A ótima fase do Aston Villa na Premier League 2020/2021

Com invencibilidade de quatro jogos, Villans ocupam a 7ª colocação

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A ótima fase do Aston Villa
TIM KEETON/POOL/AFP - via Getty Images

Com a vitória maiúscula por 3 a 0 sobre o Crystal Palace ontem, o Aston Villa confirmou sua ótima fase, de quatro jogos de invencibilidade, e assim subiu para a 6ª colocação da Premier League. Em situação completamente oposta daquela superada há poucos meses, de iminente rebaixamento, os Villans vivem sua melhor campanha na elite em 19 anos.

A ótima fase do Aston Villa

A campanha dos Villans

O Aston Villa iniciou a Premier League 2020/2021 já fazendo história. Pela primeira vez em 90 o anos o clube ganhou as quatro primeiras partidas em uma edição do Campeonato Inglês, feito que não se repetia desde a temporada 1930/1931.

E a euforia era mesmo enorme, já que coroado o excelente momento com vitória histórica sobre o Liverpool: 7 a 2 no Villa Park. Além dos Reds, no começo da temporada o Villa derrotou Sheffield United, Fulham e Leicester.

Contudo, logo após o 100% de aproveitamento nas quatro rodadas iniciais, veio uma sequência negativa, de quatro derrotas em cinco jogos. A boa vitória por 3 a 0 sobre o Srsenal em Londres acabou ofuscada pelos revezes para Leeds, Southampton, Brighton e West Ham.

Ollie Watkins, do Aston Villa
Shaun Botterill/Getty Images

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E, com isso, veio também a sensação de que a ótima fase do Aston Villa rapidamente passara, e, portanto, de que a empolgação dos Villans não se justificaria. Mas, em resposta ao período negativo, novo momento de alento ao clube de Birmingham. Desde então são quatro jogos de invencibilidade: empate com o Burnley e vitórias sobre Wolverhampton, West Bromwich e Crystal Palace.

Assim, a situação do Aston Villa no campeonato é, mais uma vez, excepcional. Isso porque, com 25 pontos conquistados dos 39 disputados, o time agora ocupa o 6º lugar da tabela, enxergando de bem perto as posições classificatórias às competições europeias.

E mais, uma vez que os confrontos contra Manchester City e Newcastle foram adiados, os Villans disputaram dois jogos a menos que a maioria das equipes do campeonato. É o caso, por exemplo, da comparação com o Everton, atualmente 2º colocado e apenas quatro pontos acima do Aston Villa. Em termos de pontuações perdidas, portanto, o Villa seria hoje virtualmente vice líder da Premier League.

Contratações pontuais e time competitivo

Neil Hall – Pool/Getty Images

De futebol sofrível na temporada 2019/2020, os comandados de Dean Smith agora convencem e, em certos momentos, até encantam. E isso se reflete também os números. Em 13 rodadas, são 25 pontos e oito clean sheets, números que foram, respectivamente, 35 e sete ao final da última edição. Mas o que justifica tamanha transformação na equipe do Aston Villa?

Primeiro, ressalte-se a ideia de construir um projeto, pela qual passa, essencialmente, a figura de Dean Smith. Embora o treinador possa sim ser questionado, os frutos de sua permanência estão sendo colhidos nesta ótima fase do Aston Villa. Ele foi capaz de injetar um novo ânimo no time, que se reflete na mudança de postura em campo, além de ter a confiança do capitão Jack Grealish.

Mas, além disso, as contratações pontuais para esta temporada foram, por óbvio, cruciais. Chegaram ao Villa Park cinco nomes de muito peso: Emiliano Matinez, Matty Cash, Ross Barkley, Bertrand Traore e Ollie Watkins. Todos eles jogadores especificamente escolhidos pela comissão técnica para suprir nítidas carências do elenco.

ALASTAIR GRANT/POOL/AFP – via Getty Images

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E com isso o grupo não foi qualificado apenas na equipe titular, mas elevado como um todo. Isso porque o banco de reservas se tornou mais forte e, assim, o Villa consegue manter o bom nível mesmo na ausência de peças importantes. A recente sequência invicta se deu em meio, por exemplo, às lesões de Ross Barkley, Mahmoud Trézéguet e Ezri Konsa.

Além disso, essas mudanças no cenário da equipe parecem ter feito bem até mesmo a personagens desacreditados, resgatando nomes como Kortney Hause e Anwar El Ghazi. O primeiro correspondeu à altura durante a ausência de Konsa, enquanto o segundo resgatou o futebol dos tempos de Championship e acumula quatro gols decisivos nos últimos quatro jogos.

Assim sendo, o time se tornou, por inteiro, mais competitivo. Individualmente, quase todos os atletas frequentemente utilizados por Dean Smith vivem excelente fase. E, no coletivo, diferentemente da edição 2019/2020, a equipe enfim vem funcionando muito bem.

Defesa sólida

RUI VIEIRA/POOL/AFP – via Getty Images

O Aston Villa possui a segunda melhor defesa da Premier League 2020/2021, atrás somente do Manchester City, com apenas 12 gols sofridos. Desses, aliás, sete foram tomados diante de Southampton e Leeds. Assim, são oito partidas sem levar gol, incluindo as quatro últimas, o que coloca a equipe e o goleiro Emiliano Martínez como líderes de clean sheets na liga.

Antes insatisfeito com a falta de espaço no Arsenal, o arqueiro agora é peça chave nesta campanha dos Villans. A crítica posição que chegou a ser ocupada por quatro nomes na última temporada enfim volta a ter um titular inquestionável. Além de grandes atuações, o argentino passa muita segurança aos companheiros e aos torcedores desde sua estreia, quando defendeu pênalti de John Lundstram.

