Wolverhampton tenta superar tabu de ingleses na temporada 2019/20

Depois de um excelente sétimo lugar em 2018/19, Wolves lutam contra o calendário e as estatísticas para conseguirem outro feito

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Nuno Espírito Santo (Dez, 2018)-min
(Crédito Marc Atkins Getty Images)

O Wolverhampton foi a grande sensação da Premier League na temporada 2018/19. Recém-promovido da segunda divisão, o time fez uma campanha espetacular e chegou em sétimo, com 57 pontos – a apenas nove do sexto, Manchester United.

Assim, o time de West Midlands classificou-se para a sua primeira competição internacional desde a Copa da Uefa de 1980-81. Muita festa e empolgação da torcida, elogios da imprensa e a expectativa de voos mais altos. Mas a realidade não será tão fácil.

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Por entrar na segunda rodada preliminar da Europa League, os Wolves iniciaram sua jornada internacional em 25 de julho, 17 dias antes da própria Premier League 2019/20 começar. Até o início da Premier League, três partidas de mata-mata já haviam sido disputadas.

Isso porque, para chegar à fase de grupos da UEL, quem está na segunda preliminar tem que passar por três eliminatórias. Os Wolves, que alcançaram o playoff final, já terão jogado, ao fim de agosto, o dobro de jogos na Europa League em relação à Premier League – seis contra três.

A fase de grupos continental, com seis jogos, começa em 19 de setembro e vai até 12 de dezembro. Desta forma, em caso de classificação aos grupos da UEL, o Wolverhampton terá três competições até dezembro (Premier League, Copa da Liga Inglesa e Europa League).

Isso sem contar que, além da maratona de Boxing Day da Premier League na virada do ano, os times da elite entram Copa da Inglaterra na primeira semana de janeiro de 2020.

O calendário se apresenta muito pesado para os Wolves na temporada. Com ambições grandes, o time de Nuno Espírito Santo almeja chegar longe na competição europeia e, com isso, terá longas e difíceis sequências pela frente.

Assim, repetir o feito de 2018/19 e fazer uma campanha tão boa na Premier League será um desafio ainda maior em 2019/20. E as estatísticas históricas comprovam claramente isso.

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Nesta década, contabilizando as nove edições da PL de 2010/11 até a última, por onze vezes um time fora do atual Big 6 (Manchester City, Manchester United, Chelsea, Arsenal, Tottenham e Liverpool) e que chegou no top-10 da temporada em questão conseguiu uma vaga europeia.

E os números não são nada bons: dos onze, apenas dois melhoraram suas pontuações na época seguinte – aproveitamento de 18,1%. E mesmo quando as superaram, ambos os casos foram por apenas três pontos.

O primeiro deles foi o do Fulham, vice-campeão da Europa League em 2010, que fez 49 pontos na Premier League de 2010/11 e foi o oitavo, garantindo a volta à UEL. No ano seguinte fez 52 pontos na liga, mas caiu uma posição e não levou a vaga europeia.

O segundo é o do Southampton: em 2014/15, com 60 pontos, foi o sétimo e classificou-se para a Europa League. No ano seguinte, 63 pontos e um sexto lugar, com mais uma ida à competição continental.

As evoluções param aí. Nos outros nove casos da década, todos os que chegaram no top-10 e ganharam vagas europeias tiveram desempenho pior na Premier League seguinte.

O maior e mais emblemático caso, obviamente, é do o Leicester City. Em 2015/16, os Foxes de Claudio Ranieri e comandados por Jamie Vardy e Riyad Mahrez conseguiram o inacreditável título da PL com 81 pontos. Obviamente, a épica campanha colocou o time na Champions League.

Na temporada seguinte, tiveram grande jornada continental e chegaram às quartas da UCL. Mas na PL, o feito anterior foi tão excepcional que a queda não tardaria a acontecer: marcaram 44 pontos (37 a menos que no título), em 12º.

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A segunda maior discrepância vem do Everton. Em 2013/14, uma excelente campanha colocou os Toffees com 72 pontos, no quinto lugar da PL e com vaga na Europa League. Com muitas expectativas, porém, a temporada 2014/15 foi um desastre: 47 pontos e o 11º lugar.

O primeiro time fora do Big 6 a ficar entre os dez primeiros da liga e alcançar vaga europeia nesta década foi o Aston Villa. Em 2009/10, foram 64 pontos e o sexto lugar na PL – vaga na Europa League. Em 2010/11, campanha mediana e longe do sucesso anterior, com 48 pontos e um nono lugar.

Dois anos depois, foi a vez do Newcastle. Os Magpies fizeram uma Premier League espetacular em 2011/12, com 65 pontos e o quinto lugar – a quatro do top-4. No ano seguinte, disputando a Europa League, 41 pontos e o 16º lugar, a apenas cinco da zona de rebaixamento.

