Denis Law: o Rei “plebeu” de Old Trafford

Conheça a história do terceiro maior artilheiro do United e Rei de Manchester

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Denis-Law-Manchester United Fox Photos Hulton Archive Getty Images
Fox Photos Hulton Archive Getty Images

Aberdeen é uma cidade na Escócia que, ao primeiro olhar, não chama muita atenção. Em uma das ruas, chamada Printfield Walk, morava um homem chamado Archie Beattie, que estava à procura de talentos para o Huddersfield Town. Entre os 22 jovens, um chamou a atenção: era Denis Law.

Denis Law, o rei plebeu

Em um cortiço em Aberdeen morava uma família. George Law, o pai, era um pescador que passava a maior parte do dia longe de casa, procurando obter das águas o sustento para seus dependentes. Robina, a mãe, dava seu máximo para cuidar dos sete filhos do casal.

Um dos que lhe causava maior preocupação era o caçula. Frágil fisicamente e estrábico, Denis passaria dificuldade nos trabalhos duros e manuais em que se encontrava em Aberdeen. E ele, assim como os outros filhos de George e Robina, não teriam muito tempo para escapar da rotina de trabalho. A família passava por dificuldades financeiras muito severas.

Denis andou descalço até seus 12 anos de idade, quando ganhou um par de sapatos de segunda mão.

Contudo, apesar da situação vulnerável, Denis Law amava o football. Torcedor do Aberdeen, Law guardava os trocados que podia para assistir jogos do time no Pittodrie Stadium. Quando não conseguia manter economias, assistia a jogos de times não profissionais da cidade.

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O garoto estrábico amava também jogar, é claro. Começou nas brincadeiras, atuando como lateral esquerdo. Em algum ponto de sua adolescência um vizinho lhe deu de presente um par de chuteiras usadas. O garoto que já amava o esporte bretão agora também poderia, enfim, experimentá-lo como deveria ser.

Denis Law valorizava o futebol como poucos. Ao ir para a secondary school ele recusou a Aberdeen Grammar School, a mais antiga da cidade, pois precisaria jogar rugby lá. A Powis Academy, sua escolhida, mantinha um time de futebol.

Na Powis, Denis Law foi inclusive escolhido para o Scotland Schoolboys, o time nacional de garotos em idade escolar, depois de ser movido da lateral esquerda para o ataque (ainda atuando pelo lado).

Denis Law ainda era mais um plebeu em Aberdeen. Mas sua história não tardaria a mudar drasticamente.

O futebol era a lei

Denis Law R. Viner Daily Express Hulton Archive Getty Images
R. Viner Daily Express Hulton Archive Getty Images

Archie Beattie aproximou-se daquele garoto loiro e lhe fez uma oferta. Uma chance de fazer um teste para o Huddersfield Town. Denis não pensou duas vezes.

Onze horas de trem depois, o adolescente escocês chegava a Huddersfield. Para ele, cuja distância mais longa de casa era uma visita ocasional a Stonehaven, a 24 quilômetros de distância, aquilo era uma epopeia pessoal.

Enquanto as visitas a Stonehaven eram dedicadas a guloseimas e diversões, Huddersfield guardava oportunidades para Denis. Usando um óculos grosso para aplacar o estrabismo, Law foi apresentado pela primeira vez à Inglaterra. Pouco tempo depois de chegar, o garoto foi levado à sede do clube para seu teste.

O Leeds Road o aguardava na figura de Andy Beattie, irmão de Archie e técnico do time. Andy, ao ver o irmão chegar acompanhado de Denis, disparou:

“O garoto é uma aberração. Nunca vi um prospecto menos provável – fraco, insignificante e com óculos.”

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De fato, Denis não era uma figura exatamente ideal de futebolista no imaginário dos dirigentes do Huddersfield Town. Além dos óculos e do corpo magérrimo, Law era tímido e pior: estava tendo dificuldades para se comunicar.

Law falava Doric, um dialeto muito comum em Aberdeen, mas pouco compreendido na cidade da sua melhor oportunidade até ali. Pelo outro lado, os dirigentes do clube onde faria seu teste pareciam emitir apenas grunhidos para o jovem.

Porém, todos os problemas apequenaram-se diante de seu teste. Até mesmo Andy teve que engolir suas palavras duras e reconhecer: o garoto tinha talento. O Hudersfield Town assinou com ele ainda em 1955.

Ainda naquele ano mágico, Denis recebeu uma ligação de Aberdeen. Ele poderia lá realizar uma cirurgia para corrigir seu estrabismo. A operação foi um sucesso, e agora ele não só podia correr com os dois olhos abertos como a sua interação social foi modificada como um todo.

“Isso mudou a minha vida. agora eu poderia encarar as pessoas, falar com elas. aumentou a minha confiança”, Denis Law em entrevista ao The times.

