Paulo Andrade deixa a cobertura da Premier League e eu posso ser o culpado

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Vi a notícia que Paulo Andrade vai deixar a cobertura da Premier League e não deu para evitar um sentimento de culpa. Será que sou eu o responsável?

É possível, sim. Cruzei com o grande narrador no Maracanã semana passada, no jogo entre o Fluminense e a LDU, pela Recopa Sul-Americana. Falei que estava contando com ele para ser a arma secreta na minha campanha, como torcedor do Tottenham, para impedir o título do Arsenal

Bastaria ele fingir uma intervenção do VAR depois de um gol dos Gunner e ficar narrando como se ainda tivesse 0 a 0. Ele não mostrou muita fé no meu esquema — e logo depois veio o jogo contra o Sheffield United, onde o Arsenal foi empilhando um gol atrás do outro, de uma forma que nem o narrador mais parcial seria capaz de negar. 

Será que foi esse o momento em que Paulo Andrade sentiu a pressão e resolveu buscar novos ares?

Sorte para ele, e, sem clubismo, sorte para o Arsenal — eles vão precisar dela para levar o título!

Arsenal: melhor ataque e melhor defesa

O momento do time de Arteta é realmente espetacular: 8 vitórias consecutivas na Premier League, marcando 31 gols e levando 3.  Não tem um centroavante goleador, como Haaland ou Darwin Nunez.  Sem problemas: os gols estão sendo distribuídos pelo time.

Depois do massacre do Sheffield United, o Arsenal tem o melhor ataque e a melhor defesa da Premier League.

Estou preocupado, não posso negar. 

Busco consolo no seguinte raciocínio: que não se ganha os títulos grandes nas goleadas, mas sim nos jogos difíceis e bem disputados.

O próprio Arsenal já sabe disso ao buscar sua primeira Liga dos Campeões. No meio dessa procissão das vitórias fáceis domésticas, perdeu o jogo de ida por 1 a 0 para o Porto e vai ter que correr atrás de prejuízo na semana que vem. 

E a graça do mês de março na Premier League é que duas vezes no mês a gente tem confrontos diretos entre dois dos três candidatos ao título. Jogos onde é pouco provável que o destino dos pontos seja selado antes do intervalo.

No domingo, claro, tem o enfrentamento dos titãs entre Liverpool e Manchester City. Um time vai deixar de ganhar — ou os dois em caso de empate. Enquanto isso, em casa contra o Brentford, o Arsenal tem tudo para terminar a rodada em segundo lugar, ou até na liderança.

Martinelli Arsenal
Gabriel Martinelli comemorando gol com o resto do time do Arsenal (Foto: Icon Sport)

Mas o que vai definir as coisas são os confrontos diretos. É verdade, o Arsenal já enfrentou o Liverpool este ano — o seu grande momento atual tomou impulso com uma vitória de 3 a 1 um mês atrás. Antes, empatou em Anfield. Superou o Liverpool. E venceu o City em casa também, 1 a 0 em outubro, com o gol de Martinelli no final. No dia 31 vai pegar o City em Manchester. 

É o momento da verdade, na casa do atual campeão. 

Confio no City, até mais que três meses atrás. As voltas de De Bruyne e Haaland são fundamentais, e tem sido excelente assistir o crescimento de Phil Foden nas suas ausências. Mas as pretensões do Arsenal são bem sólidas, com o time mais maduro em comparação com a temporada passada 

Pode ser o jogo decisivo. Vou buscar a ajuda de Paulo Andrade.

Tim Vickery
Tim Vickery

Tim Vickery cobre futebol sul-americano para a BBC e para a revista World Soccer desde 1997, além de escrever para ESPN e aparecer semanalmente no programa Redação SporTV. Foi declarado Mestre de Jornalismo pela Comunique-se e, de vez em quando, fica olhando para o prêmio na tentativa de esquecer os últimos anos de Tottenham Hotspur.