Como qualidade surpreendente de Odegaard o coloca como forte candidato a melhor da temporada

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Sabe quando você tem a sensação que um jogador está levitando em campo? Pois bem.

Neste exato momento, há poucos no mundo melhores e mais influentes do que Martin Odegaard.

É uma frase que carrega uma dose calculada de exagero, pois eu não sei se vocês estão vendo o que eu tenho visto de uns meses para cá.

Que o Odegaard “é bola”, na gíria dos boleiros, isso já sabemos há alguns anos. Mas é notável como o norueguês evoluiu a ponto de se tornar tão relevante para um Arsenal que ainda pode passar dos 90 pontos e ser campeão inglês.

E mesmo que não termine com o título, deveria ser forte candidato ao prêmio de melhor jogador da temporada.

Primeiro porque Odegaard é sinônimo de bom futebol. Trata a bola com enorme carinho e domina o fundamento passe como poucos, talvez apenas Kevin De Bruyne dentro da liga.

Além disso, é ele quem dita o ritmo do jogo e lidera os Gunners, tecnicamente e mentalmente, exercendo o status da sua braçadeira. Uma conquista que veio através da sua personalidade.

Odegaard comemora gol do Arsenal
(Foto: Icon sport)

Não foi normal quando Mikel Arteta escolheu Odegaard como capitão em julho de 2022 — ele só tinha 23 anos e duas temporadas de clube. Mas o espanhol viu que o seu comportamento era vital para motivar seus companheiros, ainda que não pareça enérgico ou espalhafatoso.

Faria mais sentido naquele momento, após as saídas de Aubameyang e Lacazette, que a faixa fosse para Xhaka, por exemplo.

Odegaard assumiu a responsabilidade e não decepcionou.

E esse senso de liderança é surpreendente quando também olhamos para o seu passado. Odegaard flertou com a definição de flop, aquele que não corresponde às expectativas, desde que assinou o seu contrato com o Real Madrid no início de 2015.

Nele estava escrito que Odegaard treinaria com o elenco principal, mas nunca foi bom o suficiente para jogar. Tanto que ele se despediu do clube para o Arsenal em janeiro de 2021 com apenas 11 partidas pelo time principal (e seis como titular).

Odegaard pelo Arsenal (Foto: Icon Sport)

Antes disso, já havia defendido o Heerenveen e Vitesse, da Holanda, e Real Sociedad na Espanha. Talvez o Real Madrid não tenha sido a melhor escolha.

O Arsenal foi. Virou sua casa. Os estilos casaram. Cresceu como atleta e líder e hoje posso me considerar um privilegiado de vê-lo jogar.

E para os mais céticos, que pelo menos deem uma chance aos números. Odegaard é, disparadamente, o líder de chances criadas na Premier League em bola rolando. E lidera também com folga a estatística de passes para a grande área nas principais ligas da Europa.

Mais chances criadas na Premier League (excluindo bola parada) até 26/4:

  • Martin Odegaard (Arsenal) – 78
  • Bruno Fernandes (Manchester United) – 64
  • Bukayo Saka (Arsenal) – 63
  • Mohamed Salah (Liverpool) – 59
  • Dejan Kulusevski (Tottenham) – 57

Passes para a área nas top-5 ligas da Europa até 26/4:

  • Odegaard (Arsenal) – 108
  • Florian Wirtz (Bayer Leverkusen) – 81
  • Giovanni Di Lorenzo (Napoli) – 78

Isso sem mencionar a valiosa contribuição defensiva. Odegaard também está entre os que mais recuperam a bola no terço de ataque.

Bolas recuperadas no terço final na Premier League até 26/4:

  • Conor Gallagher (Chelsea) – 38
  • Bukayo Saka (Arsenal) – 35
  • Martin Odegaard (Arsenal) – 31
  • Julian Álvarez (Manchester City) – 31

E se você não é de exatas, aí é só ligar a TV. Que domingo seja mais um dia daqueles, “com todo respeito” ao Tottenham.

Victor Canedo
Victor Canedo

Victor Canedo trabalhou por 12 anos como repórter de futebol internacional no Grupo Globo. E até hoje mantém o hábito de passar as manhãs e tardes dos fins de semana ouvindo a voz de Paulo Andrade. Para equilibrar a balança dos colunistas deste site, é torcedor do Arsenal desde Titi Henry.