Toda lenda tem um começo

Denis-Law-Huddersfield Credit Don Morley Allsport-min
Credit Don Morley Allsport

Ganhando quatro libras por semana (das quais três eram diretamente enviadas à sua família), Law começou sua vida no Huddersfield Town. Na temporada 1955/1956, o time foi rebaixado. Com a diminuição de verbas, o time inglês teve que se aproveitar de talentos mais baratos. Denis Law recebeu então sua oportunidade.

Em 24 de dezembro de 1956, Denis Law tornou-se o jogador mais jovem a atuar pelo Huddersfield, em uma partida contra o Notts County. Os Terriers ganharam por 2 a 1.

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Pouco tempo depois de sua estreia, Matt Busby, técnico lendário do Manchester United, fez uma proposta de 10 mil libras pelo jovem atacante. O time de Law recusou, mas já se indicava uma relação entre o escocês e os Red Devils que se confirmaria anos depois.

Law ainda não era titular absoluto do Huddersfield quando uma troca de técnicos mudaria sua vida ainda mais. Andy Beattie, após uma temporada decepcionante no comando do time, se demitiu e foi substituído por seu auxiliar e ex-companheiro de Preston North End, Bill Shankly.

Desse modo, Bill – que faria história depois comandando o Liverpool – viu em Law um grande talento, mas ainda incipiente e bloqueado pelas dificuldades do garoto de 16 anos. Implantando uma dieta baseada em leite e carne, Law ganhou massa muscular. E Shankly, tornou-se, aos poucos, a figura paterna que Denis tivera ausente a infância toda.

O treinador conterrâneo de Denis instruiu o jovem a jogar de forma ofensiva, valorizando sempre os torcedores que pagavam para se entreter com o esporte após anos de guerras.

Assim, em suas duas primeiras temporadas, Law disputou 38 jogos e marcou nove gols. Busby, enquanto não conseguia comprá-lo para o seu United, conseguiu convocá-lo para a seleção da Escócia. Denis era um jogador no qual valia a pena manter um olho aberto e atento. Talvez até dois.

As loucuras (na vida e no jogo) de Law

Denis-Law-Manchester United Credit Allsport UK Allsport-min
Credit Allsport UK Allsport

Em 1959, Bill Shankly transferiu-se ao Liverpool e queria levar consigo o talento de Law. Porém, o novo time do escocês não tinha dinheiro para comprar o jovem, e os dois tiveram de se despedir.

No ano seguinte, após sete gols em 24 jogos, dois clubes de Manchester começaram a sondar Denis. Matt Busby novamente tentou, mas foi o Manchester City que levou o escocês, pelo valor recorde no futebol britânico de 55 mil libras.

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Inegavelmente, o elenco do Manchester City naquele ano era no mínimo modesto. Sonhar com algo mais alto do que a permanência na primeira divisão seria considerado ilusão. Por isso, as atuações de Law foram imprescindíveis.

Com 23 gols em 43 jogos na temporada 1960/1961, o atacante demonstrou faro artilheiro e aproveitou bem a oportunidade na elite do futebol inglês para se destacar.

Um fato curioso durante o período de Denis Law no Manchester City aconteceu durante a Copa da Inglaterra. Em um jogo contra o Luton Town, Denis marcou seis gols. Contudo, a partida foi abandonada faltando 20 minutos para o final, e os gols não valeram. No jogo de replay, o Luton venceu por 3 a 1, eliminando o City.

Ao final da temporada, ansioso por voar mais alto, Law assinou com o Torino (e também ficou perto de ir para a Inter de Milão). O valor de 110 mil libras constituiu outro recorde em relação a jogadores britânicos.

Porém, na Itália, as coisas não saíram tão bem para o escocês. Logo ao chegar no país, a Inter de Milão tentou travar sua inscrição pelo Torino, afirmando que Law teria assinado um pré-contrato com os milaneses.

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Outro fator chocante para Law foi o tratamento dos jogadores. Na Inglaterra, a lei de teto salarial para futebolistas havia sido recém abolida, e os jogadores em geral não eram muito bem tratados. Na itália, Denis foi surpreendido ao descobrir que a pré temporada seria em um hotel de luxo nos Alpes.

Todavia, o Torino levava a política de pagamento por performance a sério demais. Quando o time ganhava, os atletas recebiam, literalmente, sacolas cheias de dinheiro. Quando perdiam, não recebiam nada.

Para piorar, o sistema vigente na Calcio era extremamente defensivo, com os atacantes não recebendo muitas oportunidades. Somava-se a isso um certo preconceito sofrido pelos ingleses na bota, e logo Law não teve uma temporada das mais brilhantes.

Após um acidente de carro com seu colega de equipe Joe Baker e uma cisma com o técnico Beniamino Santos, Law pediu para ser transferido. Tendo como destinos possíveis o Manchester United e a Juventus, Denis preferiu o Old Trafford.

