo, definiu a mudança como um “momento crucial” na história, não apenas do futebol inglês, mas da modalidade como um todo.

– Este é um momento crucial na história do futebol profissional feminino, pois procuramos trabalhar juntos para construir a competição de clubes de futebol feminino mais distinta, competitiva e divertida do mundo.

O que é a NewCo?

Apesar de a FA administrar a WSL desde a sua criação, a entidade não tinha o plano de seguir no comando do campeonato a partir de 2018, quando a primeira divisão se profissionalizou.

O plano de criar a NewCo foi encabeçado por Sue Campbell. Ela anunciou a fundação da empresa no meio de 2022, com o objetivo de tirá-la do papel em janeiro de 2023. Porém, o plano foi adiado para haver mais tempo de consulta às partes interessadas.

De acordo com o “The Athletic”, a empresa ainda não foi formalmente fundada. O nome NewCo também é provisório — “NewCo” é a abreviação, em inglês, de “nova empresa”.

Quem é Nikki Doucet?

A nova CEO da NewCo foi escolhida a partir de uma lista global de candidatos. Ela assumirá o cargo de efeito imediato. Conforme informado no próprio site da FA, Doucet possui mais de 20 anos de experiência nos setores esportivo e financeiro e tem um amplo conhecimento em gestão de negócios, área comercial, marketing e gestão de produtos.

Na Nike, atuou como Gerente Geral de Nike Women UK e Irlanda. Também adquiriu experiência no setor financeiro trabalhando no Citigroup Global Markets.

A função da CEO será gerenciar e supervisionar tudo relacionado à WSL e WC, incluindo a transição de ambas as ligas para o novo modelo na próxima temporada.

– É um grande privilégio ajudar a liderar a próxima fase desta jornada inspiradora, que foi iniciada pela FA através da paixão, do investimento e de um compromisso constante com a evolução do futebol feminino. Juntos, temos agora a oportunidade de ver um maior crescimento transformador em nossas ligas, maximizando as qualidades, valores e princípios únicos que vemos no futebol feminino, e mantendo as jogadoras e os torcedores no centro de tudo o que fazemos — relatou Nikki Doucet.

Maria Tereza Santos
Maria Tereza Santos

Me formei em Jornalismo pela PUC-SP em 2020. Antes de escrever para a PL Brasil, fui editora na ESPN e repórter na Veja Saúde, Folha de S.Paulo e Superesportes.