Como o Fluminense pode complicar para o Manchester City?

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Fluminense e Manchester City farão a aguardada final do Mundial de Clubes na próxima sexta-feira, com muita coisa em jogo.

Apesar do City ser tratado como amplo favorito, o clube inglês tem algumas semelhanças com o Fluminense, como o fato de ter vencido o principal título de seu continente e estar no Mundial de Clubes de forma inédita. Além disso, os dois contam com treinadores que são praticamente os protagonistas do possível duelo.

Ainda que trabalhem com tipos diferentes de jogo, Fernando Diniz e Pep Guardiola gostam de ter a bola, têm uma saída com qualidade (com raro chutão), e utilizam jogadores “fora de posição”, como é o caso de Felipe Melo (de volante foi para a zaga), Marcelo (de lateral para o meio de campo), Kyle Walker (de lateral para zagueiro) e Nathan Aké (de zagueiro para a lateral).

Fluminense ou Manchester City: quem vive melhor fase?

Outro fator que anima o time brasileiro é o fato da fase do Manchester City não ser das melhores. Os Citizens venceram apenas metade dos últimos 10 jogos e ocupa apenas a quarta posição na tabela de classificação da Premier League. Além disso, o time de Guardiola tem possíveis desfalques importantes, como Kevin De Bruyne e Erling Haaland. Jérémy Doku já é uma baixa certa. O Fluminense, por sua vez, vai para a decisão com força total.

Bernardo Silva disse que gostaria de enfrentar o Fluminense na final pela conexão entre Brasil e Portugal (seu país de origem) e pelo fato do futebol brasileiro ser especial. Mas será que o meia sabe das valências do time de Diniz?

Fluminense “cascudo”

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Marcelo e Felipe Melo na final da Libertadores, contra o Boca Juniors, no Maracanã (Foto: Icon Sport)

Apesar de ter vencido a Libertadores de forma inédita, o Fluminense conta com jogadores muito experientes:

  • Felipe Melo (40 anos) — 2 Campeonatos Brasileiros, 1 Copa do Brasil e 3 Libertadores
  • Fábio (43 anos) — 3 Campeonatos Brasileiros, 3 Copas do Brasil e 1 Libertadores
  • Keno (34 anos) — 2 Campeonatos Brasileiros, 1 Copa do Brasil e 1 Libertadores
  • Ganso (34 anos) — 1 Copa do Brasil e 2 Libertadores
  • Marcelo (35 anos) 6 Campeonatos Espanhois, 2 Copas do Rei, 5 Champions League e 4 Mundiais de Clubes

Pelo lado do Manchester City, Walker, Ederson, Rodri e Bernardo Silva são os jogadores mais experientes. Mas o lateral inglês venceu conquistou títulos apenas com os Citizens. O goleiro brasileiro e o meia-atacante português já conquistaram troféus em outros lugares, mas apenas ligas locais.

O volante espanhol, por sua vez, só tem a Liga das Nações sua seleção como diferencial. Julian Álvarez foi campeão mundial com a Argentina e campeão da Libertadores e do Campeonato Argentino com o River Plate, mas é um jogador de apenas 23 anos e que não é titular absoluto na equipe de Guardiola.

O Fluminense é a equipe com a maior média de idade campeã da Libertadores desde 1960 e de um torneio continental, incluindo Champions League (31,6 anos), desde 1956, enquanto o Manchester City tem jogadores muito jovens, como Rico Lewis (19 anos), Phil Foden (23 anos) e Josko Gvardiol (21 anos). A média de idade dos Citizens é apenas a 11ª mais velha da Premier League (25,9).

Tempo de preparação

O Fluminense está se preparando para o Mundial de Clubes desde a conquista do título da Libertadores, praticamente. Já o Manchester City está no meio da temporada, disputando Premier League e Champions League, fora a Copa da Liga Inglesa, a qual foi eliminado.

A fase turbulenta do clube inglês pode afetar os jogadores, já que tradicionalmente as equipes europeias encaram o torneio intercontinental como algo menos importante. A preocupação dos ingleses com seus compromissos na Inglaterra e na Europa podem interferir o psicológico do time, à medida que os brasileiros entrarão em campo com “fome” pelo título.

Guardiola x Fernando Diniz

Guardiola Fernando Diniz
Fotos: Icon Sport

Apesar de ambos terem equipes que apresentam um futebol vistoso, que acumulam passes e criem muitas chances de gol, Guardiola e Diniz pensam futebol de formas diferentes. O catalão gosta de ter vantagem a partir das posições ocupadas pelos jogadores.

Assim, a bola vai para cada zona do campo, tendo o espaço como grande referência. Já o brasileiro orienta seus jogadores a se posicionarem onde querem que a bola vá. Assim, é possível ver sete ou oito atletas no mesmo lado do campo.

Utilizar o estilo de jogo de Diniz contra o Manchester City pode ser um tanto quanto “kamikaze”, já que acumular jogadores em um setor do campo é dar espaço para o time de Guardiola ser fatal, principalmente se Erling Haaland estiver em campo. Mas, ao mesmo tempo, o técnico catalão não está acostumado com esse tipo de adversário. Ele mesmo não conhece o jogo “aposicional” do Fluminense. Portanto, ter jogadores pressionando em um só lugar no campo pode surpreender os ingleses.

Diniz, técnico do Fluminense e interino da Seleção. Foto – Icon sport

Além disso, o Fluminense conta com a fase mágica de John Kennedy, que, assim como foi na final da Libertadores, entrou em campo no segundo tempo contra o Al-Alhy e marcou o segundo gol da vitória do Tricolor Carioca. Jogadores novos e de velocidade, como ele, e Jhon Arias podem ser armas perigosas contra o Manchester City, que, sem Doku, contará com peças mais técnicas, como Jack Grealish e Bernardo Silva.

A pressão na saída de bola, a velocidade dos pontas, incluindo Keno, a pontaria de Germán Cano (que não esteve apurada contra o Al-Ahly), a experiência dos jogadores e a ousadia do “Dinizimo” são as principais armas do Fluminense para derrotar o Manchester City, que vive talvez sua fase mais frágil dos últimos anos.

O favoritismo para o time inglês é claro, se trata de um clube europeu multimilionário contra um sul-americano. O time de Guardiola seria favorito contra qualquer um da América do Sul, mas tem jogo.

Romulo Giacomin
Romulo Giacomin

Formado em Jornalismo na UFOP, passou por Mais Minas, Esporte News Mundo e Estado de Minas. Atualmente, escreve para a Premier League Brasil.