Curiosamente, Denis foi eleito o melhor jogador estrangeiro na Itália naquela temporada, com 10 gols em 28 jogos.

Denis e o brilho no Manchester United

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Credit Allsport UK Allsport

Em julho de 1962, Matt Busby tinha finalmente Denis Law sob seu comando. E ele estava melhor do que nunca: tinha trazido da Itália as técnicas para furar as defesas fechadas da Calcio, e depois daquilo, as zagas das terras da Rainha pareciam até fáceis.

Estreou em agosto daquele ano, e levou apenas sete minutos para marcar seu primeiro gol pelos Red Devils. Aquele era um Manchester United que renascia após o desastre de Munique, e ali Law se fez imprescindível para que a campanha fosse minimamente tranquila. Com 29 gols em 44 jogos, o escocês ajudou o time de Manchester a se manter na primeira divisão e não passar sufoco nenhum.

Mais do que isso, naquela temporada o United apostou suas fichas na FA Cup. Com seis gols em 6 jogos, Law ainda marcou na final contra um favoritíssimo Leicester City, conquistando seu primeiro título na carreira. Para fechar o ano de forma linda, Denis ainda casou com sua esposa Diana.

Sua Majestade, Denis Law

A temporada seguinte sagraria Law como a lenda que merece. Na liga, marcou 30 gols em 30 jogos. Pela copa, ainda guardou mais 10 em seis partidas. Para terminar, anotou mais seis em cinco jogos pela competição continental. Total? 46 gols em 42 jogos. Recorde de gols ainda não batido em Old Trafford.

Infelizmente para o United, a temporada prolífica do atacante não se refletiu em troféus. Devido a um forte inverno, o clube teve que jogar várias partidas em um curto período de tempo, fazendo decair a sua forma.

Law, ao contrário, recebeu uma bela prataria para decorar o quarto. A France Football elegeu Law o Futebolista Europeu do Ano. Portanto, ao final da temporada, Law foi o ganhador do tão famoso Ballon D'Or.

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Terry Fincher Daily Express Hulton Archive Getty Images

Na temporada de 1964/1965, ele compensaria o ano anterior sem troféus. Terceiro colocado no ranking de artilharia da Liga e acompanhado de George Best e Bobby Charlton, o “Lawman” trouxe a taça da primeira divisão para Old Trafford pela primeira vez após Munique.

Além de titular absoluto do time de Busby, Denis era também convocação cativa da seleção da Escócia. Para seu azar, foi em um jogo contra a Polônia que o atacante lesionou o joelho direito. “O Rei” precisou fazer uma cirurgia na articulação, onde já havia feito procedimento semelhante na época de Huddersfield.

A lesão no joelho direito se tornaria a partir daí seu problema físico mais recorrente pelo resto da carreira.

Os discursos (e problemas) do Rei

No final de 1965, Denis Law teve um encontro com Bill Shankly. À época treinador do rival Liverpool, os dois competiram entre si na Supercopa Inglesa. Law não fez gols, e o jogo terminou empatado em 2 a 2. Com a taça divida entre os dois clubes, Bill e Denis não guardaram nenhum ressentimento.

Com a próxima temporada prestes a começar, Law procurou Matt Busby para pedir uma renovação de contrato com um aumento de salário. Caso não fosse atendido, sairia do clube.

Matt Busby não gostou da atitude e, assim na manhã seguinte, colocou o atacante na lista de transferências, alegando que “nenhum jogador fará este clube de refém”.

Após algumas conversas, Busby convenceu Law a assinar um pedido formal de desculpas, que foi prontamente mostrado à imprensa.

Entretanto, anos depois o atacante afirmaria que tudo não passou de um “exemplo” aos outros jogadores do plantel. Segundo o atleta escocês, nos bastidores, o técnico do United teria lhe dado o aumento.

Alheio à quaisquer discussões extra campo, o Rei marcou 25 gols em 38 jogos naquela temporada, garantindo mais um título de Liga para o Manchester United. Mais do que isso, era a chance de aproveitar a Liga dos Campeões da Uefa do ano seguinte.

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Fox Photos Hulton Archive Getty Images

Todavia, a temporada dos sonhos não se concretizou por completo. Com o joelho direito novamente querendo protagonismo indevido, Law perdeu a semifinal e a final da competição continental que daria ao Manchester United seu primeiro título além-Inglaterra.

Mesmo tendo jogado apenas três jogos e marcado dois gols, Law foi lembrado com carinho pela equipe, que o visitou no hospital com a taça da competição.

Law infelizmente descobrira que as injeções de cortisona que tomara para amenizar a dor apenas haviam piorado seu quadro. De fato, a primeira cirurgia realizada no seu joelho direito havia sido feita de forma incompetente, e a cartilagem danificada não havia sido retirada por completo. Além disso, Law jogara com anestésicos, ignorando a dor e causando dano permanente.

