Por que o nome ideal para a seleção brasileira é José Mourinho

6 minutos de leitura

As mais recentes notícias sobre a cadeira de técnico da seleção brasileira indicam uma novidade: segundo “O Globo” e “ge”, Dorival Júnior é o nome da vez do presidente Ednaldo Rodrigues, reconduzido à presidência da CBF após uma liminar.

O nome ganhou ainda mais força após a demissão de Fernando Diniz, anunciada nesta sexta-feira (5), um treinador que chegou a ser bancado por Rodrigues como interino até junho de 2024.

Antes de tentarmos entender o que isso significa, as implicações políticas, trato logo de cortar pela raiz para apresentar o meu nome – e que certamente já tem os seus simpatizantes: José Mourinho.

Tudo bem, eu sei que a CBF acabou de levar um pé na bunda de Carlo Ancelotti e que entrar numa negociação com Mourinho, abraçar a ilusão e receber outro “não” poderia danificar ainda mais a imagem da entidade.

Mas eu prefiro pensar que é o destino apresentando a oportunidade para o casamento perfeito. E há diversos motivos para acreditarmos na viabilidade do negócio – e também no tiro certeiro a dois anos da Copa do Mundo.

Fernando Diniz em convocação da seleção brasileira (Foto: Icon Sport)
Fernando Diniz em convocação da seleção brasileira (Foto: Icon Sport)

1. Mourinho = título

Primeiro porque Mourinho é um dos treinadores mais vitoriosos da sua geração. Ele ganhou oito ligas nacionais, oito Copas, duas Champions League, uma Liga Europa e uma Conference League.

As Champions são especiais por terem sido conquistadas com Porto e Inter de Milão, e não por Chelsea ou Real Madrid, clubes notoriamente com maior orçamento. É uma das marcas da sua carreira ter levado os dois times à glória quando poucos acreditavam (no caso da Inter, a probabilidade era um pouco maior).

No Real Madrid, podemos dizer que Mourinho perdeu a guerra contra o Barcelona de Messi e Guardiola, mas colecionou algumas batalhas memoráveis, como a LaLiga da temporada 2011/12, em que estabeleceu o recorde de pontos (100) e gols (121), ambos insuperáveis até esta data. Ou a Copa do Rei de 2010/11, vencida sobre o Barça com gol de Cristiano Ronaldo na prorrogação.7

2. Arquiteto de defesas perfeitas

Defender também é uma arte que Mourinho dominou ao longo da carreira. O seu primeiro Chelsea, na temporada 2004/05, é até hoje quem menos sofreu gols numa edição de Premier League. Apenas 15!

Depois, nos duelos de mata-mata, Mourinho não teve vergonha de estacionar o ônibus em sua grande área, numa tradução literal para “park the bus”, expressão usada até com cunho pejorativo. Mas, por vezes, dava certo – e, convenhamos, dificilmente o Brasil teria sofrido o empate da Croácia naquelas condições se o português estivesse à beira do campo. Deixa pra lá.

3. Treinador já passou pelo auge entre os clubes europeus

Mas não é que Mourinho esteja em alta. Inclusive, para sair do futebol de clubes e assumir uma seleção, algo precisa estar fora dos trilhos. E a sua recente trajetória mostra que não há mais clubes de elite o procurando.

Após ser demitido do Manchester United em 2018, assumiu compromisso com o Tottenham, único clube onde não levantou um título sequer desde o Porto. Foram duas temporadas incompletas em Londres até outra demissão, às vésperas da final da Copa da Liga.

E então apareceu a Roma. Ele levou o time ao 6º lugar da Serie A duas vezes, mas os maiores feitos vieram no mata-mata, com o título da inédita Conference League em 2021/22 e a decisão da Liga Europa perdida nos pênaltis no ano seguinte. A Copa do Mundo, como sabemos, é um torneio de mata-mata, de jogos mentais, rico em detalhes.

Entre altos e baixos, Mourinho terá de convencer os donos da Roma que merece ter o seu contrato renovado – ele acaba em junho, a mesma situação de Ancelotti até o acerto com o Real Madrid.

Se ele não ficar, acharei bastante improvável que suba de prateleira no universo dos clubes. E, aos 60 anos, com quase 25 de carreira, poderia simplesmente aceitar o desafio de comandar o Brasil numa Copa. Estou pedindo demais?

Até porque, no futebol de seleções, Mourinho seguramente seria a referência. Já vimos ex-auxiliares vencerem a Copa, como Lionel Scaloni (Argentina) e Joachim Löw (Alemanha), por exemplo. Mas os nomes pesados também triunfaram: Didier Deschamps (França), Vicente Del Bosque (Espanha), Marcello Lippi (Itália).

Não há uma receita de bolo. Eu apenas gostaria que o técnico fosse muito bom.

5. Um ‘cobra da bola’ faria bem à seleção brasileira

Ainda há o fator humano. Mourinho costuma dominar os vestiários por onde trabalha, dizem relatos até de grandes nomes comandados por ele. As coletivas de imprensa também fazem parte do show. Ele gosta dos holofotes, é um centralizador até para levar as pancadas. Um verdadeiro cobra da bola. E ninguém reclamaria da língua.

Mourinho, aliás, é um dos grandes responsáveis por abrir para outros técnicos portugueses o mercado na Europa e no mundo. Hoje é comum ver um compatriota nas principais ligas, e sabemos que conhecimento de futebol não basta para quebrar essas barreiras. Ele foi um dos pioneiros.

Todos esses argumentos foram colocados na mesa sem que eu precisasse dizer que ele é o Special One. E é mesmo. Para a seleção brasileira, neste momento, especialíssimo.

Estou na torcida para que o seu telefone toque nas próximas semanas.

Victor Canedo
Victor Canedo

Victor Canedo trabalhou por 12 anos como repórter de futebol internacional no Grupo Globo. E até hoje mantém o hábito de passar as manhãs e tardes dos fins de semana ouvindo a voz de Paulo Andrade. Para equilibrar a balança dos colunistas deste site, é torcedor do Arsenal desde Titi Henry.