Canedo: Diniz deveria olhar ainda mais para a Premier League para montar sua seleção

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A Premier League é absolutamente dominante quando falamos de jogadores da seleção brasileira. Na lista para os jogos contra Venezuela e Uruguai pelas eliminatórias são oito nomes, mas algumas ausências já podem ser consideradas um pequeno incômodo para quem, pelo menos, enxerga o início de um novo ciclo como oportunidade ideal para novos nomes se firmarem.

É claro que nem sempre se pode ter o elenco todo à disposição. Alguns se lesionaram desde a última Data Fifa, e Fernando Diniz tem total direito de ter as suas preferências – inclusive eu sou contrário ao discurso de terra arrasada e necessidade de reformulação pesada. Temos ótimos jovens e uma base já formada.

Mas olho para a convocação (e os respectivos substitutos por lesão) e tenho a sensação de que estamos ainda um pouco distantes da nossa força máxima.

Brasileiros que estão voando na Premier League

Por exemplo: penso que quatro nomes da Premier League deveriam fazer parte desse grupo em condições normais. Douglas Luiz, que vem pedindo passagem no Aston VillaJoelinton, polivalente no Newcastle, Lucas Paquetá, um dos melhores jogadores em atividade na Inglaterra, e Gabriel Martinelli, que voltou de lesão no Arsenal antes da hora marcando o gol da vitória sobre o Manchester City.

Desses eu já não abriria mão, especialmente considerando os nomes que foram chamados. E todos eles com idade para mais de um ciclo.

E, sim, eu sei que Paquetá está afastado pela investigação sobre o seu envolvimento com apostas esportivas, mas enquanto estiver atuando no West Ham não vejo problema. É realmente um jogador para acompanhar de perto nesta temporada, e parece pronto para dar o salto (não à toa já estaria no Manchester City não fosse o problema extracampo).

Por outro lado, dentro da própria Premier League, não sei se o momento de Casemiro, Richarlison e Matheus Cunha são merecedores de uma convocação. Entendo e respeito as escolhas do Diniz, mas talvez optasse por outros atletas, e aí nem precisariam ser da Inglaterra, como João Gomes ou João Pedro, por exemplo. Há talento brasileiro por todos os lados.

Desafios de Diniz na Seleção

Menos mal nesse cenário que os desafios mais competitivos só começam a acontecer na Copa América do ano que vem. Em novembro tem a Argentina pela frente no Maracanã, será um bom termômetro, mas as eliminatórias com seis vagas diretas não ajudam a criar um senso de relevância.

Elenco por elenco, essa atual convocação não me diz muito sobre o potencial da seleção brasileira. Temos muito talento, e só consigo admitir a França à frente em qualidade e quantidade. Portugal, Inglaterra, Argentina e outros estão na melhor das hipóteses na mesma prateleira.

A ocasião pede que sejamos menos radicais. Diniz ainda tem tempo para encontrar o time, em seguida será a vez de Ancelotti. Acredito realmente que as mudanças acontecerão com o tempo. Até lá nossa corneta será pontual, sempre de olho em quem está performando, especialmente na Premier League.

Confira a lista de convocados para a seleção brasileira

Goleiros

  • Alisson (Liverpool)
  • Ederson (Manchester City)
  • Lucas Perri (Botafogo)

Laterais

  • Danilo (Juventus)
  • Vanderson (Monaco) – Substituído por Yan Couto (Girona-ESP)
  • Caio Henrique (Monaco) – Substituído por Guilherme Arana (Atlético-MG)
  • Renan Lodi (Olympique de Marselha) – Substituído por Carlos Augusto (Inter de Milão)

Zagueiros

  • Bremer (Juventus)
  • Gabriel Magalhães (Arsenal)
  • Marquinhos (Paris Saint-Germain)
  • Nino (Fluminense)

Meias

  • André (Fluminense)
  • Bruno Guimarães (Newcastle)
  • Casemiro (Manchester United)
  • Gerson (Flamengo)
  • Raphael Veiga (Palmeiras)

Atacantes

  • Gabriel Jesus (Arsenal)
  • Matheus Cunha (Wolverhampton)
  • Neymar (Al-Hilal)
  • Raphinha (Barcelona) Substituído por David Neres (Benfica)
  • Richarlison (Tottenham)
  • Rodrygo (Real Madrid)
  • Vinicius Junior (Real Madrid)
Victor Canedo
Victor Canedo

Victor Canedo trabalhou por 12 anos como repórter de futebol internacional no Grupo Globo. E até hoje mantém o hábito de passar as manhãs e tardes dos fins de semana ouvindo a voz de Paulo Andrade. Para equilibrar a balança dos colunistas deste site, é torcedor do Arsenal desde Titi Henry.