Como foi a primeira temporada de Arsène Wenger no Arsenal

Técnico francês chegou com certa desconfiança, mas, com o tempo, deu a volta por cima

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Shaun Botterill/Getty Images

Arsène Wenger definitivamente mudou, não só a história do Arsenal, como de todo o futebol inglês. O francês, de 71 anos, passou incríveis 22 temporadas à frente dos Gunners. Além disso, conquistou 17 títulos, entre eles, três Premier League, sendo um deles invicto, com Thierry Henry e companhia.

O experiente técnico é o que mais vezes comandou uma equipe na história da Premier League – com 828 jogos, superando Alex Ferguson, com 810. O escocês ficou 33 anos no comando do Manchester United, porém, de 1986, ano de sua chegada, até 1992, o Campeonato Inglês ainda não se chamava como atualmente.

No entanto, seus anos de triunfo exerceram um desafio aos jogadores do tradicional clube londrino. Anos antes da sua estreia, o time estava com a fama de apresentar um futebol chato. Assim, o caminho para a glória começou a ser estruturado por Wenger em 1996. A PL Brasil embarca com você no primeiro ano do treinador em Londres.

O começo da trajetória de Wenger no Arsenal

Arsène Wenger já tinha seu trabalho visto com certo renome após treinar o Mônaco, no fim dos anos 1980. Por lá, conquistou o campeonato nacional de 1987/1988 e a Copa da França de 1990/1991, além de revelar craques mundiais como George Weah e Lilian Thuram.

Após esse período, o técnico resolveu se aventurar no Japão e, com o Nagoya Grampus, conquistou a Copa do Imperador, em 1995, e ficou em segundo lugar do Campeonato Japonês.

Nesse sentido, já com bagagem na carreira e aos 47 anos, o treinador foi anunciado pelo então presidente Peter Hill-Wood. A medida, por mais que tenha pego de surpresa muitos torcedores, foi a retomada do protagonismo dos Gunners na Inglaterra. Aquele time contava com algumas estrelas, como o artilheiro e ídolo Ian Wright.

“Quando Wenger chegou, explicou para nós o que ele queria tentar fazer – mudar a dieta, a forma de treinamento, queria que a gente descansasse mais, bebesse mais água, mastigasse mais a comida. Tomávamos injeções de vitamina no braço! E era basicamente algo que todos conhecem hoje em dia, como vitamina C, B12, ômega 3. Ele estava muito à frente do tempo dele. Wenger nos levava a um estágio onde você literalmente tinha que ser o melhor possível, e era isso que ele fazia com a gente”, disse Ian Wright à BBC.

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A adaptação

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Shaun Botterill/Getty Images

Os primeiros meses foram sem Wenger, que ainda estava no Japão cumprindo seu contrato. O francês só assumiria os Gunners em outubro. Mas a sua metodologia já estava fazendo efeito e, nos primeiros 12 jogos, o Arsenal perdeu apenas uma partida. Assim, a partir da sétima rodada, ainda sem Wenger, a equipe entrou entre os três primeiros colocados, e, já na 12ª, com apenas uma derrota, assumiu a liderança.

Nesse sentido, uma disputa acirrada se criou do sexto colocado, com 31 pontos, até o primeiro, com 35 – Newcastle, Manchester United, Aston Villa, Wimbledon, Liverpool e Arsenal respectivamente. Logo, os Gunners conseguiram terminar o primeiro turno com uma campanha invejosa: 10 vitórias, cinco empates e três derrotas em 18 jogos.

Entre os jogos mais marcantes dessa primeira etapa na competição nacional, pode-se destacar a vitória por 4 a 1, em cima do Sheffield United. Na ocasião, a partida tranquila contra os Blades foi especial para Ian Wright, que marcou seu centésimo gol na competição pelo clube. Além disso, o recém-contratado Patrick Viera fez sua estreia.

A irregularidade 

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Shaun Botterill/Allsport

Entretanto, apesar do bom início no campeonato nacional, o Arsenal desperdiçou sua chance de conquistar títulos internacionais logo no primeiro duelo da Copa da Uefa (Liga Europa atualmente).

À espera de Arsène Wenger, que assumiria o cargo duas semanas depois, o Arsenal perdeu no Highbury, seu antigo estádio, por 3 a 2 para o Borussia Monchengladbach. No jogo de volta, os ingleses conseguiram devolver o placar, mas foram superados nas penalidades e consequentemente eliminados.

Após se desestabilizar nos meses finais daquele ano, Wenger conseguiu duas vitórias importantes. Derrotou o Tottenham depois de três anos, em um 3 a 1 emocionante com dois gols nos acréscimos, e a vitória com um homem a menos, por 2 a 1, em cima do Newcastle.

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Porém, entre esses dois duelos, ao priorizar a disputa pelo título na Premier League, o treinador francês viu o Liverpool atropelar sua equipe na Copa da Liga. A derrota por 4 a 2, eliminando os Gunners na quarta rodada do torneio, iniciou uma sequência de resultados ruins.

Com isso, foram três empates e uma derrota, para o Nottingham Forest, que lutava contra o rebaixamento, em quatro partidas consecutivas.

Final melancólico

Já no final da temporada, o Arsenal de Wenger teve um roteiro repetido. Na Copa da Inglaterra, após passarem pelo Sunderland, se despediram da competição ao serem surpreendidos em casa pelo Leeds, que avançou da quarta fase com um 1 a 0.

Com isso, restava apenas a Premier League para os Gunners tentarem o título. Entretanto, após resultados abaixo do esperado em jogos decisivos, o time londrino saiu da disputa. A derrota para o Liverpool em casa na 32ª rodada e os empates em 1 a 1 com Blackburn Rovers e Coventry City complicaram a equipe. O time ainda viria a perder para o Newcastle, em um confronto direto, dentro do Highbury.

No entanto, na última rodada, a equipe superou o Derby Country, fora de casa, por 3 a 1. Nesse sentido, os Gunners garantiram a terceira melhor campanha da Premier League, apesar de não se classificarem para a Champions League.

Portanto, ao analisar todo o contexto daquela temporada, as eliminações precoces e a irregularidade na reta final do Campeonato Inglês pesaram. Contudo, Arsène Wenger trouxe uma perspectiva positiva aos torcedores.

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