Altos e baixos da Premier League #19: Saints, Spurs, Reds e presentes do Boxing Day

Liverpool goleia Leicester fora de casa e segue em grande momento

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Norwich Daniel Farke David Rogers Collection Getty Images Sport
Daniel Farke David Rogers Collection Getty Images Sport

Estamos na tradição do Boxing Day. Apesar de marcar a metade do campeonato, os times não enfrentaram todos os adversários possíveis ainda. Na reedição da oitava rodada, o Liverpool aumentou a vantagem na liderança, o Tottenham confirmou bom momento com Mourinho assim como o Southampton e mais. Vamos aos altos e baixos da rodada da Premier League #19.

Altos

1) A relação entre Mourinho e Dele Alli

Na partida no sul da Inglaterra na oitava rodada, o Tottenham ainda tinha Pochettino como técnico e sofreu uma grande derrota. A vingança veio em Londres, embora o primeiro tempo mostrasse o contrário.

O Brighton mais uma vez saiu na frente (gol de Webster), mas no segundo tempo os Spurs voltaram com mais agressividade e viraram o jogo. Primeiro, com Harry Kane e, minutos depois, Dele Alli numa bela finalização.

O segundo gol confirma a ótima relação do meia inglês com o técnico português. Desde que Mourinho chegou, Dele melhorou seu desempenho (o camisa 20 vinha num mal momento), ganhou a posição de Christian Eriksen e se tornou mais artilheiro.

Além disso, desde 20 de novembro, data da chegada de Mourinho, Dele Alli fez cinco gols e distribuiu três assistências. Ou seja, oito participações diretas em gols nos oito jogos que esteve em campo com Mou. Portanto, é inegável o papel do treinador na ressurreição de um talento da Inglaterra, corroborado por mais uma boa atuação.

2) Saints vencem mais uma vez fora de casa

Se o desempenho no St. Mary's Stadium é fraco, fora de casa o Southampton vem surpreendendo. Depois de bater o Aston Villa em Birmingham, o time de Ralph Hasenhüttl aprontou para cima do Chelsea.

Vindo de uma grande atuação no derby de Londres na última rodada, Frank Lampard repetiu o esquema tático que deu certo. Entretanto, os Saints souberam aproveitar as falhas e marcaram dois gols no Stamford Bridge.

Foi mais um daqueles jogos de ataque contra defesa, praticamente. Os Blues dominaram com 67% de posse e 10 finalizações. Mas o que fez a diferença foi a efetividade nos arremates.

Enquanto dos 10 chutes azuis somente três foram na meta, o Southampton acertou a mesma quantidade em metade das tentativas. Obafemi e Redmond garantiram a vitória e o afastamento da zona de rebaixamento, a três pontos do primeiro time por lá.

3) Liverpool, Firmino e Alexander-Arnold

Se a intensidade do time parecia baixa no Mundial, não se pode dizer o mesmo na volta para a Premier League. Jogando no King Power Stadium, o Liverpool não deu chances ao vice-líder Leicester e atropelou sem dó.

A goleada se construiu no segundo tempo, depois de uma primeira etapa de “trocação”. Com dominância no meio, o time de Jürgen Klopp performou seu melhor rock ‘n' roll e destruiu as esperanças dos Foxes com exuberante atuação coletiva.

Os destaques individuais ficaram por conta do sempre impressionante Roberto Firmino, com dois gols, e do inteligente e moderno lateral Alexander-Arnold. O garoto de 21 anos foi responsável por duas assistências (três, se contarmos o cruzamento que originou o pênalti) e um gol.

Para se ter uma ideia, Trent completou a soma de duas dezenas de passes para gol em uma temporada e meia como titular do Liverpool. Por conta disso, valorizou-se tanto no mercado da bola que superou o companheiro Virgil Van Dijk como o defensor mais valioso do mundo.

Dessa forma, os Reds abriram 13 pontos para o segundo colocado. O primeiro título da era Premier League para o Liverpool parece estar bem encaminhado, ainda mais se mantiverem o ritmo avassalador que foi mostrado neste fim de semana.

