Que o dinheiro obtido pelo acordo dos direitos da TV tem um impacto considerável nas contratações da Premier League, disto já falamos aqui no Premier League Brasil. No entanto, se existe um aspecto peculiar entre o atual período que marca o fim da temporada 2016-17, e o início da 2017-18, é o volume (tanto em quantidade, quanto em £) de contratações já realizadas – 13 dos 20 clubes já se movimentaram ANTES MESMO da janela do verão europeu abrir, no primeiro dia de julho.

VEJA TAMBÉM:
Harry Kane sonha em conquistar a Bola de Ouro
A relação estreita entre o futebol do País de Gales e a Inglaterra
Guia de Amistosos 2017/18: clube-por-clube

Historicamente, o “hiato” é um período em que os clubes mais dispensam do que se reforçam, já que coincide com a época em que a PL exige uma relação, clube-por-clube, dos jogadores que foram dispensados (normalmente aqueles cujo contrato está no final) e os que serão mantidos para a próxima temporada. As poucas chegadas se limitavam ao movimento de jogadores sem contrato a partir de julho, os chamados free-agents.

Para se ter uma ideia, só o Everton, que passou a contar recentemente com os generosos recursos de Farhad Moshiri, desembolsou £53.6 milhões em apenas dois jogadores. Até mesmo o modesto Bournemouth abriu os cofres para tirar o arqueiro Asmir Begovic do Chelsea por £15m. O Premier League Brasil se debruçou sobre as contratações já confirmadas oficialmente (você pode conferir todo o vai-e-vem de 2017/18 nesta página) e elegeu as 6 principais até o momento:

6) Jordan Pickford – Everton (£30m)

Jordan Pickford - Premier League
Foto: Divulgação/Everton

Imagine o seguinte contexto: você, inglês e goleiro, faz a sua temporada de estreia na Premier League aos 23 anos e ao fim dela, você termina com o maior número de defesas por jogo (4.7, via Opta) do campeonato, e também como um dos poucos destaques de um elenco rebaixado? O futuro de Jordan Pickford, naturalmente, não estava nos Black Cats e o Everton decidiu poupá-lo das penúrias de uma Championship. Com £30 milhões investidos (a maior contratação entre goleiros britânicos, superando os £10m pagos pelo Southampton ao Celtic por Fraser Forster), os Toffees esperam finalmente ter encontrado um goleiro que proporcione estabilidade comparável à era-Tim Howard.

5) Éderson – Manchester City (£35m)

Éderson - Premier League
Foto: Divulgação/Manchester City

Apesar de não admitir publicamente, Pep Guardiola sabe que a escolha por Claudio Bravo, pela sua suposta melhor capacidade com os pés do que o então titular Joe Hart, foi um dos grandes flops da última temporada. Apesar da experiência, o chileno não foi consideravelmente importante com os pés e deixou muito a desejar com as mãos. Para 2017-18, outra troca na meta: Éderson. O brasileiro de 23 anos ainda não se firmou como titular absoluto na seleção brasileira, mas teve temporadas seguras e vencedoras com o Benfica, inclusive com boas atuações na última Liga dos Campeões. Em libras esterlinas, passa a ser o goleiro mais caro do mundo, superando os £32.6 pagos ao Parma pela Juventus por Gianluigi Buffon.

4) Davy Klaassen – Everton (£23.6m)

Davy Klaassen - Premier League
Foto: Divulgação/Everton

Valorizado pelo vice-campeonato da Liga Europa como capitão de (mais) um time de jovens valores do Ajax, chegou a hora de Klaassen dar o próximo passo na carreira e o Everton parece ser o clube certo – especialmente porque, apesar de não ter o gabarito dos grandes, a estrutura, a atual comissão técnica e as últimas temporadas o habilitam a sonhar alto. Apesar dos 24 anos, o holandês já possui 163 jogos e marcou 49 gols desde a estreia profissional em 2011, com três títulos da Eredivisie. Chega para disputar posição com o instável Ross Barkley, ou até mesmo assumir a titularidade, já que Barkley pode não ficar no clube de Merseyside.

3) Mohamed Salah – Liverpool (£34m)

Mohamed Salah - Premier League
Foto: Divulgação/Liverpool

Se por um lado o Liverpool passou ileso nos confrontos de ida e volta contra o top-6 da última Premier League, os Reds tiveram muita dificuldade contra adversários da metade de baixo da tabela – cinco das seis derrotas. Faltou dinamismo para vencer defesas muito fechadas, e a chegada de Mohamed Salah mostra que Jurgen Klopp quer alternativas e o egípcio de 25 anos chega para ser aquele 12º jogador, já que a tendência é que Sadio Mané, Roberto Firmino e Philippe Coutinho ocupem as vagas do ataque. Com 15 gols em 31 jogos pela Roma, e a boa passagem pela Fiorentina, Salah chega com uma impressão melhor do que a deixada em passagem apagada pelo Chelsea. Até pelas demandas de Klopp, vai ter de entregar mais do que só correria. Caso contrário, bastaria contratar Jesús Navas.

2) Victor Lindelöf – Manchester United (£31m)

Victor Lindelof - Premier League
Foto: Divulgação/Manchester United

Se por um lado precisamos destacar mais uma venda bem executada pelo Benfica (só nesta coluna, estamos falando de £66m faturados pelos portugueses), o sueco de 22 anos quase foi contratado pelos Red Devils na janela do inverno europeu, mas a negociação apenas se concretizou agora. Traumatizado com os mais diversos problemas de seu sistema defensivo, de ordem técnica e física, José Mourinho traçou como prioridade a contratação de um zagueiro. E Lindelöf, pelo que demonstrou com a camisa dos Encarnados, chega para ser o modelo Mourinho de zagueiro: implacável e rigoroso taticamente. Provavelmente chega para formar uma dupla vigorosa com Eric Bailly.

1) Bernardo Silva – Manchester City (£43m)

Bernardo Silva - Premier League
Foto: Divulgação/Manchester City

O valor assusta, mas o Manchester City sabe que está trazendo para Eastlands provavelmente um dos mais promissores meias criativos do futebol europeu. Com apenas 22 anos, o português foi peça fundamental na “ressurreição” do Mônaco, que deixou de investir em contratações pesadas de nomes consagrados para fazer apostas – aposta que levou a equipe de Leonardo Jardim ao título francês e às semifinais da Champions, eliminando justamente os Citzens. Bernardo participou de incríveis 58 jogos, com 11 gols e 12 assistências. Em um time que já conta com os cerebrais David Silva e Kevin de Bruyne, Guardiola acrescenta mais uma referência criativa, tanto para os três jogarem juntos – já que o português pode fazer o lado direito do meio-campo – como para fazer o rodízio entre os meias.

LEAVE A REPLY