De Gea vs Henderson: quem deve ser o titular no gol do Manchester United?

Jovem arqueiro inglês disputará posição com o já estabelecido goleiro espanhol

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De Gea vs Henderson: quem deve ser o titular no gol do Manchester United?
(Dave Thompson Pool via Getty Images) / (Rui Vieira Pool AFP via Getty Images)

Depois de muitos anos, talvez nesta temporada estamos prestes a ver a titularidade do goleiro David De Gea no gol do Manchester United ameaçada. Isso porque, após uma ótima temporada emprestado ao Sheffield United na Premier League, o jovem Dean Henderson aparece não só como uma promessa, mas também um dos melhores goleiros da liga e uma sombra real a De Gea.

Além da excelente fase do arqueiro inglês de 23 anos, o espanhol detentor da camisa 1 nos vermelhos de Manchester já não passa mais tanta confiança como outrora. Mas afinal, depois de tantos anos sendo um dos pilares dos Red Devils, De Gea realmente merece ir para o banco de reservas? E Henderson, com tão pouca idade, está pronto para assumir esse posto tão importante? Confira a análise da PL Brasil.

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De Gea vs Henderson: quem deve ser o titular no gol dos Red Devils?

David De Gea: de incontestável a duvidável

De Gea desembarcou em Manchester no ano de 2011, quando Sir Alex Ferguson ainda era o comandante da equipe. Naquela época, com apenas 20 anos, chegava do Atlético de Madrid, da Espanha, com a responsabilidade de substituir o ídolo Edwin van der Sar, que havia acabado de se aposentar.

Inicialmente, como todo jovem goleiro, David sentiu a pressão de jogar em um dos maiores clubes do mundo e chegou falhar em algumas partidas. Todavia, com a sequência e respaldo dados por Ferguson, adquiriu a confiança necessária para se estabelecer na meta do clube.

E assim ele seguiu. Viveu os últimos anos de glória dos Diabos Vermelhos na Inglaterra, esteve a um fax de se transferir para o Real Madrid e por muito pouco não foi embora. Mas ficou e se tornou uma das maiores referências do elenco nesta década, com atuações históricas.

De Gea United
Oli Scarff/AFP via Getty Images

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Venceu a Premier League, Copa da Inglaterra e Copa da Liga Inglesa uma vez; a Supercopa da Inglaterra três vezes e também sagrou-se vencedor da Europa League em uma oportunidade – a primeira na história da instituição.

Ao longo dessa trajetória, ainda que tenha começado de forma um pouco dúbia pela insegurança e falta de experiência, De Gea se tornou um dos melhores goleiros não só do país, mas também de todo o mundo.

Para se ter uma noção mais exata, ele esteve na Equipe do Ano PFA da Premier League em quatro oportunidades diferentes. Ganhou o prêmio Sir Matt Busby de Jogador do Ano do Manchester United também quatro vezes. Esteve na equipe da temporada da Liga Europa em 2015/2016, mesmo com o clube não tendo a vencido.

Em 2016, foi eleito pelo The Guardian, tradicional jornal da Inglaterra, como o 29º melhor jogador do mundo. O Marca, da Espanha, o colocou como o 62º atleta naquele ano.

Recebeu a Luva de Ouro da Premier League em 2017/2018, prêmio dado ao goleiro com mais clean sheets durante a temporada da liga. Também em 2018, esteve na seleção do FIFPro World XI, ou seja, eleito o goleiro ideal daquele ano – um dos melhores do mundo.

Ben Stansall/AFP via Getty Images

Não foi atoa que, ano após ano, o torcedor Red Devil ficasse angustiado com medo da sua saída. Sempre no radar do Real Madrid, mesmo após a negociação falha, os espanhóis eram constantes ameaças, além do milionário PSG.

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Ainda que muitos não o valorizem por não repetir as boas atuações do United quando joga pela sua seleção nacional, De Gea fez por merecer toda a atenção e idolatria que recebeu. Exemplo disso são jogos de 2017/2018 e 2018/2019, contra Arsenal e Tottenham respectivamente.

No primeiro, ainda sob o comando do português José Mourinho, fez uma das maiores atuações da história da PL – dentro do Emirates Stadium. Em 33 chutes dos Gunners, o camisa 1 fez 14 defesas, um recorde dentro da década da liga, e não só evitou uma goleada, como garantiu a vitória da equipe por 3 a 1.

Para se ter noção, na época em que o jogo aconteceu, o goleiro Ederson, do rival Manchester City, havia feito 16 defesas no campeonato inteiro até aquele momento. O que mostra o tamanho do feito do goleiro espanhol.

