Brandon Williams: o despertar de um lateral-esquerdo no Manchester United?

Desde a aposentadoria de Patrice Evra, o Manchester United ainda não encontrou um substituto à altura

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Manchester United Brandon Williams Alex Livesey Getty Images Sport
Alex Livesey Getty Images Sport

Em março de 2019, o Manchester United foi a Paris com uma missão quase impossível. Derrotado pelo PSG por 2 a 0 no Old Trafford, os Diabos Vermelhos precisavam de um resultado considerado inalcançável. Ole Gunnar Solskjaer levou vários garotos da base do clube, dentre eles Brandon Williams.

Brandon Williams: O despertar de um lateral-esquerdo (em Old Trafford)

Manchester United Brandon Williams Michael Regan Getty Images Sport
Michael Regan Getty Images Sport

Brandon Paul Brian Williams tem 19 anos. Nasceu em Crumpsall, um subúrbio de Manchester. Torcedor do United desde o berço, integrou rapidamente a base do clube. Brandon fez parte do time que foi vice-campeão da Premier League sub-18 2017/2018, sendo inclusive capitão.

Depois dessa campanha, o lateral-esquerdo foi um dos jovens que assinou contrato profissional com o clube. Entretanto, depois de alçado, o jovem inglês teve de esperar sua oportunidade. Enquanto Luke Shaw se encontrava inapto à primeira equipe, Ashley Young assumiu a lateral esquerda, muitas vezes sob protestos dos torcedores.

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Quando iniciou a temporada 2019/2020, Williams foi relegado ao time sub-23 como capitão, e assim permaneceu até setembro. No dia 25 daquele mês, o United teve sua partida de estreia na Copa da Liga Inglesa contra o Rochdale. O lateral então finalmente pôde dizer que estava em campo como profissional.

Sua atuação não passou despercebida e sua estreia como titular do Manchester United se deu na Liga Europa. No jogo contra o AZ Alkmaar, fora de casa, fez um papel muito defensivo e assegurou um 0 a 0. No jogo seguinte, novamente titular, gerou o pênalti que Antony Martial viria a marcar, garantindo a vitória inglesa.

O United avançou na competição e Williams começou então a figurar no banco de reservas durante jogos da Premier League, entrando principalmente nos minutos finais.

A ascenção Williams

Com Shaw ainda fisicamente abaixo do esperado, o jovem inglês estreou como titular na Premier League contra o Brighton, numa vitória por 3 a 1. De lá para cá, suas performances têm chamado atenção.

“Acho que o lateral moderno é também um atacante. eu gosto de atacar. gosto de defender. eu amo subir e descer”. ( Williams para seu perfil no site do clube)

A definição que Williams aplica a si mesmo, de lateral moderno, explica bem sua mentalidade em campo. O lateral tem a tendência de subir no campo para apoiar os pontas (geralmente Rashford ou James), principalmente preparando uma tabela e entrando na área. Foi assim, por exemplo, que conseguiu o pênalti contra o Partizan. Os números são bons: Williams tem 25 partidas profissionais, com um gol e seis assistências.

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Mas não só de velocidade e infiltração vive o garoto. Com 1,82 m de altura, Williams sabe utilizar o jogo físico contra seus adversários, e sua parte defensiva do jogo é muito bem feita.

Suas agressividade em campo chamou inclusive a atenção de Gary Neville, lenda do Manchester United:

O lado obscuro da Força

Se por um lado, Williams é claramente habilidoso, ele também é, digamos, sanguíneo. Cenas de encaradas e discussões são relativamente comuns ao jovem lateral, e ele até já jogou Hudson-Odoi, do Chelsea, contra a torcida.

Atitudes como essa, além de faltas levemente mais fortes que o normal lhe renderam sete cartões amarelos e uma expulsão nas suas 25 partidas. Não é um número absurdo para um lateral, mas é uma área a ser cuidada pelo treinador. E explorada pelos adversários.

Outro fator ainda a ser trabalhado em Williams é sua visão de jogo. Por vezes, o jovem tenta levar a bola sozinho quando há jogadores com possibilidade de passe ao seu redor. Em outras vezes ele erra passes que não poderia errar, até mesmo em curta distância, tendo que se valer de velocidade para compensar o erro.

Contudo, são correções básicas a qualquer atleta recém-profissional, e mais tempo e experiência deverão corrigi-lo.

Uma nova esperança

Tudo posto, Brandon Williams surge em Old Trafford como uma solução que honra a história dos Red Devils: um jogador da base habilidoso.

Com a saída de Ashley Young, as opções de lateral esquerdo acabam sendo unicamente Luke Shaw e o próprio Williams. Contudo, Shaw ainda está visivelmente fora de forma e sem ritmo de jogo, e a situação de tabela do Manchester United não permite muitos erros de escalação.

Segundo Solskaer, Shaw ainda tem muito potencial, mas precisa de tempo. O técnico dos Red Devils tem incluído os dois laterais em campo, em uma formação onde Shaw atua como um lateral mais defensivo e Williams como um meia esquerdo.

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Essa ideia tática é discutível, pois, veja bem, Williams é muito rápido e incisivo. Shaw (quando em forma e disposto) tem como melhor característica sua marcação um a um e sua técnica. Contudo, Shaw está fora de forma,  o que acaba obrigando Williams a cobrir suas lacunas defensivas, e Shaw então sobra para subir no terreno. Nesses momentos, sua falta de ritmo de jogo fica clara e o ex-titular acaba inviabilizando jogadas com potencial.

Neste momento de meia-temporada, Brandon Williams é fisicamente e tecnicamente o melhor lateral esquerdo que dispõe o Manchester United.

Os Red Devils encontraram em sua própria casa um lateral esquerdo capaz de ser titular da equipe. Basta que Ole Gunnar Solskaer tenha a visão para extrair dele a sua máxima potencialidade.

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