Há 10 anos, chegava ao fim a rápida passagem de Felipão no Chelsea

Relembre como foi a passagem de Scolari pelos Blues de Londres

felipão no chelsea
(Photo credit should read Leon Neal/AFP/Getty Images)

Em entrevista recente à Sky Sports, o inglês Ashley Cole teceu elogios à passagem de Felipão no Chelsea. Partindo de uma análise pessoal de seu próprio desempenho, o ex-lateral dos Blues afirmou que o técnico brasileiro o ajudou a melhorar o nível de seu jogo.

“Scolari chegou em um momento em que eu não estava jogando tão bem quanto poderia, e os torcedores concordavam comigo que eu não vinha sendo aquele Ashley Cole dos tempos do Arsenal”, disse.

“Ele veio e nos trouxe vida nova. Era como jogar pelo Brasil. Nós não tínhamos regras em termos de posicionamento, podíamos jogar como queríamos. O lateral esquerdo e o direito muitas vezes atacavam ao mesmo tempo. Era algo que nunca tinha acontecido na Premier League”.

Uma análise um pouco diferente do que foi visto na época. Após uma boa passagem pela seleção portuguesa, tendo como resultados mais expressivos a final da Eurocopa de 2004 e semifinal da Copa do Mundo de 2006, o início de Felipão no Chelsea começou em 1º de julho de 2008.

Um técnico campeão do mundo e já com experiência na Europa era a aposta de Abramovich para fazer aquele Chelsea subir de vez de patamar. Logo na estreia, uma atuação para marcar território e deixar torcida, imprensa e diretoria empolgados: Chelsea 4 x 0 Portsmouth. Empolgação essa que não durou muito tempo.

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Mesmo tendo iniciado bem o trabalho à frente do Chelsea, ajudando o clube a atingir a marca de 11 vitórias seguidas fora de casa e quebrando um recorde até então do Tottenham dos anos 60, o desempenho de seu time nos clássicos e grandes jogos eram muito criticados na terra da rainha.

De forma geral, os números nem foram tão ruins: 20 vitórias, 10 empates e 6 derrotas em 36 jogos, resultando em um aproveitamento de 65%. Entretanto, dentre as derrotas ocorridas, estavam Liverpool (duas vezes), Arsenal e Manchester United, além de um 3 a 1 sofrido frente à Roma na Liga dos Campeões.

Foto: Getty Images

A passagem de “Big Phil” pela Inglaterra durou exatos 7 meses e 8 dias. O empate por 0 a 0 com o Hull City em pleno Stamford Bridge foi a gota d’água para os dirigentes dos Blues. No dia 9 de fevereiro de 2009, o Chelsea anunciou a demissão do técnico brasileiro.

Mas não foram apenas os maus resultados que culminaram na saída de Felipão do Chelsea. Problemas de relacionamento com os chamados “reis” contribuíram, e muito, para o desgaste de Scolari no clube.

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Os problemas começaram logo na formação de sua comissão técnica. A pedido de Felipão, o Chelsea contratou o preparador de goleiros brasileiro Carlos Pracidelli. A decisão não agradou nem um pouco o francês Christophe Lollichon, até então preparador principal.

Lollichon havia sido contratado por indicação de Petr Cech. Os dois trabalharam juntos anteriormente no Rennes, da França. Após a saída do francês, Cech começou a questionar a metodologia de treinamentos da equipe de Scolari.

Apesar de sempre ter negado publicamente, Michael Ballack era outro jogador que não morria de amores por Felipão. Com a chegada de Deco à equipe londrina, o alemão perdeu a posição de titular.

Scolari, que já havia trabalhado com Deco na seleção portuguesa, gostava mais do estilo de jogo do luso-brasileiro ao de Ballack. Além disso, a proximidade do meia alemão com Abramovich não agradava ao técnico brasileiro.

Foto: Reuters

Ainda assim, talvez o maior problema de relacionamento que Felipão enfrentou no Chelsea tenha sido com o ex-atacante Didier Drogba, um dos maiores da história do clube.

Por conta de uma lesão no joelho, Drogba passou grande parte daquela temporada jogando à base de infiltrações. Felipão, então, passou a escalar Anelka com mais frequência.

Dentro de campo, o resultado dessa escolha agradou ao técnico brasileiro. Anelka acabaria sendo o artilheiro do Chelsea durante a passagem de Scolari por lá.

O sucesso do francês juntamente com o descontentamento de Drogba com a comissão técnica foram ingredientes que faltavam para Felipão tentar pôr em prática uma troca grande para o futebol da época: Drogba por Adriano Imperador.

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Mesmo com a empolgação inicial de todos, a troca acabou não acontecendo. Isso só piorou a relação do técnico brasileiro com o marfinense.

Aliás, em sua biografia, Didier Drogba revelou que chegou a ouvir de Scolari para procurar um novo clube e que nunca mais jogaria pelo Chelsea.

“Quando deixei a reunião com Scolari, a primeira coisa que eu fiz foi ligar para Abramovich e explicar a situação”, relata o centroavante.

Ainda de acordo com o marfinense, a resposta do russo foi: “Não, você não vai para lugar nenhum. Quem está dizendo que você vai sair?”. Coincidência ou não, pouco menos de um mês depois, Scolari foi demitido do comando do Chelsea.

Foto: Hamish Blair/Getty Images

Após 10 anos do fim da passagem de Felipão pelo Chelsea, muitos ainda questionam se o resultado poderia ter sido diferente caso os problemas com os “reis” não tivessem acontecido.

Verdade é que após a saída do clube londrino, Scolari não trabalhou mais na Europa. Acumulou passagens por clubes brasileiros e ainda se aventurou em ligas como a do Uzbequistão e China.