Derby County 4×1 Real Madrid: uma noite mágica em Derby

Rams derrotaram o maior campeão da Champions League

Derby County 4×1 Real Madrid: uma noite mágica em Derby
Football - 1975 / 1976 European Cup - Second Round, First Leg: Derby County 4 Real Madrid 1 Derby's Francis Lee, left, and Real's Jose Antonio Camacho at the Baseball Ground. 22/10/1975

Na noite de 22 de outubro de 1975, mais de 34 mil torcedores do Derby County agigantaram-se no modesto Baseball Ground. Naquela noite, os Rams iriam massacrar os visitantes. Quem eram os rivais a serem batidos? Ninguém menos que o Real Madrid.

Em 1975, o Real Madrid já era detentor de seis taças da Copa dos Campeões. E era nessa competição (hoje conhecida como Champions League) que o Derby County iria enfrentá-los.

Contudo, é bom ressaltar que o status do atualmente modesto Derby County era muito diferente. Os Rams eram os atuais campeões da 1ª Divisão Inglesa, e poucos anos antes já haviam conquistado o mesmo campeonato.

Leia mais: “We’re on the booze”: a cultura da bebida no futebol inglês

De fato, o Derby County era um time competitivo no começo dos anos 1970. O suficiente para figurar com frequência nas principais competições internacionais europeias.

Em partida valendo como jogo de ida da segunda rodada (uma espécie de oitavas de final) o Real Madrid apresentou-se na Inglaterra. Todavia, havia 10 anos que o clube espanhol não levantava aquela taça.

E não demorou para que os Rams tomassem a dianteira. Pressionando desde o primeiro minuto, o meia Archie Gemmil cruzou na direção da grande área. O veloz atacante Charlie George mandou para o fundo das redes após desvencilhar-se da defesa.

Charlie George abre o placar no Baseball Ground. (Foto: Goal.com)

A defesa do Real Madrid parecia estar em outro ritmo. Os zagueiros e laterais mal conseguiam acompanhar a velocidade dos atacantes ingleses. Talvez fossem os gritos apaixonados dos torcedores. Talvez fosse a avidez por exprimir ao mundo que Davi ainda poderia vencer Golias.

O fato é que Francis Lee, movimentando seu corpanzil para lá e para cá, deixou a defesa madrilenha para trás. Camacho não viu outra opção e derrubou o atacante dentro da área. Pênalti. A torcida local gritou efusivamente.

Francis Lee é perseguido por Camacho logo antes da penalidade máxima ser marcada. (Créditos na imagem)

Coube ao autor do primeiro gol a oportunidade de converter a penalidade. E Charlie George não hesitou ao mandar um petardo na gaveta direita do goleiro Miguel Ángel. Eram 15 minutos no relógio do árbitro russo Anatoliy Ivanov, e 2 a 0 para os ingleses.

Dez minutos depois, o espanhol Amancio cruzou de três dedos para seu conterrâneo Pirri diminuir para os hexacampeões. Um belo gol, com o atacante servindo ao meio campista, que saiu detrás dos defensores e mandou no contrapé do goleiro inglês. 2 a 1.

Leia mais: Quando Tottenham e Wolverhampton protagonizaram uma final europeia

Parecia que o Real Madrid começava a virar a maré que ameaçava afundar seu navio. Mas Poseidon ainda não havia terminado com os espanhóis. Partindo da meia esquerda, David Nish arrematou com força de fora da área. Os defensores esperavam uma defesa tranquila de seu goleiro.

Contudo, a pelota inesperadamente quicou logo antes das mãos (e das expectativas) de Miguel Ángel. Logo, passou por baixo dos braços curvados do “guarda-redes”. Incrédulo, o arqueiro apenas assistiu à comemoração entusiasmada do defensor inglês, que acabara de ampliar o placar logo antes do intervalo.

Após o recesso, o técnico madrilenho Miljan Miljanic mudou o esquema tático e a sua equipe começou a ficar mais organizada e ofensiva. Enquanto isso, o manager do Derbyy, Dave Mackay, fez duas mudanças.

E aos 79 minutos de jogo Kevin Hector foi derrubado pelo meio campista alemão Netzer, provocando mais um pênalti. Novamente, Charlie George foi convocado à marca de cal. E pela terceira vez ele balançou as redes espanholas.

Esse foi o ponto final da história de uma noite de pesadelo para os espanhóis e de sonhos inimagináveis para os ingleses. O Real Madrid saiu de campo desolado, envergonhado perante a humilhante derrota.

Já o Derby County ergueu-se ululante e triunfante. A prova de que o futebol é jogado por 11 seres humanos dentro de quatro linhas. Cozido no calor da partida e temperado com o entusiasmo da torcida. E também de que Davi ainda pode, e sempre poderá, vencer Golias.

O atacante Charlie George estufa as redes pela terceira vez na partida.

 

Siga a PL Brasil no Youtube

PL Brasil Responde #03 – Qual foi o maior camisa 7 da história do Manchester United?