Se Sir Alex Ferguson se tornou o técnico mais vitorioso da história do futebol inglês, muito se deve à geração de ouro chamada Classe de 92, que surgiu no início da década de 1990 e levou o clube às glórias no nível nacional e internacional.

manchester united class of 92 cooke

A famosa foto acima mostra Eric Harrison, responsável por revelar talentos no United, ao lado dos então jovens jogadores da Classe de 92: Ryan Giggs, Nicky Butt, David Beckham, Gary Neville, Phil Neville, Paul Scholes e o pouco conhecido Terry Cooke.

Os primeiros seis atletas fizeram parte da vencedora história do Manchester United, exceto Cooke.

Na Copa da Inglaterra sub-18 (FA Youth Cup) de 1995, o meio-campista foi decisivo, marcando o gol que deu o título aos Red Devils ao converter a quinta e última cobrança de pênalti.

No mesmo ano, Terry Cooke foi o último “aluno” da geração a estrear profissionalmente pelo United, em uma partida contra o Bolton. Uma hora antes do jogo, o meia não fazia ideia de que iria entrar em campo. “Ferguson olhou para mim e disse: ‘Cookie, você vai jogar na direita. Vai lá e se divirta'”.

Se Cooke não sabia, seus pais, que comemoravam 25 anos de casados, souberam semanas antes da estreia do filho e viajaram de Birmignham a Manchester para ver o garoto.

Cooke deu trabalho para o lado esquerdo da defesa do Bolton o jogo inteiro e foi coroado com uma assistência para Giggs no segundo gol do United, que venceu facilmente por 3 a 0.

Neste mesmo ano, foi eleito o Melhor Jogador Jovem do clube, prêmio que havia sido conquistado por Ryan Giggs, Paul Scholes, Nicky Butt e Phil Neville em anos anteriores.

O “atrasado da turma”

Cooke estava animado em repetir os passos dos colegas depois da grande atuação, mas acabou se decepcionando. “Então, depois daquele jogo, eu não atuei mais. Meu nome entrava na lista de relacionados e fiz alguns outros jogos, mas aí fui emprestado. Joguei por dois times da Segunda Divisão e nunca fui campeão. Foi bem frustrante”.

Depois de voltar de empréstimos ao Sunderland e ao Birgmingham City, clube que torcia na infância, Terry Cooke viu a competição pelo lado direito do meio-campo do United crescer ainda mais com as chegadas de Karel Poborský e Jordi Cruyff.

Cooke passou a atuar pelo time reserva e, após uma partida, foi perguntado por Sir Alex Ferguson se poderia jogar pela equipe principal no fim de semana seguinte, mas uma grave lesão nos ligamentos do joelho o fizeram perder a chance e toda a temporada.

Quando terminou a lenta recuperação, viu seu espaço no time profissional ainda mais reduzido e acabou emprestado ao pequeno Wrexham. Em 1999, Terry Cooke voltou à cidade de Manchester, mas não com a camisa do United.

"Class of ’92" – Você não pode deixar de ver este documentário

Do lado vermelho para o lado azul de Manchester

Cooke foi emprestado ao rival City, se tornando o terceiro jogador na história até então a atuar pelos dois clubes. “Os torcedores do City cantarem o meu nome foi surpreendente porque eu estava no United pouco tempo atrás”.

Meses depois, o empréstimo virou contratação definitiva e o ano de 1999 marcou a história de Cooke e dos rivais United e City. Enquanto os Red Devils – com Beckham, Giggs, Scholes, Butt e os irmãos Neville – conquistavam a Tríplice Coroa, Cooke estava na Terceira Divisão e ajudou o City a subir para a Segundona, marcando um dos gols de pênalti que deu o título aos Citizens.

O balde de água fria veio quando uma cláusula do contrato do jogador estabelecia que, caso ele atingisse um número de partidas pelo City, o clube azul e branco deveria pagar mais ao United.

Como na época, os Citizens estavam se reorganizando financeiramente, Cooke acabou deixando de atuar pela equipe para que o clube não pagasse a quantia ao United.

O jogador, que havia sido um dos heróis do acesso para a Segunda Divisão, foi deixado de lado, sendo emprestado a Wigan, Sheffield Wednesday e Grimsby.

Cada vez mais distante do sucesso que sonhava atingir na Inglaterra, Cooke decidiu trocar de ares e, em 2005, se transferiu para o futebol dos Estados Unidos. “Ir para lá foi a melhor decisão que eu tomei”. 

O jogador assinou contrato com o Colorado Rapids e atuou por 109 partidas entre 2005 e 2009, se tornando um das principais peças da equipe ao longo dos anos.

Foi justamente em uma dessas partidas que Terry Cooke teve um reencontro marcante. No dia 29 de março de 2008, Cooke era o capitão do time que abriria a temporada em uma partida contra o Los Angeles Galaxy da estrela David Beckham.

 

Todos os holofotes estavam sobre o ex-jogador de Manchester United e Real Madrid. Era no ex-camisa 7 dos Red Devils que se esperavam os gols, assistências e grandes jogadas.

No entanto, foi Terry Cooke, o “aluno esquecido” da Classe de 92, que tomou conta do jogo, marcando o primeiro e dando passe para dois gols na impiedosa goleada por 4 a 0, o que o garantiu o prêmio de melhor da partida.

Mas ali não havia sentimento de rivalidade ou vingança entre Cooke e Beckham. Os dois eram amigos e o reencontro depois de muitos anos culminou em um abraço apertado.

Cooke ainda continuaria jogando pelo Colorado até se aventurar no North Queensland Fury, da Austrália, e, posteriormente, no Gabala FK, do Azerbaijão, antes de pendurar as chuteiras.

Engana-se quem acha que Cooke se frustra quando compara sua carreira aos dos ex-companheiros da Classe de 92.

“Eu comecei minha carreira no United e me sinto abençoado por ter jogador em um grande clube como esse. Eu cresci no futebol ao lado dos jogadores da Classe de 92. Eu não poderia pedir uma experiência melhor“.

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Ex-Esporte Interativo e ex-trainee do Estadão, formado em Jornalismo e Sociologia. Apaixonado pela Premier League. Twitter: @pedrohnramos

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