FA planeja diminuir número de jogadores não-europeus na Inglaterra

O presidente da Football Association (FA), Greg Dyke, apresentou na segunda-feira (23) as propostas da entidade para limitar o número de jogadores não-europeus (mais precisamente, não pertencentes à União Europeia) no futebol inglês.

As propostas foram concebidas a partir de uma comissão, criada em 2013 pela FA para sugerir medidas para melhorar a seleção inglesa principal. Entre os membros da comissão, além de dirigentes e membros sindicais, estão o ex-jogador Danny Mills e os treinadores Glenn Hoddle e Howard Wilkinson.

A FA também pretende aumentar a cota de jogadores “home-grown” nos clubes e apontou falhas no atual sistema de emissão de visto de trabalho, uma forma de justificar a reformulação no processo que passará a valer a partir de 01 de maio. As principais propostas da comissão são:

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    Um jogador precisará estar registrado em seu clube a partir dos 15 anos – até os 18 – para ser caracterizado como um jogador

Aumentar, em quatro anos a partir de 2016, de oito para 12 a cota de jogadores home-grown no elenco principal (composto de 25 jogadores) de cada clube;

Ao menos dois jogadores home-grown precisarão também ser jogadores club-trained, caracterizado como um jogador, independente da nacionalidade, que está há três anos registrado no clube a partir dos 15 anos;

Apenas os melhores jogadores não-europeus obterão a permissão para jogar por clubes ingleses.

Em entrevista à BBC Sport, Dyke explicou a lógica por trás das propostas da comissão pelo grande momento vivido pelo atacante Harry Kane, artilheiro da Premier League 2014/15 com 19 gols e que estreou como titular pelo Tottenham Hotspur apenas em abril de 2014.

“Nós temos que fazer isso [aplicar as propostas] por meio de negociações com diferentes ligas e com os clubes – nós precisamos convencê-los de que isto faz sentido para o futebol inglês”, disse Dyke ao editor da BBC Sport, Dan Roan.

“E nós fomos ajudados por Harry Kane, na verdade – fomos ajudados por um jovem jogador que entrou no time do Tottenham e se tornou o artilheiro do campeonato. Quantos Harry Kanes estão por aí nos times de bases dos clubes da Premier League? Foi quase por acaso que Tim Sherwood se tornou técnico do Tottenham por um tempo e colocou ele no time – caso contrário, ele ainda estaria emprestado ao Millwall ou em outro lugar”.

Com relação aos jogadores estrangeiros, Dyke afirmou que a intenção de endurecer as normas não vai afastar os “de talento excepcional” da Premier League. A comissão alega, no entanto, que o espaço que poderia ser ocupado pelos jovens hoje está preenchido por muitos jogadores estrangeiros de qualidade “questionável”.

“Algo em torno de 95% dos pedidos de visto de trabalho são aprovados. Baseados em que?”, disse Danny Mills, membro da comissão formada pela FA. “Nós queremos os melhores jogadores. Mas nós estamos começando a trazer jogadores estrangeiros na Championship [segunda divisão] e na League Two [quarta divisão]. Isso reduz o número de jogadores ingleses que podem subir dentro do sistema”.

Atualmente, para obter o visto de trabalho, o jogador contratado precisa ter participado de pelo menos 75% das partidas de sua seleção nacional nos últimos dois anos. Com as mudanças aprovadas e válidas a partir de 01 de maio, a porcentagem de participação nos jogos da seleção, nos últimos dois anos, vai variar de acordo com o posicionamento do país no ranking da FIFA:

  • 1º ao 10º no Ranking: 30% de participação;
  • 11º ao 20º no Ranking: 45% de participação;
  • 21º ao 30º no Ranking: 60% de participação;
  • 31º ao 50º no Ranking: 75% de participação.

“Harry Kane é adorado. Os fãs sempre vão ter uma afinidade com o rapaz local ou jogadores ingleses. Ele preenche a lacuna entre o astro e o torcedor, entre o excepcional e o normal. É muito importante que esses vínculos existam”, completou Mills.