4) Freguesia

Os lobos criaram uma freguesia nesta edição da Premier League. Depois de bater os atuais campeões no Etihad Stadium, o feito foi repetido nesta sexta e com muito mais drama e emoção.

Logo de início percebia-se de que a noite para o Wolverhampton seria especial. Ederson foi expulso com 12 minutos de jogo e Rui Patrício pegou cobrança de pênalti de Sterling. Mas o VAR identificou invasão de área e mandou voltar.

Apesar de o goleiro português defender novamente, a terceira finalização do inglês não falhou. No segundo tempo, o mesmo Sterling ampliou de cavadinha. Parecia tudo acabado, certo? Errado.

Com muita força de vontade (e alguns vacilos dos Citizens) a virada aconteceu de forma épica. A diferença de um homem foi sentida e aproveitada. Adama Traoré  foi o nome da reação. Primeiro, ele chutou de longe para fazer 2 a 1. Em seguida, roubou a bola de Mendy dentro da área e deu o gol para Raúl Jimenez.

Atordoado, o City ainda viu Doherty, nos acréscimos, virar o placar. Dessa forma, o time de Nuno Espírito Santo conquistou o double (duas vitórias no campeonato) em cima do Manchester City. O português descobriu como bater de frente com Guardiola, sem dúvidas.

Baixos

1) Canários na lanterna

Norwich Daniel Farke David Rogers Collection Getty Images Sport
Daniel Farke David Rogers Collection Getty Images Sport

O Norwich deixou todos de boca aberta quando venceu o Manchester City em setembro e parecia que a luta contra o rebaixamento seria tranquila. Mas de lá pra cá, a equipe de Daniel Farke venceu apenas o Everton e mais ninguém.

Nesta metade de campeonato, o time se tornou o terceiro pior ataque ao lado do Newcastle com 19 gols e a pior defesa, sofrendo 38. A nova derrota para o Aston Villa fez os canários serem superados pelo Watford, mesmo com mais vitórias.

As fracas atuações representam a falha no estilo de jogo proposto por Farke. Por mais que o time se proponha a ter a bola, sair jogando com cadência, acaba deixando a defesa muito exposta e, por conta da falta de qualidade na zaga, leva muitos gols. Trazendo para a realidade brasileira, é algo parecido com o que viveu Fernando Diniz no Fluminense, por exemplo.

2) Pellegrini por um fio

O investimento no West Ham desde a contratação de Manuel Pellegrini foi alto e as expectativas tão altas quanto. Mas desde o final da temporada passada os Hammers não convencem.

Apesar da vitória sobre o Chelsea no final de novembro ter garantido um tempo a mais para o treinador chileno, as inconsistentes apresentações cobram o preço com a posição na tabela.

Atualmente, o West Ham é o 17º colocado, ou seja, o primeiro time fora da zona de rebaixamento. A derrota neste dia 26 foi a nona na competição num confronto em que teve menos posse que o Crystal Palace, veja só.

3) Presentes de Natal no Old Trafford

Nada mais tradicional do que presentes no Boxing Day. Tanto que a torcida do Manchester United ganhou seus presentes no gramado de Old Trafford e eles vieram direto da defesa do Newcastle.

Numa atuação horripilante de seus defensores e do goleiro Martin Dubravka, inclusive, os Magpies perderam a vantagem inicial e terminaram com uma goleada. O primeiro presente foi do próprio goleiro. No chute de Anthony Martial, Dubravka foi pego no contra pé e, apesar de ter espalmado o chute, colocou contra sua própria meta.

Pouco tempo depois, Federico Fernandez entregou de bandeja a bola na entrada da área para Mason Greenwood virar o jogo. Como se não bastasse, no segundo tempo, Sean Longstaff recuou bola curta para o goleiro e viu, mais uma vez, Martial com muita calma e categoria transformar a vitória em goleada de 4 a 1.

As falhas apagaram a atuação consistente que a equipe vinha tendo nos primeiros minutos. Embora não tivesse a bola (como sempre), agredia e criava as melhores chances nos contra-ataques. Tanto que o gol saiu assim.

Depois do placar aberto por Matthew Longstaff – de novo contra o United -, os comandados de Steve Bruce deram campo e deliciosos brindes para os atacantes vermelhos.

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