A importância das bolas longas para o Liverpool

Reds derrubam estereótipos de que a ligação direta é um recurso de times com menos recursos

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A importância das bolas longas para o Liverpool
Justin Setterfield/Getty Images

Quando falamos em bolas longas e Campeonato Inglês, normalmente vem à mente o famoso “kick and rush” que por tanto tempo marcou o futebol britânico. Pensando nos tempos atuais, é normal associar a times do meio para baixo da tabela, como o Burnley, que ficou tão marcado por essa característica.

Porém, o Liverpool, melhor time inglês atual, quebra paradigmas quando usa das bolas longas como uma das suas grandes armas para bater adversários.

Ligação direta: as bolas longas do Liverpool

Liverpool bolas longas
Paul Ellis/AFP via Getty Images

Na atual edição da Premier League, os Reds são o quinto time que mais utiliza o recurso da ligação direta (1860 tentativas), sendo o primeiro do Big 6. Houve um aumento em relação à temporada passada.

Em 2018/2019, o Liverpool foi o 15º time nessa classificação (2250 tentativas), sendo o segundo usando o Big 6 como critério.

Para se ter uma noção, o Manchester City campeão da última temporada, foi o 19º time que mais usou bolas longas, com 1814 tentativas. O conjunto de Jürgen Klopp não só adquiriu isso ao seu repertório em relação ao último campeonato como mostra uma diferença em relação ao seu atual grande desafiador.

Os arcos

Se deduz que um time que use desse recurso tenha bons lançadores, afinal, um lançamento errado e você devolve a posse ao seu adversário. O Liverpool não só tem bons lançadores, como tem especialistas nisso.

O zagueiro holandês Virgil van Dijk tem muitos recursos, e um deles sem dúvida é o passe longo. Nessa atual edição, ele possui 55% de acerto nas bolas lançadas e acerta em média 5.4 lançamentos por jogo, sendo o quarto melhor jogador da competição nesse quesito, segundo o Sofascore. Na temporada passada ele teve incríveis 62% de acerto, acertando 5.3 lançamentos por jogo.

Além do zagueiro, cabe um destaque ao goleiro Alisson, referência quando se fala em jogo com os pés. O brasileiro possui uma porcentagem de 49% de acerto nas bolas longas, acertando em média quatro lançamentos por jogo. As suas reposições rápidas podem ser fatais quando o adversário se lança ao ataque, como no marcante gol de Mohamed Salah na vitória por 2 a 0 contra o Manchester United nessa edição.

As flechas

Se é importante ter quem lance, é tão importante quanto ter quem receba. E o mais curioso de tudo é que o atual líder da Premier League não tem aquele pivô típico, um atacante de força e estatura para brigar por essas bolas quebradas como tantos outros times da competição.

Sem ter esse atacante, Klopp usa e abusa da velocidade de seus dois pontas (Sadio Mané e Salah). Como Roberto Firmino é um atacante que se movimenta muito, ele constantemente sai da referência e atrai um zagueiro com ele, deixando um espaço que normalmente é atacado pelos pontas para receberem essa bola longa em profundidade, seja pela defesa ou por algum meio-campista (Jordan Henderson também é qualificado nesse quesito).

Além dos pontas, duas figuras de extrema importância para o funcionamento ofensivo dos Reds são os laterais Trent Alexander-Arnold e Andrew Robertson. São tão fundamentais que também são alvos dessa ligação direta, já que quando o Liverpool tem a bola eles se mandam para o ataque formando muitas vezes uma linha de cinco com o trio de ataque. Ao alargarem o campo, servem como opção de lançamento para van Dijk e companhia.

Justin Setterfield/Getty Images

O hibridismo de Klopp

Esses dados e análises servem para mostrar como a equipe mais dominante da Inglaterra pode ter múltiplas faces. Não é um time que rejeita a bola (sua média de 62,6% de posse exemplifica isso), mas se adapta ao cenário proposto e potencializa a característica dos seus jogadores.

Não existe jeito certo ou errado de jogar futebol e o Liverpool de Klopp derruba estereótipos de que as bolas longas (ligação direta) são um recurso de times com menos recursos. Bom, talvez limitado seja quem se prenda a um único jeito de jogar futebol.

Leia mais: Como era o mundo quando o Liverpool foi campeão inglês pela última vez