Em boa fase na Turquia, Léo Duarte mira título do Campeonato Turco: “É o principal objetivo”

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O zagueiro Léo Duarte foi o mais recém convidado do quadro “Brasileiros pela Europa”. Assim, em entrevista a PL Brasil, o defensor contou um pouco sobre sua trajetória, desde a ascensão no Desportivo Brasil para o Flamengo, até essa nova fase vestindo as cores do Istanbul Basaksehir.

Em boa fase na Turquia, Léo Duarte mira título do Campeonato Turco: "É o principal objetivo"
Foto: Reprodução

A princípio, Léo falou sobre como está sendo morar na Turquia, uma realidade diferente do Brasil. Além disso, explicou sobre a adaptação ao país junto da família.

“Aqui é bem tranquilo, estou em uma cidade grande. É um país conservador, sem tanta violência quando comparamos ao Brasil. Então, minha família está adaptada, estou bem feliz aqui.”

Em seguida, o brasileiro revelou sobre como foi os seus primeiros passos na carreira, e algumas dificuldades enfrentadas.

“Aos 13 anos fui para o Desportivo Brasil, longe de casa. Já cheguei a ficar meses sem ver a família. Sobre o clube, O alojamento e a estrutura eram muito bons, mas a saudade era grande.”

Assim, aos 26 anos, Léo Duarte é um admirador de Juan, ídolo do Flamengo. Logo, o agora ex-jogador foi uma motivação para ele seguir a carreira na posição.

“Sempre fui fã do Juan, desde pequeno. Fico feliz de depois poder ter jogado com ele no Flamengo. O comportamento dele em campo, me chamava atenção, aprendi muito com ele, tanto como jogador quanto como pessoa. Foi uma motivação para virar zagueiro.”

Desse modo, Léo Duarte deu os seus primeiros passos nas categorias de base do Desportivo Brasil. Clube localizado no Estado de São Paulo, que tem como método de trabalho, revelar jovens para o futebol brasileiro.

“O Desportivo Brasil é um clube-empresa, né? Então, o foco era esse de revelar jogadores. Por lá, fui campeão paulista Sub-15 e Sub-17, jogávamos muitos campeonatos fora do país, então além de mim, vieram Matheus Sávio, Gustavo Scarpa e Lucas Evangelista. O Desportivo dá a oportunidade e o tempo do atleta se desenvolver e isso é primordial no começo da carreira.”

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Foto: Reprodução

Em suma, após se destacar pelo time paulista, o zagueiro acabou despertando o interesse do Flamengo. Logo, no Rubro-Negro ele completou a sua formação na base, sendo campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior (2016), principal torneio da categoria. 

“Eu nunca cheguei a enfrentar o Flamengo na base. Mas, após 4 anos em bom nível no Desportivo Brasil, surgiu o interesse do Flamengo em mim. No começo fiquei surpreso, por se tratar de um clube gigante do Brasil. Mas Deus bem abençoou, fui privilegiado. Quem me levou foi o Noval, então é uma pessoa que eu sou muito grato.”

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Foto: Arquivo Pessoal

Pouco tempo depois de conquistar a Copinha, Léo acabou sendo promovido para a equipe profissional ao lado de outros garotos. No time principal, ele pôde realizar o sonho de trabalhar com Juan. 

“Logo após o título da Copinha, o Muricy estava procurando um zagueiro, então ele me viu e gostou muito de mim. Esse primeiro contato com o profissional é difícil, mesmo subindo com um grupo da base, alguns fundamentos do jogo mudam, contato, força, velocidade, experiência e etc. Então, o Juan conversava muito comigo, me aconselhava, falava para não segurar tanto a bola. Isso é bom, vai te guiando nessa transição e me ajudou muito.”

Dessa forma, o zagueiro atuou no time profissional do Flamengo por três anos. Ao todo, foram 92 jogos e dois gols marcados com a camisa do Mengão. Decerto, o momento mais especial para ele foi estrear no Brasileirão.

