PL Brasil entrevista Fred Caldeira, do Esporte Interativo

Correspondente do Esporte Interativo na Inglaterra, Fred Caldeira conversou com a PL Brasil

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fred caldeira

Com a responsabilidade de ser o correspondente do Esporte Interativo na Inglaterra, há alguns anos, o repórter Fred Caldeira deixou o calor do Rio de Janeiro para a quase sempre gélida e chuvosa Manchester.

Se o pequeno Fred torcia para o estelar Manchester United com Ryan Giggs, Paul Scholes e companhia e assistia aos jogos do time pela televisão, hoje ele se realiza acompanhando de perto o campeonato e os ídolos que antes só via na TV fechada.

PL Brasil entrevista Fred Caldeira, do Esporte Interativo

PL Brasil – Antes de tudo, como tem sido, no geral, essa experiência para você cobrindo os clubes ingleses há algumas temporadas como correspondente do Esporte Interativo na Inglaterra?

Fred Caldeira: A experiência é fantástica! É viver os sonhos que eu tinha não só como repórter, mas os que vêm desde que comecei a acompanhar o futebol europeu e, especialmente, o inglês.

É também uma grande responsabilidade, até porque muita gente que acompanha o meu trabalho conhece bem mais do que eu. Tento compensar procurando diferentes maneiras de contar boas histórias.

PL Brasil – Como é a sua rotina diária aí? Vida de correspondente – sendo repórter, câmera e editor – não deve ser fácil.

Fred Caldeira: Rapaz, minha coluna já deve ter uns sessenta anos (risos). É bem complicado, não sou da turma que acredita que esse seja o ‘futuro da profissão'.

Quem faz de tudo, não faz nada muito bem. Por diversas vezes eu tive que fazer entrevistas e entradas ao vivo resolvendo questões técnicas até o último segundo – o que, naturalmente, prejudica o conteúdo. Ao mesmo tempo, cria-se uma certa independência: você é o dono de boa parte da linha de produção.

PL Brasil – Imagino que você tenha acompanhado muito o futebol europeu na infância e adolescência. Qual a sensação de estar cobrindo os campeonatos que você via anos atrás?

Fred Caldeira: Pois é! Eu torcia bastante para aquele Manchester United de Scholes, Giggs, Beckham, Van Nistelrooy etc. O sentimento amenizou-se com o tempo, mas sempre mantive o carinho, então é difícil descrever o que senti quando entrei no Old Trafford pela primeira vez.

Foi a realização palpável de um sonho. Guardo na memória também outras experiências especiais: You'll Never Walk Alone em Anfield, estar na mesma sala que Guardiola, Mourinho, presenciar o hino da Liga dos Campeões…talvez esse seja o grande combustível do trabalho aqui: realizar meus sonhos e a extensão dos que pertencem a quem se identifica com o que faço.

PL Brasil – Vimos que você e o João Castelo Branco, correspondente da ESPN Brasil, são amigos. Como vocês se conheceram? Ele te ajudou muito na adaptação?

Fred Caldeira: Cara, na primeira vez que tomei uns pints (equivalente a mais ou menos meio litro de cerveja) com o João, falei para ele: “Te assistia quando mais novo!”. Eu acompanhava bastante a ESPN Brasil e, já com a vontade de um dia ser repórter esportivo, tinha nele uma das minhas inspirações.

Então é legal demais conhecê-lo, dividir a rotina ao longo da temporada e confirmar que é um cara incrível.

PL Brasil – Em Manchester, você recebe um tratamento diferente de City e United? Sabemos que os clubes europeus são mais fechados que os brasileiros.

Fred Caldeira: Há diferenças, sim. O Manchester City é um clube mais aberto à imprensa do que o United e penso que isso se deve principalmente ao impacto mundial do dois clubes: o Manchester United é um dos mais populares do planeta e gera uma mídia espontânea absurda. Mas também é um clube que ainda tenta chegar ao século XXI. A relação com a imprensa parou no tempo.

O City já tem um pensamento mais moderno e arrojado, até porque precisa crescer a marca. De qualquer forma, é um choque sair do Brasil, onde os clubes geralmente abrem treinos e entrevistas diariamente, para a rotina daqui. Fico até emocionado quando temos 15 minutos de um treino aberto.

PL Brasil – Qual foi a sua melhor entrevista? E qual foi a pior?

Fred Caldeira: Olha, não foi uma entrevista propriamente ruim, mas uma situação constrangedora: quartas-de-final da Liga dos Campeões da temporada passada, Leicester x Atlético de Madrid. Vejo o ex-goleiro Peter Schmeichel e corro (com tripé, microfone, cabo, tudo) para tentar entrevistá-lo só que…chamei ele de Kasper.

Tava confuso com a correria, os equipamentos e acabei deixando ele um pouco chateado, mas, pelo menos, a entrevista aconteceu. E a melhor eu vou eleger por realização pessoal, não por qualidade: entrevistar o Van Nistelrooy. Foi em zona mista, um papo curto e rápido mas que me marcou.

PL Brasil – Houve alguma história curiosa e/ou engraçada nesse seu período aí?

Fred Caldeira: Tem várias! Uma vez eu cheguei a Leicester de trem, deixei todo o meu equipamento na plataforma e reparei que havia esquecido o casaco no assento. Voltei rapidamente, recuperei a jaqueta e…o trem saiu. Eu dentro, minhas malas fora – parecia cena de filme. Tive que ir até Londres e voltar mas, no fim, deu tudo certo.

Outra vez eu quase fui preso na Rússia por não ter o visto correto: estava gravando na frente do Kremlin (lugar super tranquilo, claro), os policiais chegaram e eu fui salvo pelo Fábio Aleixo, repórter da Folha, que desenrolou em russo com os simpáticos rapazes.

Detalhe: havia conhecido o Fábio totalmente por acaso dez minutos antes. Praticamente um milagre.

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