Fara Williams, a dona das bolas paradas do Reading

A meio-campista é peça fundamental do Reading na temporada 2019/20 da WSL

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Fara Williams, a dona das bolas paradas do Reading
Catherine Ivill/Getty Images Sport

A WSL, sigla para Women’s Super League, o campeonato de futebol feminino na Inglaterra, vem crescendo ano a ano. Nesse texto, a PL Brasil analisará a meia Fara Williams, que, com 36 anos, se destaca com a camisa do Reading.

WSL e suas disputas

Grande parte das históricas míticas da Inglaterra possuem como palco o período da Idade Média, reconhecido pelos enormes castelos e seus senhores e senhoras. Os mais poderosos eram aqueles que possuíam uma quantidade considerável de terras abastadas, mas nunca estavam satisfeitos com elas. A fome os levavam à guerra em busca de novos tesouros.

A atual temporada da Women’s Super League pode ser comparada à uma batalha campal em solo britânico pela disputa da coroa. O título daria mais poder e riquezas para a equipe que vencer, sendo esse esquadrão também marcado nos livros de história que contaram sobre o Campeonato Inglês.

Arsenal, Chelsea e Manchester City são as bandeiras que digladiam com maior intensidade por esse triunfo. Porém, há times que correm por fora por um lugar ao sol. Qualquer lugar próximo à corte lhes seria suficiente para no próximo ano pensar em alvos mais desafiadores.

O Reading é um desses que tem objetivos diferente dos líderes, mas que buscam bons resultados em campo. E se o clube se encontra em uma situação confortável nessa temporada, muito disso se deve a Fara Williams. A meio-campista das Royals é a dona das bolas paradas, sendo uma líder para o esquadrão.

Com 36 anos, Williams começou a temporada sendo uma das estrelas da equipe. Isso acontece desde setembro de 2017, quando a veterana foi contratada para dar um novo peso ao clube.

O Reading é uma das forças do futebol feminino inglês. Mas, com o crescimento de outras equipes, sua potência vem sendo equiparada. A camisa 4 é a comandante, o elo mais forte, que distancia o time dos adversários.

Alex Burstow/Getty Images Sport

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A dona dos gols do Reading

Como uma verdadeira senhora feudal, Fara Williams é dona de muitas posses e isso inclui o tesouro mais importante do futebol: o gol. No Reading, a meio-campista é responsável direta por 55,6% dos tentos bem sucedidos na WSL. O time obteve 18 gols nesta temporada e em 10 deles a meia atuou como autora ou assistente.

Fara Williams anotou quatro tentos e deu seis assistências na WSL, números importantes e que, em algumas oportunidades, garantiram a vitória para as Royals. Como no gol contra o Liverpool na abertura do campeonato e no hat-trick de assistências na batalha contra o Everton que terminou em 3 a 2.

A importância da veterana cresce ainda mais quando analisada suas participações indiretas em gols. Williams esteve envolvida em cinco lances que acabaram com as redes sendo balançadas pelo Reading. Somando esses momentos da jogadora às suas dez contribuições diretas, é possível ver que ela esteve presente em 15 dos 18 gols da equipe na Womens’s Super League.

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A dona das bolas paradas

O título de dona das bolas paradas não é para ser ignorado pelas adversárias do Reading. As faltas e escanteios são a maior arma da equipe na competição e muito disso se passa pela qualidade técnica de Fara Williams nessas jogadas. Das 15 vezes em que esteve envolvida de alguma forma nos gols das Royals, em 12 delas foram utilizados esses artifícios – contando também os pênaltis.

Não que a veterana inglesa não tenha outros atributos, pelo contrário, mas foram de momentos com a bola parada que o time tem sido mais letal. Fica claro quando voltamos ao jogo contra o Everton, em que 100% dos gols das Royals foram construídos com esse artifício.

Outro evento que ficou marcado e que também demonstra a qualidade de Williams aconteceu na partida contra o Brighton, na 8ª rodada da WSL. No primeiro tento marcado pela equipe, a jogadora cobrou um escanteio fechado que acabou em gol olímpico. O duelo terminou em 2 a 2, com o Reading empatando aos 95 minutos graças à uma sequência de cobranças de escanteio de Fara.

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A dependência de Fara Williams

Contar com essa estratégia tem oferecido resultados positivos ao Reading, mas a dependência em Fara Williams também possui um lado obscuro. A inglesa tem 36 anos e apesar de sua ótima forma física, fica claro em determinados momentos da partida em que ela se encontra desgastada. Passa a correr menos em campo e se coloca no centro do ataque, quase como falso 9.

Além de toda a responsabilidade nas bolas paradas, Fara Williams fica encarregada da armação da equipe. Atualmente o Reading joga no sistema 4-3-1-2, com a meio-campista centralizada e muitas vezes avançando como uma centroavante. Fara possui poucas responsabilidades defensivas, estando sempre avançada e isso faz com que, basicamente, todas as jogadas passem pelo seu pé.

Por mais essa dependência, a equipe sofre com a pouca variedade nos avanços ofensivos. Na Continental Cup, quando Fara esteve menos presente em campo, o time até soube lidar com sua falta. Porém, fica visível nas partidas da WSL que essa centralização de poder muitas vezes é o ponto de desequilíbrio que leva as Royals para a derrota.

Somente três gol não dependerem de Fara na Women’s Super League é algo para ser levado em consideração. Afinal, o que seria do Reading sem sua nobre capitã? Difícil imaginar um enredo feliz para a equipe, que talvez estivesse passando pela idade das trevas agora. Mas, para a felicidade da torcida a dona das bolas paradas parece que ainda não irá encerrar seu reinado em solo inglês.

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Dean Mouhtaropoulos/Getty Images Sport

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