“Sem dúvidas, é a minha estreia pelo Brasileirão (jogo especial). Eu já tinha estreado no profissional contra o Bangu no Carioca, mas pouco tempo depois, o Wallace acabou sendo negociado, e então o Muricy me chamou, conversamos, e ele me deu essa oportunidade. Joguei ao lado do Juan, contra o Sport, em Volta Redonda, e acabamos vencendo.”

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Foto: Imago Images

Entretanto, em agosto de 2019, o jogador acabou sendo negociado com o Milan, por 10.6 milhões de euros. Porém, algumas lesões atrapalharam o seu rendimento no gigante italiano.

“O meu início foi complicado. Logo no começo tive uma lesão no calcanhar que diziam ser uma inflamação, mas depois se confirmou se tratar de uma fratura. Fiquei fora por cinco meses, e quando estava voltando, acabei contraindo o Covid-19, que me afastou por mais três meses. Quando retorno, volto bem, treinando com os titulares, mas aí comecei a ter outros problemas relacionados ao Covid-19. Minha cabeça ficou um pouco ruim, afetou a confiança. Foi aprendizado.”

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Foto: Reprodução/Mercado do Futebol

Antes de deixar a Gávea, o brasileiro pôde trabalhar com o técnico português, Jorge Jesus. E para ele, o Mister é um dos melhores com quem trabalhou. Ainda elogiou outros nomes, como Dorival Júnior e o treinador atual do Istanbul.

“Defensivamente aprendi muito com o Jorge Jesus, mesmo que tenha sido por pouco tempo. Outro nome é o Dorival Júnior, gosto muito, tem a mesma linha de trabalho do Jorge. E o meu atual, Emre Belözoglu, ele cobra bastante dos zagueiros, então me agrada muito.” 

Em Milão, Léo reencontrou um velho conhecido de Flamengo, o meia Lucas Paquetá que havia se transferido para o Milan há pouco tempo.

“Eu tenho o Paquetá como se fosse um irmão. Me ajudou muito, subimos da base juntos, jogamos e fomos campeões da Copinha. Quando eu chego na Itália, é ele quem me dá um apoio, então fico muito feliz pelo momento dele.”

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Foto: Milan AC

Além do meia da Seleção Brasileira, Léo Duarte comentou também sobre a oportunidade de treinar e jogar ao lado de Zlatan Ibrahimovic, ídolo Rossonero.

“Ele é um líder. Impõe respeito, treina como um ‘animal’, trabalha muito, é muito dedicado. Os mais novos se espelham nele, e ele ensina bastante também.”

Buscando ter mais tempo em campo, para conseguir retomar o bom nível de atuações, Léo decidiu aceitar o convite para atuar na Turquia. Por lá, chegou em um primeiro momento por empréstimo.

“Foi um negócio muito rápido. Eu estava um tempo sem jogar no Milan e quando apareceu a oportunidade,  aceitei a proposta. O clube era o atual campeão turco, e o que chamou a minha atenção foi a estrutura e a organização do time. A princípio vim por empréstimo, e depois de 1 ano e meio, entramos em consenso, acabei permanecendo em definitivo, o time é bom, as ideias do técnico são boas, modernas.”

Em boa fase na Turquia, Léo Duarte mira título do Campeonato Turco: "É o principal objetivo"
Foto: İstanbul Başakşehir

Desde que chegou a equipe, o zagueiro ganhou a confiança do técnico e da diretoria. Todavia, essa rápida adaptação gerou também elogios de boa parte da imprensa turca ao jogador.

A minha adaptação foi fundamental neste processo. Tive dificuldade na Itália, já aqui por me lembrar o Brasil, consegui me desenvolver melhor em campo.”

Fundado em 1990, o Istanbul Basaksehir passou por algumas transformações. Dentre elas, o nome que segue sendo o atual desde 2014. Sendo assim, por ser um clube jovem, ainda não possui uma numerosa torcida, igual aos rivais locais.

A nossa torcida ainda é pequena, porque o clube é recente. Em sua maioria são jovens, os mais velhos torcem para os outros três clubes, né? Galatasaray, Besiktas e Fenerbahçe. Por enquanto, ainda não lota o estádio, o Istambul é como se fosse o 2º clube do pessoal, sabe?”

