O Chelsea de Tuchel e suas principais mudanças

O Chelsea teve uma mudança de postura estrutural, tática e comportamental com a chegada de Thomas Tuchel

chelsea tuchel
Andy Rowland Imago Images

Thomas Tuchel estava longe de ser a primeira opção dos torcedores do Chelsea como treinador do clube. Porém, os números têm impressionado: são 10 vitórias e quatro empates desde que chegou. A pressão pós-perda e o modo de aprendizagem guiada são algumas das mudanças que tem feito a diferença no estilo de jogo dos Blues.

Gegenpressing

O gegenpressing é o termo alemão para se definir o counter-pressing, que nada mais é do que a pressão no adversário após a perda da bola. Dessa forma, esse tipo de transição defensiva consiste em intensidade para recuperar a posse de bola e os seus principais comportamentos são pressão no portador da bola, recomposição e organização estrutural.

Primeiramente, é um estilo de jogo constante, intenso e conjunto. Isso porque requer da marcação zona para pressionar o adversário e o portador da bola para conseguir sua recuperação após a perda. Com o reestabelecimento da posse, os jogadores se recompõem em suas posições e se organizam na estrutura ofensiva para a construção de novas jogadas.

Por exemplo, um dos treinadores que implantam o gegenpressing é o alemão Jürgen Klopp. O técnico do Liverpool até denomina o estilo de jogo como heavy metal devido à sua agressividade. Além da utilização de dois alas habilidosos (Andrew Robertson e Trent Alexander Arnold), o seu meio-campo é movimentado por Jordan Henderson e Thiago e defendido por Fabinho. Por fim, o trio de ataque é bastante agressivo com Mohamed Salah, Sadio Mané e Roberto Firmino, atacantes que pressionam a saída de bola adversária.

O gegenpressing de Tuchel

No caso do Chelsea, a utilização dos alas (Reece James/Callum Hudson-Odoi e Marcos Alonso/Ben Chilwell) é essencial para trazer mais dinamicidade e controle de espaço ao sistema.

Dentro disso, a linha de frente é apresentada com velocidade para forçar o erro e as fraquezas da defesa. Em consequência, os cinco jogadores avançados se posicionam em ângulos diagonais para facilitar o passe com precisão e os zagueiros se instalam mais à frente com o intuito de deixar o ataque adversário em posição de impedimento.

À primeira vista, tem-se a ideia que este estilo de jogo resulta em uma defesa mais vulnerável devido aos blocos altos. Contudo, é unanimidade que algo que evoluiu com Tuchel nos Blues é o poder da zaga. Não é à toa que foram apenas dois gols sofridos em 14 jogos.

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Comparação entre Lampard e Tuchel

Enquanto Frank Lampard utilizava uma linha de quatro na defesa e o meio-campo composto por Mateo Kovacic, Jorginho/Kanté e Mason Mount, Thomas Tuchel utiliza três zagueiros, dois alas e dois meias – Kovacic e Jorginho / Kanté. No ataque, o alemão escala dois pontas e o centroavante, que pode variar entre Timo Werner, Olivier Giroud, Tammy Abraham e Kai Havertz. Ademais, o camisa 29 também pode se posicionar como falso nove dentro do esquema.

Por outro lado, com Lampard, havia uma zaga mais definida e fixa – Thiago Silva e Kurt Zouma, deixando Antonio Rüdiger e Andreas Christensen reservados para jogos menores – já Tuchel utiliza bastante os zagueiros que tem à sua disposição. Na ausência de Thiago, chegou a usar Rüdiger, Christensen e César Azpilicueta no confronto contra o Atlético de Madrid. Inclusive, o dinamarquês era um dos mais criticados pela torcida e agora até foi indicado a jogador do mês de março da Premier League.

Evolução de jogadores

Sobretudo, Jorginho e Kovacic tem se destacado pela grande movimentação durante as partidas. Não é à toa que a maioria dos mapas de contato e de calor divulgados tanto pelos analistas de desempenho – como Perfect Play e Sofascore – são dos dois jogadores. Dessa forma, eles se tornaram peças fundamentais no time, tanto para a construção de jogadas como pela marcação pressão focada em jogar no erro do adversário.

Após 14 jogos no comando de Tuchel, podemos perceber a evolução de alguns jogadores do Chelsea. Mount que antes era apenas um articulador, também ganhou espaço para finalizações – e tem treinado para aumentar a sua efetividade.

Como resultado, os alemães Havertz e Werner também melhoraram suas aparições nas partidas, tornando-se mais presentes e causando mais perigo aos adversários. Por último, Hakim Ziyech aparece mais no plantel titular e voltou a marcar gols pelo clube.

Comparação da estrutura tática do Chelsea de Lampard e do Chelsea de Tuchel.
Comparação entre a formação tática de Lampard e de Tuchel.

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Mudança comportamental

Entretanto, não é só a mudança estrutural e tática, também é comportamental. Frank Lampard era um técnico mais sério e que pouco dava orientações na beira do gramado durante as partidas. Segundo o The Athletic, o treinador era distante e sequer falava com jogadores. Dessa forma, tais características contribuíram para o desgaste no relacionamento com alguns membros da equipe.

Thomas Tuchel tem um relacionamento completamente diferente com o elenco do Chelsea. É um técnico mais brincalhão e comunicativo, que além de fazer brincadeiras com os jogadores também dá orientações durante o jogo. O alemão tem reações espontâneas após as jogadas e sempre chama os jogadores para guiá-los – algo que já foi visto com Werner e Hudson-Odoi.

Além disso, um tópico interessante é a chamada aprendizagem guiada. Consiste na orientação do treinador de forma a incentivar o jogador a cumprir o objetivo traçado, sem dar direções específicas.

O técnico só determina o objetivo final e os jogadores devem pensar nos meios para atingi-lo. Isso os induz a pensar rapidamente e a criar o seu próprio raciocínio. Em consequência, a estratégia e a criatividade do time são desenvolvidas, resultando em variedade no repertório e em imprevisibilidade para o seu adversário.

O Chelsea de Tuchel tem grandes desafios nos próximos dias. Além da briga pela vaga no G4 da Premier League, os Blues enfrentam o Porto nas quartas de final da Champions League na próxima semana e o Manchester City pela semifinal da FA Cup daqui a 15 dias.