‘Estaria em casa na Juventus’: Danilo faz convite a volante da seleção brasileira

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O defensor da seleção brasileira e da Juventus, Danilo, concedeu uma entrevista exclusiva para o site britânico “The Athletic” antes do jogo da equipe italiana contra o Sporting, nesta quinta-feira (13), às 16h (horário de Brasília), pelas quartas de final da Liga Europa.

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Entre outros assuntos, o brasileiro, que é o capitão da Juve na ausência de Leonardo Bonucci, falou sobre o próximo treinador do Brasil, a geração de jogadores “líderes e esforçados” do país e até convidou um compatriota para jogar na equipe italiana.

Eu adoraria ter o Casemiro comigo na Juventus. Ele se sentiria em casa aqui“, disse Danilo.

Geração brasileira combina com estilo da Juventus

Casemiro, que está na sua primeira temporada no Manchester United depois de anos vencedores no Real Madrid, é para Danilo um dos pilares da atual geração de jogadores do país, que têm se destacado por características diferentes das quais o brasileiro está acostumado. Segundo ele, é uma safra de mais “Casemiros” do que de “Ronaldinhos”.

Olhe para os melhores times e todos eles têm brasileiros que são ou capitães ou jogadores esforçados. Marquinhos no PSG, Thiago Silva no Chelsea, Casemiro no Real Madrid e no United, Alisson no Liverpool, Ederson no Manchester City (e Fernandinho antes dele). A percepção de jogadores brasileiros mudou e onde antes havia um confronto com o estilo italiano da Juventus, hoje todos esses caras poderiam vir para o time e jogar em Turim por anos — avaliou Danilo.

De fato, a Juventus nunca teve a tradição do Milan ou da Internazionale, por exemplo, de ter em seu elenco brasileiros que se destacam pela habilidade ou técnica. Tanto que Diego Ribas, que fez sucesso em outros palcos europeus, não jogou seu melhor futebol na Juve. Por outro lado, a mudança de estilo recente dos jogadores formados no país, na visão do defensor, faz com que o clube olhe com mais carinho para os brasileiros. Tanto que, na atual temporada, não é raro que o treinador Massimiliano Allegri monte o trio de defesa 100% tupiniquim, com Danilo, Bremer e Alex Sandro.

Fazer parte de uma defesa brasileira na Itália é um orgulho para mim. Tem a famosa escola de defensores aqui e todos nós aprendemos muito bem porque jogamos com caras como Bonucci, que traz ensinamentos do tempo que atuava com Giorgio (Chiellini) e Andrea (Barzagli) — afirma ele.

Danilo em campo com o Brasil na partida contra a Croácia - Foto: Igor Kralj/PIXSELL/Icon Sport
Danilo em campo com o Brasil na partida contra a Croácia – Foto: Igor Kralj/PIXSELL/Icon Sport

Novo ciclo na seleção brasileira

Tanto Alex Sandro quanto Bremer estiveram na Copa do Mundo do Catar com a camisa da seleção brasileira, jogando ao lado de Danilo. O lateral-direito disputou seu segundo Mundial, pela segunda vez com a condição de titular (em 2018, assumiu a posição com a lesão de Daniel Alves) e, também pela segunda vez, sofreu com problemas físicos. Ele assumiu um papel de protagonismo da equipe nacional sob o comando de Tite e, agora, vive a expectativa de seguir defendendo a Seleção em seu novo ciclo, ainda que não tenha sido convocado pelo interino Ramon Menezes no primeiro amistoso de 2023.

Perguntado sobre o futuro da seleção brasileira, sobretudo no que diz respeito ao próximo treinador, Danilo entende que um nome estrangeiro seria uma boa opção. O italiano Carlo Ancelotti, atualmente no Real Madrid, é o mais cotado no momento.

Se a decisão for por um bom e experiente treinador estrangeiro, eu não teria nenhum problema com isso. Se ele tiver bons resultados, os torcedores confiarão nele mesmo se ele for gringo”, opinou ele.

