City ‘malandro’ e Chelsea honesto: os times que mais mexem na bola em cobranças de falta na Premier League

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O atacante Ivan Toney voltou ao futebol profissional depois de ser banido por conta de apostas esportivas há uma semana — o suficiente para render outra polêmica. Em seu gol de falta na vitória do Brentford por 3 a 2 sobre o Nottingham Forest no último sábado (20), pela Premier League, foi criticado por mexer na posição da bola antes da cobrança.

O Forest ficou enfurecido após o jogo, pedindo uma resposta oficial para a pergunta sobre se os jogadores podem mover a bola e traçar suas próprias linhas para uma cobrança de falta. “Todo mundo na sala terá visto o deslocamento da bola, e a regra é clara”, disse o treinador Nuno Espírito Santo.

Depois de tanta polêmica, o site inglês “The Athletic” decidiu fazer um levantamento de todas as faltas cobradas na atual temporada da Premier League. Os dados mostram que quem mais mexe na bola é o Manchester City, enquanto Arsenal e Chelsea são alguns dos “mais honestos” antes das cobranças.

Burlando a regra na Premier League

A vítima da ocasião foi o infrator em outro momento. Contra o Manchester City, no primeiro turno, Morgan Gibbs-White move a bola para trás para ter mais espaço para o chute passar por cima da barreira, enquanto Moussa Niakhate apagava a espuma do árbitro Anthony Taylor.

Ao contrário da cobrança de falta de Toney, o chute de Gibbs-White bate na barreira e vai para fora do gol. Tirando Rúben Dias, ninguém percebe, e o incidente é esquecido. O mesmo tipo de coisa ocorre em dezenas de cobranças de falta a cada temporada.

De acordo com o livro de regras da Federação Inglesa (FA), as cobranças de falta devem ser feitas “do lugar onde ocorreu a infração”, agora marcado pela espuma do árbitro, mas a controvérsia sobre o gol de Toney mostra como são tomadas liberdades.

— Acho que você tem um metro para cada lado. Eu só movi e curvei ao redor da barreira – disse o atacante do Brentford após a partida.

Embora o Forest — que fez a reclamação inicial sobre o movimento da bola — lidere a Premier League em porcentagem, eles fizeram apenas duas cobranças diretas de falta nesta temporada, o menor número da divisão.

Por outro lado, o Manchester City é o infrator mais comum na liga, e por alguma distância. A equipe de Pep Guardiola tentou mover a bola em 40% de suas tentativas nesta temporada (oito de 20), com Julian Alvarez (seis) fazendo isso mais do que qualquer outra equipe na liga como um todo.

Cole Palmer, cobrador de faltas do Chelsea, é outro que nunca se envolve em artimanhas: entre todos os cobradores da Premier League, sua técnica é a mais simples. Ele coloca a bola no chão muito cedo, na espuma do árbitro, se aproxima e chuta.

Mas se ele escolhesse mudar esse hábito, uma vez que ainda não marcou um gol de falta na carreira, há três técnicas principais que pode usar. Dadas as limitações de espaço e tempo, são simples: para frente, para trás, para o lado, mas cada uma delas é usada por um motivo diferente.

‘Como burlar a regra'

Além do levantamento, o The Athletic dissecou as diferenças de como os jogadores burlam a regra mudando a bola de posição antes da cobrança. A maneira mais comum de mover a bola, contraditoriamente, é para trás, longe do gol.

Isso geralmente é visto perto da área do pênalti, onde os jogadores querem levantar a bola por cima da barreira. Movê-la um pouco para trás pode fazer uma diferença significativa, permitindo que a bola tenha uma trajetória muito mais rasa.

(Foto: Icon sport)

O lateral-direito do Newcastle, Kieran Trippier, já falou publicamente sobre usar isso para ajudar em suas cobranças de falta. Contra o Everton em dezembro do ano passado, ele fez um gesto para o árbitro Tim Robinson de colocar a bola precisamente no local antes de rolar um pouco para trás, abrindo espaço perto da trave mais próxima se ele pudesse usar o espaço para vencer a barreira.

No gol mais famoso da carreira de Trippier, na semifinal da Copa do Mundo de 2018 contra a Croácia, ele faz a mesma coisa. A bola está inicialmente diretamente sobre a marca, mas no processo, o jogador a rola para trás. Seu chute só ultrapassa a parede croata por cinco centímetros a caminho da rede.

Apesar de ser uma prática comum e ilegal, dentro das leis do jogo, é uma polêmica que só cresce quando há um gol. E foi o que aconteceu no caso de Toney.

Guilherme Ramos
Guilherme Ramos

Jornalista pela UNESP. Escrevi um livro sobre tática no futebol e sou repórter da PL Brasil. Já passei por Total Football Analysis, Esporte News Mundo, Jumper Brasil e TechTudo.

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