Mark Hughes deixa o Stoke em situação delicada: 18º colocado e a pior defesa do campeonato com 47 gols sofridos em 22 jogos (Foto: Reprodução/Twitter/Stoke City)

Ao assumir o Stoke City em maio de 2013, Mark Hughes não escondeu que foi escolhido a dedo pelo proprietário Peter Coates para “elevar o nível” de um clube que passou sete anos nas seguras mãos de Tony Pulis.

Cinco anos depois, Hughes foi demitido neste domingo (07) após a acachapante eliminação na Copa da Inglaterra para o Coventry City, clube da quarta divisão, somado ao tenebroso retrospecto na PL: cinco vitórias em 22 partidas.

Mark Hughes no Stoke City (2013-2018)
  • 58 vitórias;
  • 45 empates;
  • 71 derrotas.

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A estabilidade da era Pulis não foi o bastante para Coates e a torcida, que desejavam algo maior na elite do futebol inglês, espaço que ocupa confortavelmente desde o acesso em 2008/09. Com a rápida passagem pela Liga Europa em 2011/12, o sonho europeu fez a diretoria subir a régua.

O que era bom ficou ruim

Já tava bom, tava mudando pra melhor, não tava muito bom, tava meio ruim também, tava ruim, agora parece que piorou“. Você, por certo, já deve visto e ouvido esse fatídico meme que representa muito bem a situação do Stoke.

O Stoke manteve-se na Premier League, principalmente na era Pulis, usando e abusando do approach físico, que intimidava os adversários principalmente no então Britannia Stadium (hoje bet365 Stadium).

Jogar contra o Stoke fora de casa sempre foi difícil, mas os Potters têm deixado a desejar em casa nesta temporada (Foto: Reprodução/Twitter/Stoke City)

Quem não se lembra dos arremessos laterais na área de Rory Delap ou das chegadas firmes – algumas, firmes até demais, como a de Ryan Shawcross quebrando a perna de Aaron Ramsey.

Gostasse ou não do estilo dos Potters, era a receita de sucesso que nunca deixou a equipe terminar abaixo do 14º lugar, sempre acima dos 40 pontos, tradicional nota de corte do campeonato quando se pensa em evitar o rebaixamento.

Com Hughes, a equipe se manteve na média, terminando as primeiras três temporadas em sob seu comando em nono. Mas a segurança defensiva da equipe deteriorou em 2017/18, com incríveis 47 gols sofridos em 22 rodadas – disparada a pior defesa do campeonato, com um saldo de -24.

Posições finais do Stoke desde que chegou a PL em 2008
  • 2008/09 (Pulis): 12º – 45 pts
  • 2009/10 (Pulis): 11º – 47 pts;
  • 2010/11 (Pulis): 13º – 46 pts;
  • 2011/12 (Pulis): 14º – 45 pts;
  • 2012/13 (Pulis): 13º – 42 pts;
  • 2013/14 (Hughes): 9º – 50 pts;
  • 2014/15 (Hughes): 9º – 54 pts;
  • 2015/16 (Hughes): 9º – 51 pts;
  • 2016/17 (Hughes): 13º – 44 pts.

O histórico mostra que tantos gols sofridos costuma levar ao rebaixamento: somente o Swansea City (51), na temporada passada, e o Wigan Athletic (47), em 2010, tiveram retrospectos parecidos neste estágio do campeonato e escaparam no final.

O desempenho em casa também derreteu: apenas 14 pontos conquistados em 11 jogos, o mais baixo aproveitamento neste estágio do campeonato desde o acesso. Embora seja o primeiro do Z-3, está empatado em pontos com o primeiro time fora, o Southampton (20).

O estilo Mark Hughes de fazer negócios

Para dar o tão sonhado próximo passo, Hughes precisava de novos jogadores. A ruptura ficou latente com a contratação em julho de 2014 de Bojan Krkic, eterna promessa, mas que, de qualquer forma, simbolizava a chegada de um ex-Barcelona em Stoke-on-Trent.

Com 33 contratações em definitivo – ou seja, excluindo os empréstimos -, Hughes repetiu os erros da famigerada passagem pelo Queens Park Rangers, quando abriu os cofres para trazer nomes de peso, com salários fora da realidade, e o clube acabou na segundona.

Nenhum nome mudou o patamar de jogo dos Potters. Xherdan Shaqiri (£12m junto a Internazionale) talvez seja o mais próximo disso, mas apesar de um ou outro momento de brilho, passou longe de se destacar em gols ou assistências desde agosto de 2015.

Os atacantes vão e vêm, mas quem ainda resolve as coisas no Stoke City é o interminável Peter Crouch (Foto: Reprodução/Twitter/Stoke City)

A coleção de flops é extensa: Gianelli Imbula chegou como a maior contratação da história do clube (£18.3m junto ao Porto) em fevereiro de 2016, e não se adaptou ao futebol inglês. Foi emprestado para o Toulouse e tem futuro incerto.

Saido Berahino fez o possível e o impossível pra deixar o WBA, mas apesar dos £12m investidos, está zerado após 23 jogos, sendo 11 como titular. Jesé chegou como uma aposta importante para substituir Marko Arnautovic, mas também não impressionou.

Apesar de trazer zagueiros como Bruno Martins Indi, Kevin Wimmer e Kurt Zouma, nunca houve consenso sobre o trio ideal de zaga além de alas que também não convencem (e tampouco estão ajudando na marcação).

Nem tudo está perdido

Diferente do Swansea City, que flerta com o perigo há mais temporadas, o problema do Stoke City parece mais pontual. A família Coates sempre geriu um dos clubes mais antigos do mundo (1863) de forma responsável, uma raridade em tempos de muitos Mike Ashleys.

O clube precisa de um técnico capaz de, ao menos, estancar a sangria defensiva. A imprensa inglesa especula como favorito Gary Rowett, que coleciona bons trabalhos a frente de Burton Albion, Birmingham City e agora no Derby County, segundo colocado na segunda divisão. Martin O’Neill, da seleção da República da Irlanda, é uma alternativa.

Auxiliar de longa data de Hughes, Eddie Niedzwiecki, assume a equipe interinamente. Mark Bowen, também assistente técnico, não permaneceu (Foto: Reprodução/Twitter/Stoke City)

Hughes está longe de ser um técnico péssimo, e tem os trabalhos sólidos no Fulham e no Blackburn Rovers, além do próprio início no Stoke, para credenciá-lo. No entanto, quando teve recursos e condições para aplicar, mostrou-se despreparado.

Talvez seja a hora de fazer um trabalho que resgate essa reputação, seja na Championship ou de repente retornar a trabalhar na seleção do País de Gales, cujo cargo de técnico está vago após a saída de Chris Coleman para o Sunderland.

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Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e apaixonado por futebol - especialmente o inglês. Co-administrador do site Premier League Brasil

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