A atribulada temporada da Juventus

Danilo já está na quarta temporada com a camisa da Juventus. Revelado pelo América-MG, ele foi campeão do Paulistão, Copa do Brasil e Libertadores pelo Santos de Neymar e Ganso antes de sair para o Porto. Depois, passou por Real Madrid e Manchester City antes de chegar à Juve, em 2019/20. Em sua galeria troféus tem títulos nacionais por todos os clubes europeus em que passou.

Ao longo das duas últimas temporadas, Danilo é treinado por Allegri, que tem um histórico grande de sucesso no time bianconero. Antes, o defensor também teve como técnicos Andrea Pirlo e Maurizio Sarri. Na entrevista ao “The Athletic”, o brasileiro elogiou os trabalhos de Pirlo e Sarri, e disse que Pep Guardiola — com quem jogou no City — mudou “quase 100% do que eu entendo sobre futebol”, mas que não há nenhum treinador tão bom em gestão de jogadores quanto o seu atual.

Entre todos com quem trabalhei, Allegri é o melhor gestor de pessoas. E isso não deve ser dado como garantido porque o relacionamento com outros seres humanos nunca é fácil. Eu não sei se qualquer outro técnico seria capaz do que ele está fazendo, motivar os jogadores de uma forma que os mantém focados em campo. Não tem sido uma temporada fácil e ele tem lidado do melhor jeito”, garantiu Danilo.

Quando diz que a temporada não está sendo fácil, Danilo ressalta os percalços que a Juve passou em 2022/23. A equipe viu sua sequência de nove Scudettos seguidos interrompido há dois anos e, desde então, não se recuperou. Viu a Inter ser campeã, depois o Milan e agora, provavelmente, o Napoli.

No ano atual, o clube de Turim ainda teve a renúncia do seu histórico presidente Andrea Agnelli, e a perda de 15 pontos na liga italiana pelas acusações de contratações suspeitas e manipulação no mercado de ações. Mesmo assim, a Juve resiste em sétimo lugar da Serie A (seria a vice-líder sem a punição), está nas semifinais da Copa da Itália e nas quartas da Liga Europa.

— Você acha que outro time poderia fazer o que estamos fazendo, ainda com todas as lesões (Paul Pogba, Federico Chiesa e Angel Di Maria são os maiores exemplos), se estivessem passando pelo mesmo? Onde tem crise eu vejo oportunidade. Existem jogos nos quais não conseguimos jogar nosso melhor futebol, mas você consegue ver a determinação, o sacrifício e o compromisso. Isso é a melhor coisa sobre a Juventus. Considerando tudo que aconteceu, acho que estamos tendo uma boa temporada — disse ele.

Danilo fala como um dos pilares da Juventus. Não à toa, confessa que tem o apelido de “filósofo” no elenco, e que costuma chegar aos jogos lendo livros ao invés de ouvindo músicas. Um dos atuais é do padre Fábio de Melo, com o qual o defensor diz estar aprendendo a “encontrar a sua essência sem ser influenciado pelo ambiente exterior”.

Combate ao racismo na Itália

Entre os temas que interessam ao brasileiro, o racismo na Itália também tem chamado a atenção. Ele se manifestou publicamente apoiando o centroavante belga Romelu Lukaku após o episódio em que o jogador da Inter foi alvo de preconceito num jogo diante da Juventus. Ao “The Athletic”, Danilo disse que sente falta que o assunto seja mais discutido no mundo do futebol.

— É preciso ter mais curiosidade sobre esse assunto (no futebol). Nos dias de hoje, é importante ter empatia e entender a experiência de pessoas que vêm de outros contextos. Não podemos apenas pensar em nós mesmos. Eu aprendi muito ao conhecer pessoas cujas famílias não são da Itália e, apesar delas terem nascido aqui, as pessoas olham para elas como se não fossem italianas — conta o jogador.

Diogo Magri
Diogo Magri

Jornalista nascido em Campinas, morador de São Paulo e formado pela ECA-USP. Subcoordenador da PL Brasil desde 2023. Cobri Copa América, Copa do Mundo e Olimpíadas no EL PAÍS, eleições nacionais na Revista Veja e fui editor de conteúdo nas redes sociais do Futebol Globo CBN.

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