Além do futebol, o defensor contou sobre as principais diferenças que ele percebeu do povo brasileiro para o turco e italiano.

“O povo turco possui algumas semelhanças com os brasileiros, são mais abertos, mais alegres. Mas ainda assim existem algumas regras, por se tratar de uma população de religião muçulmana. Mesmo assim, é um país muito bom. na Itália, o pessoal é mais fechado, é diferente. Já no futebol, o daqui se assemelha ao brasileiro, é de força física e rápido, jogo de transição. Na Itália é mais técnico e de força. Mas aqui também é muito disputado.”

Por outro lado, Léo Duarte não é o único brasileiro no elenco do Istanbul Basaksehir. Assim, o time conta ainda com o lateral-esquerdo, Lucas Lima, e o lateral-direito, Júnior Caiçara.

“O Caiçara está há mais tempo, então ele entende mais o país. Os gringos sempre estão juntos, são culturas parecidas, é um grupo unido, o que faz muita diferença na hora do jogo.”

Devido ao grande número de jogadores brasileiros na Turquia, é comum que nas folgas, os atletas se reúnam para fazer confraternizações, e matar um pouco a saudade de casa.

“Existe esse contato (com os outros brasileiros). Recentemente, estive com o Willian Arão, trabalhamos juntos no Flamengo, gosto muito. É bom se reunir e fazer um churrasco.”

Em quase dois anos na Turquia, o camisa 5 falou sobre a experiência de jogar contra os principais clubes do país. Chegando a citar o estádio e a torcida que mais o impressionaram.

“Jogar na casa do Trabzonspor não é fácil, é o atual campeão. A torcida deles é gigante, quando começa as vaias dá impressão que seu ouvido vai estourar, e me impressionou muito. Decerto, enfrentar os grandes é diferente, torcida em cima, adrenalina sobe, a cobrança também, é uma experiência muito legal.”

Em boa fase na Turquia, Léo Duarte mira título do Campeonato Turco: "É o principal objetivo"
Foto: Reprodução

Vivendo boa fase dentro dos gramados, o brasileiro disse que prefere aproveitar a família quando está em casa.

“Eu gosto de curtir os meus filhos. Prefiro ficar em casa, minha esposa até briga um pouco por isso (risos). Tento ser um bom exemplo para a minha família.”

Por fim, Léo Duarte contou sobre as suas expectativas para a temporada, tendo foco principalmente na conquista do Campeonato Turco. Vale mencionar, que o Istanbul também está na fase de grupos da Conference League.

as minhas expectativas são de conseguir manter o meu bom desempenho, temos um ótimo grupo, começamos bem, todos no clube buscam ganhar, sem dúvidas. O principal objetivo é ganhar a Liga Turca.

Na liga europeia queremos fazer bons jogos, conseguir o máximo de pontos possíveis, estamos preparados. Temos potencial para surpreender, e gostamos de propor o jogo em campo. E neste caminho até a fase de grupos, os times que mais dificultaram nossa vida foi o Maccabi Netanya (ISR) e o Royal Antwerp (BEL).”

Cristian Moraes
Cristian Moraes

Estudante de jornalismo que sonha em trabalhar nos maiores eventos esportivos do mundo. E, assim, ser referência na área. Meu principal objetivo é ser correspondente internacional em Londres. Sou fascinado por futebol, e como o esporte tem influência na sociedade e no mundo. Não me limito apenas a assistir, gosto de consumir em sua totalidade, estudando e entendendo regras, conceitos, histórias e tudo que envolve o mundo das quatro linhas. No entanto, gosto de acompanhar outras modalidades, como: Basquete, Surf, Futebol Americano, Hóquei, Tênis, dentre tantas outras. Junto a isso, tenho o amor pela leitura e a escrita como minhas aliadas na hora de passar para os meus textos, todas as sensações e emoções que estou sentindo, ao lado de informações relevantes com apuração precisa. Seja bem-vindo (a)!