Blackburn perde 3 pilares com quase 25 anos de clube neste verão

O atual verão tem sido um dos mais movimentados da história recente do Blackburn. O clube conta com: nova comissão técnica, nova direção de futebol e uma filosofia diferente para os próximos anos. Entretanto, o clube não tem conseguido manter nomes importantes no elenco, dentre eles, 3 pilares da equipe nas últimas temporadas.

A princípio, quando Joe Rothwell optou por não renovar seu vínculo com os Rovers, alguns torcedores já questionaram o poder do clube de manter nomes importantes. Porém, compreenderam que o jogador possuía propostas de clubes da Premier League. Já que é sempre uma competição injusta, dada a estrutura dos clubes que participam da liga.

Foto: Reprodução/Blackburn

No entanto, dias depois quando o capitão Darragh Lenihan também deixou a equipe, começaram a surgir revoltas e preocupações por parte da torcida. Pois o zagueiro irlandês foi um dos destaques da equipe na última temporada da Championship.

Por fim, nos últimos dias a saída de um novo jogador importante do elenco do clube, que inclusive é fruto da academia, revoltou ainda mais torcedores nas redes sociais, que questionavam as ambições e esforços do clube. O nome da vez foi Ryan Nyambe, que não chegou a um acordo com os Rovers após meses de negociação e deixou a equipe ao fim de seu vínculo.

Assim, o clube de Ewood Park perdeu 3 jogadores que combinados serviram ao clube por 25 anos. Foram mais de 600 partidas e ainda poderiam ser negociados por um total de aproximadamente 10 milhões de libras.

O que aconteceu para tamanha perda?

Num primeiro momento, o clube admitia que poderia perder algum dos três jogadores. Porém, esperavam conseguir chegar a um acordo pelo menos com dois destes nomes, dada a ligação que tinham com os Rovers. No entanto, por propostas melhores ou, porque o clube não conseguiu assegurar a importância do jogador para o novo projeto, as tentativas foram desmoronando uma a uma.

Vale ressaltar que as negociações acontecem a alguns meses, onde na última temporada Nyambe, por exemplo, teve a opção de extensão de contrato ativada e ainda havia acordado alguns termos em abril. 

Rothwell foi sondado na janela de janeiro por alguns clubes, tendo proposta de até 3 milhões de libras, a qual o Blackburn rejeitou, visando manter o elenco unido e não perder a qualidade do meia.

Por sua vez, a situação de Lenihan é uma das mais complicadas para o clube. Pois, era um dos nomes que o elenco se construía ao redor, tendo impacto tanto técnico como psicológico, dada a sua liderança na equipe. O zagueiro de 28 anos está em seu auge, tornando compreensível que queira um projeto já em desenvolvimento, o que é o oposto do atual momento dos Rovers.

Foto: Reprodução/Blackburn

A situação econômica

Vale ressaltar que a situação econômica da equipe é um empecilho já a algumas temporadas. Esse contexto limita a equipe a ser conservadora no mercado e até mesmo nos salários oferecidos. Além disso, a pandemia do Coronavírus afetou muito a equipe, que tinha as receitas das partidas como grande fonte de renda.

Nesse contexto, a equipe precisou vender Adam Armstrong ao Southampton na última temporada, pois precisava da verba para ajustar o elenco. Inclusive, o atacante possuía um contrato já nos últimos anos, o que limitou o Blackburn e fez com que a equipe só conseguisse 15 milhões de libras por um dos melhores jogadores da liga.

Além disso, os Rovers terão que se preocupar com a situação de Ben Brereton nessa temporada. O artilheiro da equipe também tinha seu último ano de contrato na última temporada. Entretanto, o clube ativou a cláusula de renovação por mais uma temporada, dando-lhes tempo para chegar a um acordo.

Como o clube vê a atual situação

É importante deixar claro que a diretoria do Blackburn está ciente e já busca resolver a atual situação da equipe. Em entrevista ao jornal local Lancashire Telegraph, o chefe executivo  Steve Waggott revelou questões importantes do clube. O CEO falou sobre a situação financeira da equipe, as situações com os jogadores e os planos da equipe para essa nova era.

Foto: Reprodução/Blackburn

“Você nunca quer que alguém saia de graça. É difícil quando se negocia no último ano de contrato. Alguns ficam, outros não. Infelizmente, tivemos três jogadores saindo ao mesmo tempo.”

Quanto a situação dos jogadores que saíram, o dirigente deixou bastante claro: “Joe (Rothwell) disse de antemão que queria ir, ele se comprometeria pelo resto da temporada, como já imaginávamos, mas não afrouxou de forma alguma quanto a ficar”.

“Ele, assim como Darragh (Lenihan) estão em idades parecidas, indo para uma fase importante da carreira, ainda com 3 ou 4 anos em um grande contrato.”

Ao falar sobre Darragh Lenihan, Waggott não escondeu a frustração:

Darragh eu acreditei que ficaria. Oferecemos a ele um ótimo contrato para os nossos padrões e imaginei que com sua liderança e envolvimento com o clube, além de opinar de certas decisões, pudesse ficar.”

“A única forma de ele sair seria se houvesse um acréscimo substancial de seus ganhos em relação à nossa proposta. Acredito que tenha ganho um acréscimo razoável.”

Além disso, o diretor ressaltou o papel do atual treinador do Middlesbrough em sua mudança, já que Chris Wilder é um antigo admirador do zagueiro. Saiba tudo sobre a chegada de Darragh Lenihan ao Boro.

Por fim, quanto a NyambeWaggott disse: “Ryan considerou o seu futuro. Ele veio da academia, jogou diversas partidas conosco. Provavelmente ele acredita que uma mudança é melhor para acelerar sua carreira, o que pode acontecer.”

As preparações para a próxima temporada

Agora, pensando no futuro, os Rovers tem sido mais proativos quanto às situações contratuais. Assim, já conseguiram assegurar um novo acordo com Thomas Kaminski e Lewis Travis

Entretanto, ainda sentem os efeitos da pandemia, tendo enfrentado dificuldades para convencer jogadores a assinar novos contratos. Com as incertezas das consequências da Covid, o clube optou por esperar para oferecer novos termos a seus atletas.

É um contexto difícil para o Blackburn, já que a crescente onda de jogadores virarem agentes livres e deterem todo o controle sobre suas carreiras, dificulta a negociação para clubes com menor poder financeiro.

É importante ressaltar que apesar de todas as dificuldades, o clube está saudável, funcionando de forma sustentável após algumas decisões tomadas para gerar receita. A equipe vendeu o centro de treinamento para uma nova empresa dos donos, além da venda de Armstrong, que entrará no balanço até março deste ano, dando respiro às finanças. 

Por fim, o clube terá que se adiantar para resolver situações contratuais de outros jogadores importantes, como: Dan Butterworth, Tyler Magloire, Daniel Ayala e Brereton. Os contratos destes atletas vence ao fim da temporada 22/23, o que pode fazer o clube voltar a sofrer  com o mesmo problema enfrentado neste verão.

Foto: Reprodução/Blackburn