A surpreendente campanha da Inglaterra na Copa da Rússia

A Inglaterra, chegou entre os 4 melhores e quer continuar surpreendendo a todos. Você acha que os ingleses finalmente estão prontos para serem campeões?

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Inglaterra

Após campanhas fracassadas nas últimas competições – Copa de 2014 e Euro 2016 -, a Inglaterra finalmente faz um torneio digno. A equipe está entre os 4 melhores, algo que não acontecia desde 1990.

A preparação da seleção inglesa para o Mundial não foi das melhores.

A eliminação vexatória como lanterna na última Copa não bastou para Roy Hodgson ser demitido. A Federação Inglesa (FA) o manteve inexplicavelmente.

O comandante teria chance para mudar sua imagem negativa na Euro que aconteceria dois anos depois do último fracasso.

No torneio realizado na França, vimos o mesmo pragmatismo e um futebol patético de anos atrás.

A seleção avançou para o mata-mata com apenas uma vitória num grupo que contava com Rússia, País de Gales e Eslováquia.

Resultado: eliminação na fase seguinte para a coadjuvante Islândia. O lado bom foi que, finalmente, Roy Hodgson renunciou.

Ingleses lamentando a eliminação para a Islândia. Foto: Getty Images

A FA seguiu cometendo seus erros e apostou em Sam Allardyce, um técnico obsoleto e que havia feito bons trabalhos em times menores. Mais um erro.

Não havia a mínima chance dessa relação render frutos. O treinador foi demitido após ser visto negociando uma comissão para representar estrangeiros que queriam lucrar com a Premier League.

Gareth Southgate, ex-zagueiro e na época treinador da seleção sub-21, foi escolhido como sucessor de Sam Allardyce.

Na opinião desse que vos escreve, é o principal responsável pela boa campanha inglesa.

Formando uma equipe competitiva

Kane comemorando o gol decisivo para a vitória contra a Tunísia. Foto: Getty Images

Inglaterra aproveitou seu grupo fraco nas eliminatórias e se classificou sem sustos para o Mundial.

Durante a caminhada, Southgate usou o tradicional 4-2-3-1, mas, desde a última partida contra a Lituânia, o comandante optou pelo variável 5-3-2.

Esse esquema permite um maior suporte a um elenco jovem e inexperiente em competições de tamanha importância.

Onde estavam os 23 da Inglaterra há quatro anos?

Outro ponto em que o comandante teve extrema importância foi na renovação da equipe. Além disso, conseguiu garimpar boas opções que se destacaram na Premier League.

No gol, por exemplo, exterminou de vez o nome de Joe Hart – que já apresentava declínio há varias temporadas -, e renovou com um dos melhores goleiros da Copa: Jordan Pickford.

Ainda no sistema defensivo, colocou Harry Maguire entre os titulares, e o zagueiro tem sido crucial para a equipe, principalmente, na bola aérea.

Construiu um meio-campo sólido, em que Jordan Henderson lidera e faz a transição entre defesa e ataque.

Outra grata revelação foi potencializar Jesse Lingard, que já vinha de uma boa temporada pelo Manchester United.

Mesmo o meio-campista pecando na finalização em alguns momentos, ele consegue criar várias chances para Raheem Sterling – líder em chances perdidas na seleção – e o artilheiro e melhor jogador da equipe, Harry Kane.

Kane faz uma Copa espetacular. Com 6 gols em 5 jogos, o atacante do Tottenham é o artilheiro do Mundial e é a esperança dos ingleses para continuarem surpreendendo.

Bola parada decisiva

Bola cabeceada por Stones. Foto: Getty Images

Existem muitas maneiras de levar perigo ao adversário, e a bola parada bem trabalhada, sem dúvidas, entra nessas opções.

Há quem condene os times que usam desse artifício, mas no futebol atual e principalmente na Copa – um campeonato de tiro curto -, é de extrema importância jogadas assim.

Claro, não estamos falando de sobreviver apenas com essa jogada, é necessário repertório para potencializar a bola parada.

Southgate conseguiu isso de uma forma muito eficiente. Com uma boa estatura de seus jogadores, o comandante consegue extrair muito bem esse benefício.

Para se ter uma ideia, 8 dos 11 gols na competição vieram da bola parada.

As jogadas que buscam os zagueiros nos escanteios são bem difíceis de marcar e, na maioria das vezes, levam muito perigo.

John Stones Henry Maguire se destacaram ofensivamente nessa Copa, não apenas por ambos marcarem dois gols, mas também por jogadas em que ajeitam para alguém chegar batendo.

Ashley Young, contestado por muitos, vem fazendo uma boa Copa e também é peça-chave nessa jogada – é quem bate os escanteios -.

Além dele, Kieran Trippier também auxilia muito nas cobranças de falta e é um dos melhores jogadores da Inglaterra no Mundial.

Há quem prefira desmerecer a seleção inglesa pelos adversários que enfrentou.

Mas a temida Espanha teve a mesma oportunidade e desperdiçou, quando foi eliminada pela Rússia.

Em resultados, a Inglaterra faz uma excelente e surpreendente Copa, contrariando qualquer previsão antes do Mundial.

Caso seja eliminada nas semifinais, os ingleses caem de pé e as perspectivas para um futuro vitorioso aumentam muito. Aplausos para Southgate e seus comandados.