Em 2012/13, o Swansea City fez um campeonato mediano e foi o nono, com 46 pontos – tendo como destaque o atacante espanhol Michu, com 18 gols. Mas por vencer a Copa da Liga, primeiro grande troféu de sua história, foi para a Europa League em 2013/14. Desta vez, na Premier League, 42 pontos e um 12º lugar.

Avançando mais no tempo, voltamos ao Southampton, mas de forma negativa. Como citado acima, o Soton de 2015/16 melhorou a campanha em relação ao ano anterior, chegando à segunda UEL seguida.

Mas em 2016/17, a coisa não se repetiu. Com a saída de Ronald Koeman do comando e a perda de vários jogadores, incluindo Sadio Mané para o Liverpool, os Saints fizeram 17 pontos a menos na liga (63 a 46). Ao menos mantiveram a média e terminaram o campeonato no oitavo lugar.

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Roteiro quase igual viveu o West Ham: classificado para a Europa League após uma ótima PL em 2015/16, fez 17 pontos a menos na temporada seguinte. A campanha de 62 pontos que colocou o time na UEL em 2016 foi na última temporada do Boleny Ground, com jogadores como Dimitri Payet e Andy Carroll em grande fase.

O time de Slaven Bilic iniciava ali a troca para o Estádio Olímpico em Londres e vinha com grandes expectativas. A nova temporada, porém, foi bastante esquecível: de 62 para 45 pontos, os Hammers despencaram do sétimo para o 11º lugar.

Em 2016/17, de novo o Everton ficou perto de furar a barreira do Big 6 e chegou em sétimo, classificando-se à Europa League.

Só que assim como três anos antes, fez uma Premier League seguinte bem abaixo. Com nomes como Romelu Lukaku, Gareth Barry e Ross Barkley vendidos e o técnico Ronald Koeman demitido em outubro, os Toffees fizeram 49 pontos – oitavo lugar.

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Logo acima deles em 2017/18, apareceu o Burnley. A grande surpresa da temporada retrasada fez 54 pontos e chegava à primeira jornada europeia em 52 anos. Mas todos sabiam que a campanha era irreal e os Clarets jamais chegariam perto dela novamente.

No ano seguinte, a prova: com 40 pontos, o time de Sean Dyche passou muito longe de voltar à UEL e brigou contra o rebaixamento praticamente até o fim, se salvando com a 15ª colocação.

Dos onze citados, sete chegaram ao menos à fase de grupos europeia. Já Aston Villa em 2010-11, Southampton em 2015-16, West Ham em 2016-17 e Burnley em 2018-19 (todos na Europa League) foram eliminados na última fase dos playoffs qualificatórios.

Dos sete que foram aos grupos, três caíram sem chegar ao mata-mata: Fulham de 2011-12, Southampton de 2016-17 e Everton de 2017-18, novamente todos na UEL.

Apenas quatro chegaram à fase eliminatória. O Swansea na Europa League de 2013-14 ficou nos 16-avos de final, e o Everton na mesma UEL um ano depois caiu nas oitavas. Os dois que chegaram mais longe foram o Newcastle na UEL de 2012-13 e o Leicester na Champions League de 2016-17: ambos foram até as quartas de final.

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Tudo isso prova um fato: com elencos mais limitados em relação aos times maiores e jogando mata-matas preliminares que começam bem antes da PL, os clubes de fora do Big 6 precisam suar muito para repetirem as ótimas campanhas na liga nacional.

Com uma pré-temporada menor, menos tempo de férias e um grande esforço precoce com jogos eliminatórios, o desgaste aumenta e pesa diretamente na campanha durante a temporada, mesmo sem chegar à fase de grupos continental.

Pensando nisso, os Wolves correram e foram ativos na janela de transferências. Quatro nomes chegaram para reforçar o time: o zagueiro Jesús Vallejo, por empréstimo do Real Madrid, o meio-campista Bruno Jordão e o atacante Pedro Neto, ambos do Braga, e o também atacante Patrick Cutrone, do Milan.

Wolverhampton 2019
A contratação do atacante Patrick Cutrone demandou um investimento de mais de 16 milhões de libras (Divulgação/Wolverhampton)

Além disso, o meio-campista Leander Dendoncker e o atacante Raúl Jimenez, que estavam jogando no Molineux Stadium por empréstimo na temporada passada, foram comprados em definitivo.

E mais importante ainda foi manter a espinha dorsal do time de Nuno Espírito Santo. Apesar de alguns rumores de transferências, nomes como Rui Patrício, Willy Boly, Matt Doherty, João Moutinho, Rúben Neves e Diogo Jota seguem no elenco.

Sem dúvidas, depois do sucesso em 2018/19, o Wolverhampton é um dos times que chega com mais expectativas para a nova temporada. Basta saber se o trabalho sólido e as adições ao elenco irão superar o desgaste de muitas competições e as estatísticas históricas para repetir (ou superar) o feito passado.