It’s Coming…Home? Como joga a Inglaterra de Keira Walsh, favorita na Copa do Mundo Feminina

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A Copa do Mundo Feminina de 2023 começa no dia 20 de julho e a grande favorita a levar a taça nesta edição é a seleção da Inglaterra. Comandadas pela técnica Sarina Wiegman, as Lionesses chegam no Mundial disputado na Austrália e na Nova Zelândia cheias de moral depois de vencer a Eurocopa 2022 e a Finalíssima 2023, vencida nos pênaltis contra a seleção brasileira.

Na última Copa do Mundo, disputada em 2019 na França, a Inglaterra já foi longe. As Leoas chegaram na semifinal e perderam por 2 a 1 para a seleção dos Estados Unidos, que se sagraria tetracampeã naquela edição. Agora, com a técnica que levou a Holanda para uma final inédita contra as americanas naquele ano, a torcida inglesa está na expectativa para, mais uma vez, entoar seu grito tradicional nas arquibancadas: It’s Coming Home.

Como joga a seleção feminina da Inglaterra

Quem não acompanhou os jogos da seleção inglesa nos amistosos e competições seguintes ao Mundial de 2019 irá se deparar com uma nova forma de jogar. Agora, sob o comando de Sarina, a Inglaterra tem como principal característica a adaptação do esquema tático.

As formações favoritas da treinadora holandesa são 4-3-3 ou 4-2-3-1, mas também podemos vê-la armando o time em um 3-4-3, como fez nas quartas de final na Eurocopa para conseguir vencer a Espanha de virada.

Independente da formação escolhida, não é raro ver uma inversão no posicionamento de Jessica Carter e Alex Greenwood. (Imagem: Share My Tatics)
Variação tática, com Walsh e Russo jogando mais adiantadas. (Imagem: Share My Tatics)
Nesse esquema, Lucy Bronze dá um suporte maior ao ataque, sem a necessidade de ficar voltando para ajudar na marcação. (Imagem: Share My Tatics)

A Inglaterra possui um ataque jovem, com jogadoras rápidas que sabem trabalhar pelos lados do campo, além de fazer uma grande pressão na saída de bola das rivais. Chloe Kelly, do Manchester City, e Lauren James, do Chelsea, têm intercalado a titularidade no ataque depois de Beth Mead ter se lesionado. O meio-campo se comunica muito bem entre os setores defensivo e ofensivo, auxiliando na rápida troca de passes.

Na defesa, a Inglaterra conta com Mary Earps, do Manchester United, eleita a melhor goleira do mundo no Fifa The Best de 2022. A zagueira Alex Greenwood, do City, e a lateral Jessica Carter, do Chelsea, não raro invertem seu posicionamento lá atrás. Apesar de não ter na zaga a capitã Leah Wlilliamson, lesionada, as Leoas possuem uma defesa segura, principalmente devido ao trabalho da meio-campista Keira Walsh.

Keira Walsh: o coração das Lionesses

Campeã da Champions League de 2022/23 pelo Barcelona, a meio-campista Keira Walsh é a grande estrela do time de Sarina Wiegman. A jogadora de 26 anos, ao mesmo tempo em que ajuda a proteger a zaga, tem uma grande facilidade para encontrar as companheiras de ataque e iniciar as jogadas que levam perigo ao gol adversário.

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O mapa de calor da última temporada de Keira Walsh no Barcelona. A meio-campista é o coração da seleção inglesa (Imagem: reprodução/Sofascore)

Ao jornal inglês “The Guardian”, Nick Cushing, que foi técnico da atleta no Manchester City, disse que Walsh tem “um olho infalível para passes” e a descreveu como “a jogadora taticamente mais inteligente com quem já trabalhei”.

Alessia Russo: a versátil camisa 9

Alessia Russo terá a árdua missão de substituir a maior artilheira da história da Inglaterra, Ellen White, que anunciou a aposentadoria após a conquista da Eurocopa no ano passado.

Alessia Russo
Alessia Russo (esq.) duela com Kathellen (dir.) em Inglaterra x Brasil, pela Finalíssima.

A marca registrada da atacante, recém-contratada pelo Arsenal, é a versatilidade. Apesar de ter faro de gol, Russo também é habilidosa para proteger a bola com o corpo, além de ser uma boa cabeceadora. Na última temporada pelo Manchester United, ela marcou 10 gols em 20 partidas na Women’s Super League e ajudou as Red Devils a chegarem à final da Copa da Inglaterra de 2022/23.

A experiente comandante Sarina Wiegman

Foto: Icon Sport

Depois de passar por alguns clubes na Holanda e ter atuado de forma interina na seleção feminina do país, Sarina Wiegman assumiu o comando efetivo das Leoas Laranjas em 2017. E a professora já chegou impondo respeito. No mesmo ano, conquistou a Eurocopa e dois anos depois levou a seleção dos Países Baixos para a final da Copa do Mundo.

Em 2021, a holandesa foi anunciada como substituta de Phil Neville para ser a nova treinadora da Inglaterra. E não teve outra: no ano seguinte, ela levou às britânicas ao título inédito da Euro, feito que o time masculino ainda não alcançou.

A carreira vitoriosa de Sarina garantiu à técnica três prêmios do Fifa The Best, em 2017, 2020 e 2022.

Até onde a Inglaterra vai chegar?

Como dissemos, a Inglaterra é a grande favorita a levantar a taça no Mundial disputado na Oceania. O retrospecto também está a favor das Lionesses: na Eurocopa, a Inglaterra marcou 22 gols, alcançando seis vitórias em seis jogos. O time sofreu apenas dois gols na competição inteira, sendo um contra a Espanha, nas quartas, e outro da Alemanha, na final.

Só não é possível colocar as Leoas como disparadas devido aos desfalques. A artilheira Ellen White e a meio-campista Jill Scott se aposentaram após a Euro. Além delas, a atacante Frank Kirby (Chelsea), a zagueira Leah Williamson (Arsenal) e a camisa 9 Beth Mead (Arsenal), vencedora da Chuteira de Ouro da Euro 2022, estão fora por lesão.

Ainda assim, a torcida inglesa pode permanecer animada com a possibilidade de título. A jornada das Leoas na Oceania começa no sábado (22), às 6h30 (horário de Brasília), contra o Haiti, pelo grupo D.

Maria Tereza Santos
Maria Tereza Santos

Jornalista pela PUC-SP. Na PL Brasil, escrevo sobre futebol inglês masculino E feminino, filmes, saúde e outras aleatoriedades. Também gravo vídeos pras redes e escolhi o lado azul de Merseyside. Antes, fui editora na ESPN e repórter na Veja Saúde, Folha de S.Paulo e Superesportes.