Bobby Moore, o zagueiro temido até por Pelé

Moore fez história com a camisa do West Ham e da Inglaterra

2
717
Bobby Moore

Implacável, impecável, herói, sublime e, além disso tudo, uma lenda. Estes são apenas alguns dos adjetivos que podem ser creditados a Robert Frederick Chelsea Moore, o eterno Bobby Moore.

Um dos maiores zagueiros de todos os tempos, o inglês foi o único jogador a levantar uma taça da Copa do Mundo com os Three Lions como capitão. A PL Brasil conta agora a história do defensor que colocava medo até no rei do futebol, Pelé.

Acompanhe a PL Brasil no Youtube
  • Os maiores técnicos da história da Premier League

Bobby Moore, o gentleman

Bobby Moore nasceu no pequeno distrito de Essex, na zona leste de Londres. Logo aos 15 anos, iniciou sua profissão no West Ham, um dos mais tradicionais clubes da Terra da Rainha.

Muito à frente de seu tempo, o capitão da Inglaterra no título mundial de 1966 se destacou desde o início de sua carreira.

Apesar de jogar em um setor tradicionalmente caracterizado por ter jogadores ‘grossos’ e brutamontes, o gentleman da bola, como foi chamado várias vezes, era completamente o oposto.

Bobby Moore, West Ham United

“Moore foi o melhor zagueiro que eu vi na vida.”

“Bobby Moore foi o melhor zagueiro da história do futebol.”

“Bobby era um grande amigo e o melhor zagueiro que eu já enfrentei.”

Estes elogios podem parecer saudosismo para o leitor. Comparações sempre existirão no futebol, e infelizmente, muitas pessoas que acompanham o futebol atual sequer sabem quem foi Bobby Moore. As frases acima foram ditas por Alex Ferguson, Franz Beckenbauer e Pelé, respectivamente.

Sempre perfeito nos desarmes, Moore ganhou notoriedade pela capacidade de antecipação de jogadas. Afinal, ele sempre sabia o que o atacante adversário ia fazer.

Extrema classe e eficiência pelo West Ham o levaram a ser convocado para a seleção inglesa com apenas 19 anos de idade. O resto – para os que gostam da expressão – é história.

Capitão pela primeira vez dos Three Lions com 22 anos, foi questão de tempo para o inglês ser o comandante definitivo daquele time que levantaria a taça de campeão do mundo em 1966, em partida fantástica de Bobby naquela polêmica final contra a Alemanha.

COPA DE 66 E A CONSAGRAÇÃO

Escolhido como capitão pelo técnico Alf Ramsey, Bobby Moore teve a chance de liderar a seleção da Terra da Rainha no Mundial realizado na própria Inglaterra.

Parceiro ao lado de Jack Charlton na zaga e que ainda contava com Gordon Banks no gol, os Three Lions mostraram uma solidez defensiva impressionante que os liderou até às oitavas de final, depois de passarem por um grupo complicado, com Uruguai, França e México, marcando quatro gols e não sofrendo nenhum.

Em seguida, um confronto difícil contra os argentinos nas oitavas. Se o sistema defensivo inglês se destacava, os sul-americanos tinham um quarteto ofensivo composto por Onega, Antonio Rattín, Artime e Más que preocupava e muito Alf Ramsey.

Em mais um jogo daquela Copa marcado por polêmicas, Rattín foi expulso após reclamar de uma marcação do árbitro alemão Rudolf Kreitlen.

Como o juiz não entendeu o que o argentino havia dito e não havia gostado da expressão facial de Antonio, não voltou atrás de sua decisão, deixando o time de Bobby Moore em vantagem, resultando, assim, na classificação para as semifinais do torneio.

Na semifinal da competição, um Portugal de Eusébio – que terminaria como o artilheiro daquela edição –  preocupou Bobby Moore e Jack Charlton. Jogando fechado e marcando bem o craque português, a Inglaterra marcou dois gols com Bobby Charlton.

O luso descontaria para Portugal de pênalti, mas tarde demais. Afinal, a Inglaterra estava classificada e decidiria a Copa do Mundo contra um de seus maiores rivais, a Alemanha, em Wembley.

A final polêmica

Bobby Moore

A disputa entre Inglaterra e Alemanha é certamente tema de muito debate no ambiente futebolístico.

95 mil pessoas compareceram ao Wembley Stadium para ajudar Bobby Moore e a melhor geração de jogadores ingleses da história. Do outro lado, Beckenbauer acabava de aparecer para o mundo. Com times bastante ofensivos, o jogo só poderia resultar em muitos gols.

A Alemanha abriu o placar logo aos 12 minutos com Haller, calando o estádio. No entanto, quatro minutos depois, Hurst igualou o jogo. Peters e Weber marcaram no segundo tempo, levando a partida para a prorrogação.

Leia mais: David Seaman, um goleiro muito além da falha no gol de Ronaldinho em 2002

No início do tempo extra, aconteceu o lance que seria debatido após décadas pelos apaixonados por futebol. Hurst meteu um balaço, a bola pegou no travessão e quicou na linha, saindo para fora do gol.

Após conversas entre o árbitro e seu assistente, o gol foi validado. Para acabar de vez com qualquer discussão, Hurst marcou mais um e fechou o caixão dos alemães. A Inglaterra era campeã do mundo após bater os rivais por 4 a 2.

Momento mágico para Bobby Moore, o inglês, aliás, foi o primeiro e até então único capitão e campeão do mundo com a seleção inglesa. Líder dos Three Lions, Alf Ramsey definiu a lenda dessa maneira:

“Ele é meu capitão, o meu líder e meu braço direito. Ele era a alma e o coração do time. Um jogador de cabeça fria, calculista, a quem eu podia confiar minha vida. Ele era o profissional supremo, o melhor com quem já trabalhei. Sem ele, a Inglaterra nunca teria vencido a Copa do Mundo.”

Posteriormente, Bobby Moore se tornou conhecido no mundo todo após o título mundial. Com 108 jogos pela seleção, é o 5º jogador que mais atuou pela sua nação. Aliás, ainda daria tempo para o capitão inglês fazer bonito na Copa do Mundo de 1970.

Na partida contra o time lendário do Brasil, o desarme sensacional de Moore sobre Jairzinho foi comentado no planeta todo e se tornou até referência pop, visto que aquele momento ficou eternizado no conhecido canto Football’s Coming Home.

But I still see that tackle by Moore
And when Lineker scored
Bobby belting the ball
And Nobby Dancing      

FIM DA CARREIRA E MORTE

Após encerrar a carreira em 1978 como ídolo máximo do West Ham e da seleção inglesa, Bobby tentou, sem sucesso, a carreira como treinador.

Devido a um câncer no intestino, o maior zagueiro inglês de todos os tempos faleceu em 1993.

Terminava ali a história de um dos maiores ícones futebolísticos de todos os tempos.

A referência máxima para os zagueiros se foi, e deixa até hoje uma lacuna na seleção inglesa de futebol. Seu legado é atemporal.

Não há posts para exibir

2 COMENTÁRIOS

Comments are closed.