Apesar dos problemas físicos, o escocês voltou a jogar assim que se viu em alta do hospital. Na temporada de 1968/1969 conseguiu levar o Manchester United até as semifinais da competição continental, onde foram parados por um poderoso Milan. Contudo, o saldo inacreditável de sete gols em um rodada da competição deu ao “Lawman” o título de artilheiro da competição.

O declínio de Dennis Law

Ao final da temporada de 1968/1969, Sir Matt Busby se aposentou do cargo de técnico do Manchester United. Sob o comando de Wylf McGuiness, o time não conseguiu manter o nível estabelecido anteriormente, e Law passou a maior parte da temporada de 1969/70 se recuperando de uma nova lesão.

O escocês foi listado para transferência por 60 mil libras, porém nenhum time se interessou. Nas quatro temporadas seguintes as coisas não melhoraram muito. Trocas de técnicos, problemas no joelho direito e a idade começando a pesar sobre os ombros de Law cobraram seu preço.

Com a chegada de Tommy Docherty para comandar os Red Devils em dezembro de 1972 os resultados deram uma suave estabilizada. Law porém foi instruído a procurar “novos ares”. E ele não precisou ir muito longe.

A lei em azul (novamente)

Após 11 anos, 404 jogos e 237 gols, Denis Law viu-se em busca de um novo time e Johnny Hart, técnico do Manchester City, viu nele seu “fazedor de gols”.

Law aceitou o contrato e voltou para o lado azul de Manchester. O Maine Road não era exatamente uma novidade para o atacante, e ele logo estreou fazendo dois gols no Birmingham City. Naquela temporada, Law jogou 29 vezes, anotando 12 tentos. Todavia, um gol em especial é lembrado até hoje, mas não com alegria.

No último jogo da temporada, um Manchester Derby definira o destino dos Red Devils. Em caso de derrota, a chance de rebaixamento era enorme. A partida deu-se no Old Trafford, e Denis Law deve ter sentido-se estranho ao não ser ovacionado pelos torcedores.

A partida encaminhava-se para um 0 a 0 que daria certa tranquilidade para o Manchester United. Porém, aos 81 minutos, Denis Law estava na área. Tranquilo, posicionava-se distante dos zagueiros, que perseguiam seu companheiro de equipe. O escocês, contudo, recebeu um passe rápido, e ficou sozinho contra o goleiro.

Artilheiro nato, ele não errou. Aliás, mandou a bola com o calcanhar para dentro das redes. O Rei de Old Trafford relegava seu antigo clube à segunda divisão. Carrasco daqueles que o coroaram.

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Denis Law não comemorou o gol. Manteve a cabeça baixa e caminhou para o centro do campo sob os urros e vaias da torcida do United.

“Eu estava inconsolável. Eu não queria que isso acontecesse. Quanto tempo durou o sentimento? Há quanto tempo foi o jogo? Trinta e tantos anos. Aqui está a sua resposta.”, Law em entrevista para o Daily Mail.

Substituído logo após o gol, Law foi então consolado pelo seu gol. Como se houvesse matado seu melhor amigo, caminhou para dentro dos vestiários e não viu o desfecho da partida. Os torcedores do United, rebaixados novamente após 37 anos, invadiram o gramado, encerrando a partida aos 85 minutos.

Na temporada seguinte, apesar de ainda ter contrato com o Manchester City, enfim encerrou a carreira visto que não queria se aposentar sendo reserva de time nenhum.

Um resumo da ópera

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Phil Cole Allsport Getty Images

657 jogos na carreira, 333 gols. Rápido, com reflexos quase instantâneos e uma criatividade intrínseca à sua habilidade de marcar gols. Law tinha lampejos de uma genialidade ímpar que o coloca constantemente em listas de melhores jogadores de todos os tempos.

Dono de um controle de bola invejável, Denis também era difícil de ser parado ou desarmado – possivelmente um resultado de seu aprendizado no Torino. E quanto ao seu físico, superou a estatura nada impressionante com uma habilidade aérea baseada em posicionamento e oportunismo.

Com um temperamento forte, foi mais de uma vez mandado para fora de campo pelos árbitros, a quem acusava de “perseguição”. Não importava, para o torcedor (especialmente o do Manchester United) ele era o Rei; e eles, seu séquito de fieis escudeiros.

Não à toa, Denis Law é o único jogador representado por duas estátuas em Old Trafford. Uma delas é a imponente obra da United Trinity, onde ele permanece no centro, apontando para o céu e guardado por Charlton e Best.

Sua outra estátua permanece em Stretford End. Um Law no seu ápice comemora um gol correndo, com o dedo indicador em riste. Seu sorriso é contagiante. Sua habilidade? Lendária.