Canedo: Desesperado, Chelsea precisa entender que a vida real não é Football Manager

5 minutos de leitura

O Chelsea da Era Todd Boehly parece um jogador desesperado de Football Manager. Daqueles que não resiste ao ver uma promessa pela frente. E não importa se a necessidade do time é outra: a meta é não deixar passar as oportunidades.

Ainda assim, aproximadamente 1 bilhão de libras (R$ 6,3 bilhões) e três janelas depois, a sensação é que o Chelsea não melhorou. E a temporada recém-iniciada já aparenta ter como destino a frustração.

É claro que Mauricio Pochettino é capaz de encontrar uma equipe e fazer uma campanha de recuperação. O argentino é um grande treinador, com trabalhos consolidados na Premier League (Southampton e Tottenham) e uma experiência no Paris Saint-Germain. E, sem competições europeias, terá semanas livres para treinar.

Além, é claro, de estarmos com apenas duas rodadas. Não quero queimar a largada aqui. Mas, pelo valor recorde desembolsado, a régua deveria ser outra. Tenho certeza que os torcedores pensam dessa maneira.

Por um lado, não há como negar que o futuro parece promissor. No momento em que escrevo o texto, o Chelsea tem em seu elenco 22 jogadores com até 23 anos de idade (mas cuidado: a qualquer momento pode chegar outro jovem do ensino médio). Apenas dois já passaram dos 30: o terceiro goleiro Bettinelli (31) e o zagueiro brasileiro Thiago Silva (38).

No bolo, estão alguns dos nomes mais cobiçados, como Enzo Fernández e Moisés Caicedo. Na frente, Mudryk e Nicolas Jackson. Mais atrás, Badiashile, Levi Colwill, Roméo Lavia, Andrey Santos. Mas, de alguma maneira, a vida real não é Football Manager.

O presente pede maturidade.

Que não necessariamente significa idade, mas experiência. Mudryk tinha menos de 50 jogos pelo Shakhtar quando o Chelsea resolveu atravessar o Arsenal e comprá-lo por até 100 milhões de euros, considerando bônus. Outros tantos, mesmo jogando em algumas das top-5 ligas, não se provaram o suficiente para chegarem além de boas apostas. E convenhamos: o Chelsea já está farto delas.

Desde o início da temporada passada, o time entrou em campo 52 vezes. Conseguiu apenas 16 vitórias. Neste mesmo período, contratou 25 reforços, já considerando o goleiro Djordje Petrovic, do New England Revolution, para o lugar de Kepa, emprestado ao Real Madrid.

As questões do Chelsea

Estamos falando de 50% de contratações a mais do que vitórias! Sério: algum clube possui uma estatística parecida? O que me leva a outras perguntas:

Gastar mais de 100 milhões de libras no Caicedo deve ser motivo de comemoração ou preocupação por não estar atento às oportunidades?

O Chelsea tornou Moises Caicedo a contratação mais cara da história da Premier League - Foto: Site chelseafc.com
O Chelsea tornou Moises Caicedo a contratação mais cara da história da Premier League – Foto: Site chelseafc.com

Será que os diretores saberiam nomear todos os reforços numa brincadeira entre amigos? Ou estão preocupados apenas com a amortização dos contratos longos para evitar o Fair Play Financeiro?

Quando essa política de transferências será contestada internamente?

Com a janela se aproximando do fim e mais buracos no elenco, a solução será gastar. Mas como? Em quem? Por quanto?

Por essas e outras dou razão a Pep Guardiola quando diz que seria morto se o seu Manchester City tivesse gastado o mesmo. Para ele já basta a fama.

Victor Canedo
Victor Canedo

Victor Canedo trabalhou por 12 anos como repórter de futebol internacional no Grupo Globo. E até hoje mantém o hábito de passar as manhãs e tardes dos fins de semana ouvindo a voz de Paulo Andrade. Para equilibrar a balança dos colunistas deste site, é torcedor do Arsenal desde Titi Henry.