Ezri Konsa, em ação contra Pedro Neto, vive ótima fase pelo Aston Villa
Catherine Ivill/Getty Images

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Na linha à frente de Martinez, Konsa é uma grata surpresa e, passando por notória evolução, parece ter assumido o posto de pilar defensivo da equipe, superando mesmo Tyrone Mings. Este, destaque no jogo aéreo e escape nos lançamentos, ainda é fundamental, mas é aquele quem mais impressiona: firme nos combates, seguro no passe e ainda decisivo na bola parada.

Nas laterais, o Aston Villa também aparenta estar muito bem servido, até a longo prazo. Enquanto Matt Targett finalmente se consolidou na esquerda, na direita o incansável Matty Cash já se mostra uma grande contratação, extremamente versátil, no apoio e na contenção, um jogador de ótima marcação e garra incomparável. Por outro lado, pode ser o setor mais vulnerável do elenco, sobretudo na esquerda.

Disposição ofensiva

Bertrand Traore atravesse boa fase na Premier League
Catherine Ivill/Getty Images

Do ponto de vista tático e estratégico, a maior alteração do Aston Villa em relação à temporada passada se dá no meio campo. O 4-3-3 no papel até permanece, mas com uma alteração extremamente significativa. Isso porque a antiga linha de três agora é, em verdade, sustentada apenas por Douglas Luiz e John McGinn.

A vaga tradicional de terceiro homem do setor, outrora de Marvelous Nakamba ou Conor Hourihane, agora praticamente não mais existe. A função passou a ser outra, muito mais ofensiva, como a de segundo atacante. Desse modo, a equipe se posta, muitas vezes, em uma espécie de 4-2-4. O papel, em tese de Barkley, vem sido revezado entre Traore, El Ghazi e até mesmo Jack Grealish – quando deslocado da esquerda, aí em um 4-2-3-1.

Do ponto de vista de uma equipe balanceada, o esquema parece funcionar melhor quando é Trézéguet quem ocupa a faixa direita do ataque, uma vez que exerce recomposição e apoio defensivos de tremendo êxito – e é mais aplicado que Traore e El Ghazi no setor, embora as últimas partidas mostrem que estes dois passam por ótima fase no Aston Villa.

Catherine Ivill/Getty Images

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Além disso, a nova disposição ofensiva dos Villans também alterou bastante a linha de McGinn e Douglas Luiz, que, ofensivamente, acabam sendo sacrificados. O brasileiro, de fortes saída de bola e inversões de jogo, segue sendo fundamental, mas sem o mesmo brilho. Já no caso do escocês, a mudança fica ainda mais clara: foram cinco participações diretas em gol nas quatro primeiras rodadas, mas mais nenhuma desde então.

Por outro lado, a posição favorecida foi, sem dúvidas, a do atacante de referência, agora muito mais participativo. Apesar de jogar muitas vezes fora da área, Watkins assim passa a atacar mais os lados, de modo a abrir espaço para a infiltração dos companheiros. Com seis gols e duas assistências, o atacante, que combina força física, qualidade técnica e muita mobilidade, é essencial nesta melhora ofensiva dos Villans.

O fator Jack Grealish

LAURENCE GRIFFITHS/POOL/AFP via Getty Images

Dois gols, três assistências e oito bolas recuperadas. Esses são apenas alguns dos números de Jack Grealish em sua atuação nota 10 diante do Liverpool – na primeira vez que os Reds levaram sete gols em um jogo de Premier League. A performance histórica coroa uma ascensão extraordinária, assim como confirma a manutenção de seu alto nível após renovação contratual até 2023.

Tendo também marcado contra Fulham, Southampton e West Ham, Grealish já acumula cinco gols e seis assistências ao longo dessas 13 partidas, além de impressionantes notas médias de 7.87 no SofaScore e 8.01 no WhoScored, simplesmente as pontuações mais alta de toda a liga em cada uma das plataformas de análise.

E nos números Jack Grealish lidera mesmo estatísticas bastante importantes. Pela segunda temporada consecutiva o camisa 10 vem sendo o mais caçado da competição, já tendo atingido a marca de 60 faltas sofridas. Além disso, é o grande playmaker da atual edição da Premier League, com 49 passes chave segundo o WhoScored.

Rui Vieira – Pool/Getty Images

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Assim, a qualificação do elenco do Aston Villa potencializou o destaque individual de Grealish, que agora se consolida de vez entre os grandes nomes da Premier League – e, dadas as últimas partidas internacionais, também da seleção inglesa. E já é possível notar um grande entrosamento do camisa 10 com Ollie Watkins, pareceria que rendeu diretamente três gols ao centroavante.

Assim, o desempenho de Grealish e, claro, a memorável goleada contra o atual campeão, contribuem em muito para conferir ao Villa o status de quinto melhor ataque da competição, com 27 gols marcados. E assim, em 13 jogos, a equipe já está a apenas 14 gols de igualar os 41 tentos marcados no decorrer da temporada 2019/2020.

Mas Jack Grealish, e o Aston Villa como um todo, serão colocados verdadeiramente à prova nas próximas rodadas. A sequência é pra lá de complicada. O clube visita Chelsea e Manchester United e depois recebe Tottenham e Everton, ainda enfrentando, no meio do caminho, o Liverpool pela Copa da Inglaterra. Mas se depois disso tudo o saldo for positivo, vai caber ao torcedor sonhar o quão longe pode chegar essa equipe do Aston Villa.

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