Dennis Bergkamp: o símbolo da elegância e genialidade

Holandês foi brilhante com a camisa do Arsenal e marcou época na PL

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Dennis Bergkamp

Poucos atletas marcaram seu nome na era Premier League com um futebol de tanta elegância e genialidade. O holandês Dennis Bergkamp foi sinônimo de classe e talento puro. Se faltava velocidade, compensava na inteligência muito acima da média. Quem viu Bergkamp jogar, viu um dos grandes atacantes dos anos 1990 e 2000 em ação.

A carreira brilhante de Dennis Bergkamp 

Dennis Bergkamp

Dennis Bergkamp nasceu em Amsterdã, em uma família da classe trabalhadora que buscava ascensão para a classe média. Seu pai era um eletricista e jogador de futebol amador de ligas menores. O futebol era tão importante que nomeou o filho Dennis em homenagem ao escocês Denis Law, ídolo do Manchester United.

Subiu aos profissionais aos 17 anos então promovido por Johan Cruyff. Aos poucos, foi crescendo de rendimento, passou a ser figura importante no futebol do seu país e, entre 1990 e 1993, foi três vezes artilheiro da Eredivisie. Ao todo, foram 122 gols em 239 jogos.

Conquistou uma Copa da Uefa (antiga Liga Europa), um Campeonato Holandês, duas Copas das Holanda e uma Recopa Europeia. Suas grandes atuações, aliadas aos gols, assistências e títulos, passaram a ser reconhecidas em todo o continente.

Na Bola de Ouro de 1992, ficou na terceira posição atrás de Marco van Basten (Milan) e Hristo Stoichkov (Barcelona). Já na edição seguinte, ficou em segundo atrás apenas de Roberto Baggio (Juventus).

Instabilidade de Bergkamp na Internazionale

Um dos principais jovens talentos do futebol europeu, Bergkamp deixou então o Ajax em agosto de 1993. Ele acertou sua ida para a Internazionale, depois de recusar a Juventus.

Seu desejo era atuar na Itália, que vivia o sucesso de grandes jogadores holandeses, em especial, no Milan.

Na sua primeira edição de Serie A, não encontrou sua melhor forma e anotou apenas oito gols em 31 jogos. A verdade é que o time não foi bem, terminando a competição na 13ª posição.

No entanto, a Copa da Uefa, a Inter levou o caneco ao bater o Austria Salzburg na decisão em dois jogos. Aliás, o holandês foi artilheiro do torneio, com oito gols.

Dennis Bergkamp

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Disposto a esquecer sua primeira temporada na Inter, Dennis Bergkamp fez bom Mundial em 1994, como titular da Holanda e dono da camisa 10.

Levou sua seleção até as quartas, sendo eliminada pelo Brasil, e marcou 3 gols em 5 jogos.

Vindo de uma boa Copa do Mundo, torcedores e dirigentes da Inter esperavam uma melhora de Bergkamp na sua segunda temporada na Itália.

No entanto, o holandês não atendeu às expectativas. As lesões musculares o atrapalharam e, dentro de campo, também pouco fez: 5 gols em 26 partidas.

Em fevereiro de 1995, o clube foi comprado por Massimo Moratti, que prometeu investir pesado no mercado de transferências. Com a promessa de muitas mudanças, Bergkamp decidiu deixar a Itália rumo ao Arsenal.

Gols, brilho e sucesso no Arsenal

A chegada de Dennis Bergkamp a Highbury marcou a primeira contratação do técnico Bruce Rioch. Alguns jogadores ficaram espantados e se aglomeraram para acompanhar o primeiro dia do holandês no novo clube.

A contratação de Bergkamp colocou o Arsenal em outro patamar nos anos seguintes.

Sua carreira iria deslanchar com a chegada do então desconhecido Arsène Wenger, com passagens pelo futebol francês e japonês. A mentalidade ofensiva de ambos casou perfeitamente e a dupla usufruiu de muitos gols e títulos.

“Eu e Wenger víamos o futebol da mesma forma. Nós gostávamos de um estilo criativo e ofensivo” – Bergkamp ao site oficial do Arsenal

Foram 11 temporadas de Dennis Bergkamp com a camisa dos Gunners e ele é sem dúvida um dos maiores ídolos da história do clube.

O seu gol mais lembrado é, certamente, esse drible desconcertante – e até hoje inigualado – em uma partida contra o Newcastle. Sem dúvida, um golaço!

Certamente, a marca de 120 gols em 423 jogos não impressiona muito para um atacante, que se notabilizou mais em servir seus companheiros e ser peça-chave do sistema ofensivo.

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Bergkamp se destacou pelo domínio de bola impressionante, visão de jogo privilegiada e qualidade excepcional de passe.

Não à toa, é o 5º maior garçom da era Premier League com 94 assistências, atrás de Ryan Giggs (162), Cesc Fábregas (111), Wayne Rooney (103) e Frank Lampard (102).

Analisando a média de passes para gol por partida desse quinteto, o atacante holandês fica atrás apenas do meia espanhol (0,29 e 0,32).

Recuado quase como um 10, Bergkamp consegue achar um espaço e descola ótimo passe para Vieira ficar cara a cara com o goleiro[/caption]

“Eu sempre gostei de ser o ‘atacante fantasma'. Marquei gols pelo Arsenal, mas nunca fui artilheiro. Eu sempre preferi ter um jogador do meu lado que gostasse da pressão de ser o homem a marcar gols. Uma das minhas maiores qualidades é me ajustar aos outros jogadores. eu me ajustava ao time e não o contrário.”

Quem mais deve agradecer pelos passes precisos é o ex-companheiro de ataque Thierry Henry. Os dois formaram uma das maiores duplas de ataque da era Premier League. Ambos se complementavam muito bem em campo, até nas personalidades.

Enquanto Henry era mais carismático e extrovertido, Bergkamp era mais quieto e frio, a ponto de ganhar o apelido de “Iceman” (homem de gelo).

Aposentadoria e legado

Bergkamp se aposentou em 2006 com a camisa dos Gunners e integrou o Hall da Fama do futebol inglês no ano seguinte. Ao todo, foram três títulos da Premier League, quatro da Copa da Inglaterra e três da Supercopa da Inglaterra.

Pelos enormes serviços prestados, recebeu como presente uma estátua na frente do Emirates Stadium. A celebração contou com centenas de torcedores do Arsenal que se aglomeraram para tirar foto com o ídolo.

“O jogador mais habilidoso com quem trabalhei? Eu diria que Dennis Bergkamp”, disse Arsène Wenger para a Arsenal TV

Dennis Bergkamp Bergkamp e o medo de voar de avião

A grande curiosidade da carreira de Dennis Bergkamp é fora do campo. Bem, na verdade, no ar.

Desde a Copa do Mundo de 1994, quando esteve num voo cujo avião enfrentou problemas no motor, o atacante desenvolveu fobia de voar.

“Eu simplesmente não consigo voar. Apenas congelo. Eu entro em pânico e isso começa um dia antes porque eu não consigo dormir”, disse bergkamp.

A partir daí, o holandês passou a não viajar em algumas partidas ou fazer o trajeto de ônibus ou trem.

Aliás, o grande medo de Bergkamp se originou dos voos em pequenos aviões ainda na época na Inter. Em competições europeias pelos Gunners, Bergkamp só atuou em seis jogos, em que não marcou nenhum gol, mas o time também não perdeu.