Já contra o Tottenham, dentro de Wembley, o United venceu por 1 a 0, mas só porque De Gea estava no gol. Foram 11 defesas para o guarda-redes, em mais uma partida histórica que com certeza ficou na mente de muitos torcedores.

Tanto contra os Spurs, quanto contra os Gunners, a sensação que se tinha era de que nada iria passar, porque o goleiro conseguia evitar as investidas adversárias de todas as formas possíveis. Com os pés, com as mãos, em bolas altas ou rasteiras, ele estava lá. Por muito tempo, o torcedor não precisava se preocupar, porque ele estaria lá para salvar. Mas isso mudou.

De Gea x Tottenham
Mike Hewitt/Getty Images

Nas últimas duas temporadas – 2018/2019 e 2019/2020 -, ele deixou muito a desejar. Ainda que tenha permanecido com algumas grandes atuações, seu número de falhas chama a atenção.

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No site da própria Premier League, é contabilizado uma estatística chamada de ‘erros que resultam em gol'. Em todo o seu tempo de PL, De Gea possui 13 falhas nesse quesito, o que é um número baixo para quem tem quase 10 anos na terra da Rainha.

Entretanto, desse montante, sete erros foram apenas nessas duas temporadas mencionadas, um indicativo de que 53,84% das falhas aconteceram recentemente. Para um goleiro que antes praticamente não errava, ter mais da metade das suas falhas em um espaço de tempo tão curto é extremamente preocupante.

Aliado a isso, o surgimento de uma verdadeira sombra para o seu posto. Sergio Romero, apesar de bom goleiro, nunca foi uma ameaça de fato para David. Já Dean Henderson, jovem promessa da base do clube, acaba de fazer mais uma ótima temporada emprestado ao Sheffield United e promete brigar pelo posto de arqueiro titular com De Gea.

De Gea Manchester United
Andy Rainpool/AFP via Getty Images

Dean Henderson: o futuro do Manchester United

Henderson chegou no United com apenas 14 anos, em 2011, vindo do Carlisle United, clube de divisões inferiores na Inglaterra. Passou a figurar de forma regular no time sub-18 do clube na temporada 2013/2014, tendo seu maior destaque na temporada seguinte, 2014/2015.

Nela, passou a impressionar cada vez mais e atuou em 25 jogos. Mesmo com uma lesão no fim da temporada, foi indicado ao Prêmio Jimmy Murphy de Jogador Jovem do Ano do clube, mas acabou perdendo para Axel Tuanzebe.

Em 2015, quatro anos após sua chegada, assina seu primeiro contrato profissional como jogador do Manchester United. Sem espaço na equipe principal, passou a ser emprestado para vários clubes pequenos da Inglaterra, para ganhar rodagem.

Inicialmente, até mesmo nesses clubes menores, recebeu poucas oportunidades. Pelo Stockport County e pelo Grimsby Town, fez apenas 16 jogos se somarmos as duas passagens.

Eis que, em 2017/2018, ele vai para o Shrewsbury Town e tem sua primeira temporada com muitos jogos, 38 ao total. Cada vez mais pronto e maduro, é emprestado ao Sheffield United em 2018/2019 e participa de 46 jogos da equipe, sendo peça fundamental no acesso à primeira divisão inglesa.

Henderson
Naomi Baker/Getty Images

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Permaneceu por lá em 2019/2020, e assim como os Blades, surpreendeu a todos. O time não só passou longe de brigar contra o rebaixamento – que era o prognóstico da maioria dos especialistas -, como também disputou até os últimos instantes uma vaga por competições europeias. Findou na 9ª colocação, acima de equipes tradicionais como Everton, Newcastle, West Ham e Aston Villa.

Nessa incrível campanha, Henderson teve participação fundamental. Ele não só foi um dos melhores jogadores do time, como também um dos melhores goleiros da liga. Por muitos meses, cogitava-se até que o jovem jogador pudesse figurar na seleção da temporada, o que não aconteceu. De toda forma, desempenhar com tamanho protagonismo, tendo tão pouca idade, é um ótimo indicativo.

Com De Gea deixando a desejar de forma recorrente e uma cria do clube jogando cada vez melhor, os pedidos da torcida para que Henderson voltasse e tomasse o posto do espanhol passaram a ser frequentes.

Ele, aliás, não chamou só a atenção do pessoal de Manchester. Gareth Southgate, treinador da Inglaterra, o convocou para a equipe principal, e ele disputa diretamente a vaga de titular com Jordan Pickford e Nick Pope.

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O clube, de prontidão, renovou o contrato do jovem arqueiro assim que 2019/2020 terminou. Com o aval do treinador Ole Gunnar Solskjaer, a diretoria do United deu a ele um contrato de cinco anos, passando a receber 120 mil libras semanais, um dos maiores salários entre goleiros da Premier League.

