Como foi o primeiro ano de Klopp no Liverpool?

Um elenco totalmente diferente, muitas lesões e dois vice-campeonatos. Você lembra?

0
847
Estreia de Klopp no Liverpool
IAN KINGTON/AFP via Getty Images

Recentemente, Vanderlei Luxemburgo, então técnico do Palmeiras, usou a primeira temporada do Liverpool sob o comando de Jürgen Klopp para tentar justificar a turbulência no alviverde. De fato, o primeiro ano do alemão em Anfield não foi nenhuma maravilha, mas também esteve distante de ser péssimo.

Para que o time se fizesse vencedor e forte em tudo o que disputa, foi preciso um trabalho a longo prazo, com respaldo da diretoria, uma verdadeira reconstrução de um gigante que se encontrava adormecido. Cercado de expectativa, Klopp foi anunciado em 8 de outubro de 2015 para assumir a vaga deixada por Brendan Rodgers.

Logo de cara, Klopp pediu para que a torcida virasse a chave, dizendo: “Precisamos parar de duvidar e começar a acreditar”. Assim, mesmo sendo para lá de especial, o treinador se classificou como “Normal One” e deu a histórica declaração de que talvez teria que ir para a Suíça se em quatro anos o clube não conquistasse um título. Não foi necessário.

Bryn Lennon/Getty Images

A(s) conquista(s) vieram, no plural. Mas, para chegar lá, o trabalho foi árduo. Especialmente na dura primeira temporada.

Leia mais: The Kop: o coração de Anfield e a essência do Liverpool

Klopp no Liverpool: como tudo começou

Em 17 de outubro de 2015, o treinador alemão fez sua estreia no Liverpool, exatos nove dias depois de ser anunciado pelos Reds. Naquele dia, visitou o Tottenham de Mauricio Pochettino no antigo White Hart Lane, em partida válida pela 9ª rodada da Premier League 2015/2016. E o resultado foi um suado empate em 0 a 0.

Klopp mandara a campo Mignolet, Clyne, Skrtel, Sakho, Alberto Moreno, Emre Can, Lucas Leiva, Milner, Lallana, Phillippe Coutinho e Origi. No banco, tinha Bogdan, Kolo Touré, Randall, Allen, João Carlos Teixeira, Jordan Ibe, Sinclair e Ings. Mas nem chegou a fazer as três substituições que tinha direito. Lançou mão já depois dos 35 do segundo tempo de apenas duas mudanças. Allen no lugar de Lallana e Ibe na vaga de Coutinho.

Estreia de Klopp no Liverpool
IAN KINGTON/AFP via Getty Images

No jogo seguinte, estreou em Anfield diante do Rubin Kazan em duelo válido pela 4ª rodada da fase de grupos da Liga Europa. Empatou de novo, desta vez com gols, em 1 a 1. A igualdade e o placar se repetiram diante do Southampton pela Copa da Liga. A primeira vitória de Klopp a frente do Liverpool só veio no quarto jogo, ao bater em casa o Bournemouth, também pela Copa da Liga, com gol solitário de Clyne.

Após a primeira vitória pelo clube, veio também a primeira na Premier League, um 3 a 1 em pleno Stamford Bridge em cima do Chelsea, com dois de Coutinho, que se consolidava cada vez mais como o craque do time. Como o futebol não é feito só de vitórias, não demorou para aparecer a primeira derrota no caminho de Klopp. Dentro de casa, os Reds foram superados pelo Crystal Palace, por 2 a 1.

Leia mais: As contratações mais caras da história do Liverpool

Um time de lesionados

Jurgen Klopp junto a Phillippe Coutinho, saindo lesionado de campo, durante partida com o Stoke City, em janeiro de 2016
Clive Mason/Getty Images

O time evoluía pouco a pouco, evolução ligada também ao fator físico. Os jogadores passaram a ter que correr muito mais e os que possuíam menor mobilidade e forma mais vulnerável acabaram indo para o final da fila de opções do técnico. A mudança de filosofia teve impacto até mesmo na resistência de alguns. Com o surgimento contínuo de lesões, em dado momento da temporada Klopp teve 11 jogadores fora.

