Exclusivo: Bruno Guimarães negou o Liverpool e não quer sair do Newcastle

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Bruno Guimarães é um dos protagonistas da janela de transferências de janeiro. O meio-campista brasileiro do Newcastle foi apontado como alvo de clubes do tamanho de Liverpool, PSG e Barcelona — tudo isso em meio a uma situação delicada dos Magpies, que foram eliminados da Champions e sofrem para cumprir com as regras do fair play financeiro.

A última história, publicado pelo jornal catalão “Sport”, afirma que Guimarães quer deixar o Newcastle “o quanto antes porque se sente decepcionado pela competitividade do projeto”, financiado pelo governo da Arábia Saudita. O brasileiro renovou seu contrato em outubro de 2023 com uma multa rescisória no valor de 100 milhões de libras (R$ 625 milhões).

‘O único objetivo é ganhar títulos com o Newcastle'

Apesar das sondagens e boatos, a PL Brasil apurou com uma fonte ligada ao jogador que Bruno Guimarães não quer sair do Newcastle. Ele, inclusive, é a parte que mais advoga a favor da própria permanência no clube do nordeste inglês.

“O Bruno ama o Newcastle, ama a cidade e quer continuar lá”, garante uma fonte ouvida pela reportagem.

O brasileiro, que está há dois anos na Inglaterra, se sente feliz e adaptado ao clube e a cidade. Recentemente, ele até comprou um imóvel novo na região.

Liverpool? Não, obrigado.

Na última janela de transferências, o Liverpool esteve determinado a reforçar o meio-campo com peças de valor. Entrou, por exemplo, na briga milionária por Moisés Caicedo, que preferiu o Chelsea.

A PL Brasil apurou que, neste cenário, o Liverpool também procurou o Newcastle atrás de um negócio por Guimarães. No entanto, o próprio jogador se adiantou e negou ele mesmo a investida na época, antes mesmo de diretoria dos Toons responder ao time de Jürgen Klopp.

O único objetivo de Bruno é ganhar títulos com o Newcastle“, adicionou a fonte à reportagem.

A apuração bate com o sentimento público do brasileiro. Em entrevista concedida ao “ge”, em julho de 2023, Bruno revelou que ir para o Newcastle foi “a melhor decisão da sua vida” e até exaltou o projeto inglês em relação a outros clubes endinheirados da Europa.

Já sou um ídolo da torcida, é legal demais. Até meu pai já é famoso para caramba lá (risos). Em uma temporada e meia, chegamos na Champions, e a tendência é melhorar. É um processo que não é para ser como o PSG de sair contratando os melhores. Os caras pensam no futuro — disse na época.

Ele chegou por 42,10 milhões de euros do Lyon, em janeiro de 2022, sendo a primeira grande contratação da nova fase do Newcastle. O camisa 39 assumiu protagonismo imediato do clube e foi um dos responsáveis pela classificação à Champions na primeira temporada completa.

Bruno Guimarães pelo Newcastle

  • 87 jogos
  • 11 gols
  • 10 assistências
  • Vice-campeão da Carabao Cup 2022/23
  • 3º lugar na Premier League 2022/23

Por que, então, a multa rescisória ‘baixa' no contrato de Bruno Guimarães?

Outro fator que facilitaria a saída de Bruno é a multa rescisória que o jogador colocou no seu contrato renovado, em outubro último. Isso também chama a atenção de interessados.

O brasileiro estendeu seu vínculo com o Newcastle até junho de 2028, mas com uma cláusula de rescisão de 100 milhões de libras. Valor, apesar de bastante alto, acessível quando comparado aos números envolvidos nas transferências de Declan Rice, Moises Caicedo e Jude Bellingham na última janela. Todos mudaram de clube por valor parecido.

Desta forma, Bruno poderia sair para qualquer clube que fizer uma proposta nesse valor. À época, inclusive, torcedores do Newcastle mostraram apreensão com a quantia estabelecida, temendo uma saída iminente do brasileiro.

A PL Brasil apurou que esta inserção da multa como parte da renovação de contrato partiu de uma iniciativa dos agentes do jogador, e não foi um pedido do próprio Bruno (apesar, é claro, dele ter concordado).

Esse tipo de estratégia é comum para que o staff do atleta tenha algum poder de decisão numa eventual negociação, uma vez que o clube fica impedido de recusar todas as ofertas.

Mas o fair play financeiro não pode obrigar uma venda?

A situação financeira dos Magpies de fato é preocupante. O clube relatou uma perda de quase 150 milhões de libras nos últimos dois anos — o máximo permitido pelas regras de rentabilidade e sustentabilidade (PSR) da Premier League é 105 milhões de libras em três anos.

O déficit indica que o Newcastle pode ter que vender algum dos seus protagonistas em breve, ainda mais depois de não passar da primeira fase da Liga dos Campeões. Mas o entorno de Bruno Guimarães entende que nenhum grande negócio acontecerá na janela de janeiro.

Para nós, janeiro não é uma boa janela para fazer negócios. Isso não significa que não faremos negócios, como aconteceu com Anthony Gordon no ano passado, mas é difícil fazer algo de grande porte — corroborou na última semana o CEO do clube, Darren Eales.

Em vista do que pensa o clube, o jogador e seu staff, é bastante improvável que Bruno Guimarães saia até o fim deste mês.

Bruno Guimarães e Joelinton em Sunderland x Newcastle (Foto: Icon Sport)

A situação pode mudar na próxima janela?

A impossibilidade de Bruno sair em janeiro não significa que ele não possa trocar de clube na próxima janela de transferências, no meio do ano — conhecida pela ocorrência de negócios maiores e mais relevantes.

No entanto, não há nada em vista para o brasileiro. O que a PL Brasil ouviu foi que ele só deixaria o time do norte da Inglaterra caso alguém pague a multa e o Newcastle aceite a liberação por motivos financeiros. Da parte dele, não deve acontecer nenhuma pressão.

O que pode pesar — financeiramente — para o Newcastle é ter que dar um passo atrás no projeto em 2024/25. Isso porque, depois de ter ficado na lanterna do seu grupo na Champions, o clube só pode voltar à maior competição europeia através da Premier League.

Atualmente, o time de Eddie Howe é apenas o 10º colocado, 11 pontos atrás do G-4.

Sem grandes competições e com déficit financeiro, os sauditas podem se ver obrigados a vender destaques como Bruno. A liga já mostrou que está disposta a punir clubes que não seguem as regras fiscais, como aconteceu com o Everton.

Diogo Magri
Diogo Magri

Jornalista formado pela ECA-USP, campineiro e repórter na PL Brasil. Passagens por EL PAÍS, Revista Veja e Futebol Globo CBN.

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