“Estamos em uma posição forte no departamento de goleiros e isso nos fornece competição pelas posições em que estamos de olho no time. Dean é outro grande exemplo do tipo de jogador que subiu das categorias de base e entende de fato o que significa estar no Manchester United. Estamos ansiosos para trabalhar com Dean e continuar a desenvolver seu talento”, afirmou Solskjaer.

Dean Henderson possui talento, respaldo e espaço para brilhar pelo clube, mas, não é assim tão simples. Apesar de passar mais segurança atualmente, existem algumas coisas que o jovem precisa evoluir para assumir o posto de titular definitivamente.

De Gea vs Henderson: quem deve ser o titular?

Inicialmente, a primeira coisa que não podemos esquecer é a de que De Gea é o goleiro do clube há muito tempo, e com certeza estará no hall dos melhores da história da instituição. Mesmo com uma fase ruim, a hierarquia é algo que sempre existiu e sempre irá existir no futebol, e nisso o espanhol com certeza leva vantagem.

Outro ponto é o de que ele possui apenas 29 anos. Goleiros, independente da região de onde estamos falando, costumam ter uma carreira muito mais duradoura do que atletas que jogam na linha. Gianluigi Buffon e Petr Čech são ótimos exemplos de arqueiros que, mesmo com idade avançada, permaneceram atuando em ótimo nível.

Em números brutos, os dois estão em pé de igualdade na última temporada, mas Henderson tem uma leve vantagem sobre De Gea.

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Mesmo em um time teoricamente pior, Henderson tomou menos gols, cometeu menos falhas e ainda defendeu um pênalti. A diferença, obviamente, é muito pouca, mas não deixa de ser um ponto em favor do jovem goleiro. Somado a isso, o fator confiança, no qual De Gea tem cada vez mais deixado a desejar.

Partindo para o lado tático da questão, Dean Henderson precisa melhorar com a bola no pé. O time de Chris Wilder joga de uma forma muito diferente que o United de Solskjaer, principalmente no quesito construção do jogo.

De Gea, que sempre foi conhecido por ser um goleiro muito bom, mas pecar com a bola no pé, melhorou exponencialmente nesse quesito. Através de um jogo pautado na construção desde a base da jogada, o United dá muitos poucos ‘chutões', e tenta a todo momento construir o jogo com toques curtos e rápidos. E isso parte desde o goleiro.

Em momentos de pressão, os atletas de linha dos Red Devils não hesitam em recuar a bola para o goleiro. De Gea, mesmo que com o adversários em cima dele, procura sempre o passe mais próximo, o que tornou cada vez mais incomum bolas jogadas para o ataque sem um objetivo específico.

Já no Sheffield de Wilder, quando Henderson era o detentor da bola, a ação mais normal de se ver acontecer era o goleiro chutando a bola para o outro lado do campo. E isso não diz respeito apenas sobre o estilo dos Blades, mas também um aspecto técnico do próprio jovem inglês.

Mesmo que a situação se apresente para ele como passível de um toque de média ou curta distância, é comum que vejamos a sua preferência pelo chute. Seguem os números.

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Dessa forma, concluímos que mesmo Henderson tendo mais passes por jogo, ele erra muito mais. Isso se dá justamente pelo que foi dito acima: a sua preferência pelas bolas longas, as quais nem sempre possuem um receptor específico.

O United de Solskjaer evita constantemente a ligação direta, e isso reflete nos números do goleiro titular da equipe. De Gea não só acerta muito mais passes que Henderson, haja vista o contexto mais objetivo que é inserido, como também colabora para que os Diabos Vermelhos forcem o jogo pelo chão.

Isso ajuda a quebrar as linhas adversárias de forma mais eficaz, o que é fundamental para o jogo apoiado, de toques curtos e movimentações rápidas do ataque do time.

Durante uma parte desta temporada, De Gea chegou a estar atrás apenas de Ederson como o goleiro que menos tentava bolas longas por jogo.

Assim como De Gea, o jovem Henderson terá tempo para evoluir nesse aspecto. Visto o seu nível de dedicação e a facilidade do treinador do clube em lidar com jovens, não será surpresa que ele também consiga aprimorar esse lado do seu jogo.

Os últimos anos de David De Gea com certeza preocupam, mas quando aumentamos o recorte e vemos tudo aquilo que ele já ofertou a clube, não é de se estranhar que, a princípio, ele seja o escolhido para ser titular, mesmo diante da presença de Henderson. É a dor de cabeça que todo treinador gostaria de ter.

*Os dados utilizados neste texto foram retirados do site WhoScored e do site oficial da Premier League.

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