Ficaram no departamento médico cinco zagueiros, três meio-campista e três atacantes ao mesmo tempo. De problemas menores que exigiam menos tempo de recuperação até lesões mais sérias com período mais curto para o retorno das peças. Houve de tudo e o treinador precisou se virar com o elenco que tinha.

Vale lembrar que o Liverpool terminou a temporada com os goleiros Mignolet, Bogdán, Ward; os defensores Clyne, José Enrique, Kolo Touré, Lovren, Gomez, Sakho, Moreno, Caulker, Ilori, Skrtel, Flanagan, Smith, Randall; os meio-campistas Milner, Henderson, Coutinho, Lallana, Lucas Leiva, Emre Can, Allen, Brannagan, Ibe, Stewart, Kent, Rossiter, Teixeira, Ojo, Chirivella; e os atacantes Benteke, Roberto Firmino, Sturridge, Origi, Ings e Sinclair.

Desempenho nas competições

Handout/UEFA via Getty Images

Em termos de resultados, o Liverpool não teve uma temporada que possa ser considerada desastrosa. Altos e baixos, com oscilação natural para uma equipe em claro processo de transição em suas ideias de jogo.

De negativo, a eliminação diante do West Ham na quarta fase da Copa da Inglaterra. Na temporada mágica em que o Leicester de Claudio Ranieri alcançou a façanha do título inédito da Premier League, o Liverpool de Klopp não conseguiu brilhar, tendo somado 60 pontos e ficando fora da Liga Europa da temporada seguinte.

Já do lado positivo, dois vice-campeonatos foram obtidos pelos Reds naquela temporada em competições eliminatórias. O primeiro, em fevereiro de 2016, na Copa da Liga, quando perdeu para o Manchester City de Guardiola nos pênaltis, após empate em 1 a 1 no tempo normal. O segundo vice veio em maio, com a virada do Sevilla de Unai Emery na decisão da Liga Europa, que terminou em 3 a 1 para os espanhóis.

Julian Finney/Getty Images

No torneio continental, aliás, se o título não veio, ao menos o caminho traçado pelo Liverpool teve doses notáveis de demonstração de grandeza e força por parte dos Reds. Nas oitavas de final, derrubaram o rival Manchester United. Na sequência, nas quartas, o Borussia Dortmund, ex-clube de Klopp, com direito a jogo da volta épico em Anfield com classificação nos últimos minutos. Já na semifinal, vitória convincente sobre o Villarreal.

Leia mais: Títulos do Liverpool: confira lista de troféus dos Reds

Números da primeira temporada de Klopp no Liverpool

Sob o comando de Klopp, o Liverpool fez 52 jogos na temporada 2015/2016. Nesses, foram 23 vitórias, 17 empates e 12 derrotas. Os Reds marcaram 87 gols e balançaram as redes em 79% dos jogos, com média de 1,67 gol por jogo em seu ataque. Em contrapartida, a defesa era um problema, tendo sofrido 58 tentos sob o comando do alemão, vazada em 65% dos jogos que fez, com uma média de 1,12 gols tomados por jogo.

Se contarmos as partidas contra adversários do Big Six mais o clássico municipal contra o Everton, o time de Klopp fez 15 jogos. Foram 5 vitórias (uma sobre United, Everton, Chelsea e duas sobre o City), oito empates (um com Everton, City, United, Chelsea e dois com Tottenham e Arsenal) e apenas duas derrotas (ambas para o Manchester United).

Entre as maiores sequências, foram cinco jogos sem vencer entre o fim de janeiro e começo de fevereiro de 2016; apenas duas derrotas seguidas na temporada inteira entre o final de abril e início de maio de 2016; e oito jogos sem perder entre a metade de fevereiro e a metade de março de 2016.

Leia mais: 10 jogadores que atuaram por Liverpool e Everton