10 brasileiros votados na Bola de Ouro que você não sabia

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O mês de outubro é marcado pela entrega da Bola de Ouro da revista francesa “France Football“, que anualmente convoca jornalistas, treinadores e capitães dos principais países do futebol para eleger os melhores jogadores do mundo.

Naturalmente, os brasileiros tem um histórico de protagonismo na eleição. Ronaldo (1997 e 2002), Rivaldo (1999), Ronaldinho (2005) e Kaká (2007) já receberam a “Ballon D'Or“. Isso sem contar os prêmios retroativos dados a Pelé (1958, 1959, 1960, 1961, 1963, 1964 e 1970), Garrincha (1962) e Romário (1994), que teriam sido os vencedores justos numa época em que a revista não premiava jogadores de fora da Europa, conforme reconheceu a organização em 2015.

Mas nem todo brasileiro votado é um ídolo reconhecido de todo fã de futebol. A PL Brasil levantou 10 jogadores do país que receberam votos na premiação e você com certeza não se lembra. Confira:

10 brasileiros votados na Bola de Ouro que você não sabia:

Juninho Paulista – 1997

O meia chegou com apenas 22 anos ao Middlesbrough, quando a Premier League ainda não era um território acostumado a receber brasileiros. Juninho, no entanto, abriu portas. Depois de uma temporada excelente em 1996/97, ele foi para o Atlético de Madrid e também começou bem, se firmando também na seleção brasileira — só uma lesão séria o tiraria da Copa do Mundo no ano seguinte. Mesmo assim, recebeu cinco votos na eleição daquele ano.

Jardel – 1999 e 2000

Jardel com a camisa do Porto – Foto: Icon Sport

Sim, é aquele centroavante mesmo que cansou de fazer gols por Vasco e Grêmio na década de 90. Seu auge aconteceu no fim daquele período, quando Jardeu defendeu o Porto. Foram quatro anos seguidos nos Dragões, quando foi tricampeão português e quatro vezes artilheiro do país — chegou a ser o maior goleador da Europa em 1999. Ele fez 38 gols em 39 jogos em 1998/99 e incríveis 56 gols em 51 jogos na temporada seguinte, o que lhe rendeu sete votos para melhor do mundo em 1999 e cinco votos em 2000.

Élber – 2001

O centroavante brasileiro saiu cedo para a Europa e ganhou a vida na Alemanha, onde vestiu as camisas de Stuttgart, Bayern de Munique e Borussia Monchengladbach. O auge foi no segundo, onde passou sete temporadas seguidas entre 1997 e 2003. Mais especificamente em 2000/01, quando Élber foi artilheiro, campeão alemão e campeão europeu. Por isso, recebeu dois votos na eleição daquele ano.

Rogério Ceni – 2007

Rogério Ceni comemora o título brasileiro do São Paulo em 2007 – Foto: Icon Sport

Apenas um jogador brasileiro conseguiu receber votos na eleição enquanto jogava no seu país de origem. Esse foi o feito de Rogério Ceni em 2007, quando levou três votos na eleição da Bola de Ouro. Na época, Ceni comemorava o segundo título brasileiro seguido e também a segunda vez em que foi escolhido o melhor jogador do Brasileirão. No mesmo ano também foi o melhor goleiro da América do Sul e ficou em quarto da posição na eleição da “France Football” (27º no geral). Isso porque um ano antes se tornou o maior goleiro artilheiro da história do futebol e, dois anos antes, quando ganhou a Libertadores e o Mundial com o São Paulo, já havia ficado em 11º na eleição de melhores jogadores do mundo da Fifa.

Diego – 2009

Ao contrário do que se esperava quando surgiu no Santos, Diego nunca se firmou como um jogador de seleção brasileira e nem jogou uma Copa do Mundo. Mesmo assim, é possível cravar que o meia teve um bom auge da carreira — em especial em 2008/09, quando marcou 21 gols em 37 jogos pelo Werder Bremen e foi destaque do time campeão da Copa da Alemanha. Naquele ano, foi contratado pela Juventus por 27 milhões de euros e ganhou três votos no Ballon D'Or.

Luis Fabiano – 2009

Luis Fabiano comemora gol pela seleção brasileira em 2009 – Foto: Icon Sport

Muito identificado com o São Paulo, Luis Fabiano também foi um dos principais nomes do Sevilla na primeira década dos anos 2000. Bicampeão da Copa da Uefa e da Copa do Rei, ele se consolidou como camisa 9 da seleção brasileira em 2009, quando foi o artilheiro do título da Copa das Confederações. Mais tarde, ainda naquele ano, o atacante acabou com a Argentina em Rosario, pelas Eliminatórias sul-americanas, quando o Brasil venceu por 3 a 1 e se colocou como um dos favoritos ao Mundial do ano seguinte. Sua ótima performance com a amarelinha lhe renderam oito votos na Bola de Ouro de 2009.

Maicon – 2009 e 2010

Muito se fala em Cafu (que recebeu votos na eleição de 2002), mas outro lateral-direito brasileiro que brilhou na Itália fez mais sucesso na Bola de Ouro: Maicon, que por anos foi titular da Inter de Milão. O jogador recebeu quatro votos em 2009, quando foi campeão italiano e destaque da mesma Seleção onde brilhou Luis Fabiano. E, no ano seguinte, campeão europeu e autor de um golaço na Copa do Mundo, foi votado mais uma vez.

David Luiz – 2014

David Luiz comemora gol pelo Brasil na Copa do Mundo – Foto: Icon Sport

Ele só queria dar alegria para o povo, mas tudo que recebeu foi um voto no Ballon D'Or de 2014. A Copa do Mundo terminou de forma trágica para David Luiz naquele ano, mas seu desempenho geral, não só pelo Brasil como também por Chelsea e PSG, foi o suficiente para o zagueiro ser lembrado por um votante no ano.

Roberto Firmino – 2018 e 2019

Os últimos anos de sucesso do Liverpool deixaram Firmino na sombra de Mané e Salah, que protagonizaram um dos trios de ataque mais infernais do futebol mundial. Mas não foi o suficiente para o brasileiro ser esquecido na lista dos melhores jogadores do mundo, e levou consideráveis quatro votos em 2018, quando foi vice-campeão europeu e disputou a Copa do Mundo, e 11 votos em 2019, ano em que os Reds bateram campeões da Europa e do mundo — e Firmino ainda ganhou a Copa América como titular da seleção brasileira.

Fabinho – 2022

A temporada de 2022/23 foi a última de Fabinho pelo Liverpool - Foto: Icon Sport
A temporada de 2022/23 foi a última de Fabinho pelo Liverpool – Foto: Icon Sport

Outro premiado pelos anos recentes do Liverpool foi o volante Fabinho, já em 2022. Apesar de nunca ter a mesma moral entre o público brasileiro, o jogador empatou com Casemiro na eleição da Bola de Ouro de 2022: ambos ganharam um voto. Nesse ano, Fabinho foi vice-campeão da Champions e da Premier League, além de ter vencido as duas Copas nacionais.

Diogo Magri
Diogo Magri

Jornalista formado pela ECA-USP, campineiro e repórter na PL Brasil. Passagens por EL PAÍS, Revista Veja e Futebol Globo CBN.

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