Lições para o Brasil? Edu Gaspar explica o que está por trás do sucesso do Arsenal feminino

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O Arsenal acaba de se sagrar bicampeão da Copa da Liga inglesa feminina. O time de Jonas Eidevall venceu o Chelsea de Emma Hayes, Lauren James e companhia por 1 a 0, na prorrogação, neste domingo (31 de março) e levantou a taça do torneio pelo segundo ano seguido — e contra o mesmo adversário.

Além dos títulos, o Arsenal tem colhido bons frutos nos últimos anos com o crescimento da Women's Super League (WSL), a Premier League feminina. As Gunners têm o segundo maior número de taças da liga nacional (são tricampeãs) e foram semifinalistas da Women's Champions League na temporada passada.

O coordenador técnico do Arsenal Edu Gaspar, em entrevista concedida ao canal “Desimpedidos” no YouTube, também falou sobre o trabalho feito no time feminino e contou o que explica o sucesso das Gunners.

Edu Gaspar explica sucesso do Arsenal feminino

Atuando na administração do Arsenal desde 2019, Edu Gaspar também está envolvido no trabalho da equipe feminina. Na entrevista, o dirigente conta que se reúne semanalmente com Eidevall e com o departamento que cuida apenas da modalidade, sob o comando da diretora Clare Wheatley. Segundo o brasileiro, o time feminino é “cobrado da mesma forma que o masculino”.

Para Gaspar, os Gunners têm feito um trabalho diferenciado na modalidade, o que faz da torcida do Arsenal “uma das maiores consumidoras de futebol feminino”. O diretor destaca as marcas de público que o clube tem conquistado. A equipe bateu o recorde de público da WSL em 17 de fevereiro, levando 60.160 pessoas ao Emirates Stadium para assistir a vitória de 3 a 1 sobre o Manchester United.

— O Arsenal é hoje, disparado, um dos maiores consumidores de futebol feminino. Se você pega nossos jogos no Emirates, estamos lotando o estádio igual ao time masculino. Lotando literalmente. Vendemos 60 mil ingressos por jogo. Vamos jogar com o Manchester United semana que vem, está praticamente esgotado.

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E o que está por trás desse sucesso? Gaspar explica que é uma combinação de fatores para demonstrar o profissionalismo com o qual tratam a modalidade. Mas um dos principais motivos foi o investimento em jogadoras renomadas.

— Nós começamos a contratar jogadoras que estão no Manchester United, jogadoras que vieram do Barcelona, jogadoras que vieram de outros grandes clubes para realmente fortalecer e começar a dar o resultado esportivo que a gente espera. A gente cobra da mesma forma (que o masculino).

Para além disso, o dirigente acredita a forma com a qual o clube se comunica com torcida, imprensa e patrocinadores sobre o que é feito no departamento contribui para as pessoas se engajarem.

— É a forma como tratamos o futebol feminino. A forma de comunicação que fazemos com o clube, os investimentos que estamos fazendo. Tudo isso vai chamando atenção, engajando as outras pessoas e a gente está indo pro caminho que a gente espera. Tem bastante coisa para fazer obviamente, como em todo lugar, mas nós estamos colocando muita energia no futebol feminino.

— A gente está dando a ênfase, o suporte para que elas possam se desenvolver cada vez, mostrando cada vez mais melhores jogos, melhores performances, acaba atraindo cada vez mais gente. Você começa a investir realmente, o que chama também a atenção do torcedor, da imprensa, patrocínio. Aí, você começa a criar um ambiente propício para que possa continuar crescendo da forma que ela estão crescendo.

Maria Tereza Santos
Maria Tereza Santos

Me formei em Jornalismo pela PUC-SP em 2020. Antes de escrever para a PL Brasil, fui editora na ESPN e repórter na Veja Saúde, Folha de S.Paulo e Superesportes.