Liverpool ainda tem frutos a colher por aposta em Jürgen Klopp

Futuro dos Reds é animador, após conquista da Champions League

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Klopp Liverpool
Foto: Getty Images

Oito de outubro de 2015, dia em que Jürgen Klopp foi confirmado como novo técnico do Liverpool. O comandante chegava com muita moral após ter feito uma trabalho espetacular à frente do Borussia Dortmund. A expectativa era de que ele pudesse fazer dos Reds um clube forte novamente. E conseguiu.

Em três anos e meio, Klopp revolucionou o Liverpool. Aquele clube que estava no ostracismo, perdia seus principais jogadores e não disputava títulos, deixou de existir. Deu lugar a uma equipe competitiva, madura e que ainda tem muito a conquistar.

O título da Liga dos Campeões, diante do Tottenham, em Madrid, coroa esta revolução feita por Klopp no Liverpool. Após amargar quatro vices em competições diferentes, os Reds finalmente conquistaram uma taça.

De grão em grão

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Desde que as negociações entre Liverpool e Klopp começaram, a ideia de ambos era de um projeto duradouro e que, obviamente, rendesse os frutos esperados. Mas de grão em grão. Um passo de cada vez.

Uma das condições impostas por Klopp para aceitar o Liverpool foi tomar todas as decisões no elenco. Antes do treinador, quem decidia as vendas e contratações dos Reds era o conselho da Fenway Sports Group, atual grupo que está à frente do clube.

E isso acabou sendo fundamental para a formação deste esquadrão, que foi montado ao longo de três temporadas completas do comandante à frente do clube. Para atrair jogadores, o Liverpool precisava voltar a ser competitivo. E isso foi o primeiro passo.

Em menos de seis meses de Liverpool, Klopp levou o clube a duas finais. A primeira contra o Manchester City, pela Copa da Liga Inglesa, em que acabou sendo derrotado nos pênaltis. A segunda, diante do Sevilla, pela Liga Europa, em que também perdeu, desta vez por 3 a 1 de virada.

Na primeira temporada completa, o objetivo era classificar para a Liga dos Campeões de qualquer jeito. Isso porque voltando para a competição mais importante de clubes da Europa, o Liverpool poderia ser mais incisivo no mercado.

E conseguiu. Acabou a temporada 2016-2017 na quarta posição da Premier League, conquistando a vaga para os playoffs da Liga dos Campeões 2017-2018. Naquela temporada, Klopp contratou três jogadores que se tornaram fundamentais no Liverpool: Joel Matip, Giorginio Wijnaldum e Sadio Mané.

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O Liverpool iniciou a temporada 2017-2018 muito bem, mas um 5 a 0 sofrido diante do Manchester City provou que o elenco ainda era frágil e que precisava de reforços – especialmente no setor defensivo.

Os meses foram se passando e a equipe evoluiu. Mohamed Salah, principal contratação daquela temporada encaixou com Sadio Mané e Roberto Firmino, dando início a uma parceria que renderia bons frutos.

Andrew Robertson e Ox Chamberlain, contratados que tiveram dificuldades iniciais, foram se adaptando ao esquema da equipe e cresceram bastante de produção. E no Natal de 2017, acontece algo que muda o patamar do Liverpool como equipe: van Dijk é contratado. O zagueiro chega e revoluciona o sistema defensivo dos Reds.

Janeiro é marcado pela venda de Phillipe Coutinho ao Barcelona. O brasileiro, que na teoria era o principal jogador do clube, já havia pedido para sair na janela anterior, onde o Liverpool não liberou.

Os meses foram se passando e o Liverpool terminou a temporada com um vice para o Real Madrid, na final da Liga do Campeões, por 3 a 1, mas com uma equipe pronta e que precisava de reforços pontuais. E eles chegaram na temporada seguinte.

Claro que os quase quatros anos de Klopp à frente do Liverpool não foram apenas de bons momentos e acertos. Também houve alguns erros que custaram caríssimo, como por exemplo não reforçar o sistema defensivo antes e o mais grave de todos: jogar uma final de Liga dos Campeões com Loris Karius, um goleiro inseguro e que não estava à altura do clube.

Time formado, primeira taça conquistada e um futuro animador

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Quando o Liverpool perdeu para o Real Madrid, na final da Liga dos Campeões por 3 a 1, ficou evidente que o clube precisava de um goleiro e peças pontuais. E o clube contratou. Dias depois da partida, anunciou o meio-campista Fabinho, que teve um começo difícil, mas depois encaixou no time e não saiu mais.

Outro que também chegou para reforçar a meiuca foi Naby Keita, que já havia sido contratado um anos antes. O camisa 8 dos Reds oscilou durante a temporada, mas teve bons momentos no Liverpool, especialmente na reta final onde chegou a assumir a titularidade do time, mas acabou perdendo a vaga por lesão.

Xherdan Shaqiri, que chegou por apenas 12 milhões de libras, também foi importante na temporada, especialmente quando Klopp implantou o 4-2-3-1 na equipe. O suíço acabou perdendo espaço com a volta do 4-3-3, muito por conta de não contribuir tanto defensivamente.

E a contratação que todo torcedor do Liverpool torceu muito para acontecer: Alisson Becker. O goleiro brasileiro fez valer cada libra investida e fez uma temporada espetacular, sendo decisivo na final da Liga dos Campeões, inclusive. Um goleiro decisivo.

Reprodução/Getty

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Com essas quatro peças contratadas, aliadas à base do time que havia sido vice da Liga dos Campeões na temporada 2017-2018, o Liverpool voou dentro de campo. Fez a melhor campanha da história do clube na Premier League, com 97 pontos, mas acabou ficando com o vice, já que o Manchester City de Pep Guardiola fez 98 e conquistou o bicampeonato.

Entretanto, na Liga dos Campeões o destino sorriu. Uma campanha histórica e que contou com muita emoção, desde a quase eliminação na última partida da fase de grupos, contra o Napoli, onde Alisson fez uma defesa milagrosa no último minuto; revertendo um 3 a 0 diante do Barcelona e sendo coroada com o título diante do Tottenham.

O jornalista e comentarista dos canais ESPN, Mário Marra, comenta como o jeito de Klopp foi conquistando o torcedor do Liverpool.

“Revolucionário, carismático… a empatia mexe demais com liverpool de forma geral(cidade). o torcedor do liverpool sempre gostou de grandes personagens e ele é mais um”, opina.

Ele completa falando sobre o equilíbrio que Klopp deu a essa equipe, que antes era uma equipe bem ofensiva, mas bastante vulnerável defensivamente. E isso custava muito caro.

“O ataque continua sendo irresistível? sim, mas com um número menor de gols. O que é fascinante para o torcedor do liverpool é o trabalho defensivo que foi feito. isso é mérito das ideias do klopp”, completa.

O futuro para o Liverpool é animador. O clube está bem financeiramente, conta com um elenco competitivo e um ótimo treinador. Agora os Reds provavelmente vão começar a colher os frutos da revolução que começou lá em outubro de 2015.

O lendário ex-técnico do Liverpool, Bill Shankly, afirmava que, para um clube ter sucesso ele precisava de torcida, jogadores e técnicos em sintonia. E este Liverpool de Klopp conseguiu unir tudo isso.