Richarlison: cinco gols, duas assistências, titular absoluto, principal referência ofensiva da equipe, homem de confiança do treinador e sucessivas boas performances na liga considerada por muitos como a mais competitiva do mundo. Tudo isso só em 12 rodadas.

Para os padrões Premier League, esses seriam detalhes e estatísticas que poderiam muito bem representar vários jogadores de inúmeras equipes na competição. Seriam, se não fosse um grande detalhe: apenas (quase) quatro meses de clube e de campeonato.

O jovem atacante mal desembarcou na Terra da Rainha e já é, ao lado de tantos outros nomes renomados do futebol mundial, destaque da competição. A boa fase do “brazuca” é uma grata surpresa, no entanto, totalmente explicável e, de certa forma, esperada.

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Adaptação nas quatro linhas

Vamos, por hora, desconsiderar todos os outros fatores externos que, de alguma forma, poderiam contribuir para que o atacante se tornasse um dos melhores e mais eficientes jogadores desta atual edição da Premier League.

Richarlison chegou ao América-MG em 2014, para a categoria de base do clube. Um ano depois, promovido ao profissional, afirmou-se como um dos principais nomes na campanha que, na época, rendeu aos mineiros o acesso à Série A do Campeonato Brasileiro.

Naquela temporada, foram 24 jogos, com nove gols e três assistências. Mais do que os números, chamava a atenção no garoto a junção de muita velocidade e habilidade, mesmo na função, no entanto, bem diferente, de um “clássico camisa nove”.

Já no Fluminense, Richarlison, por vezes, atuou como o único homem de referência da equipe. Por outras, mantendo o bom desempenho, formou duplas de ataque com os centroavantes Fred e, depois, Henrique Dourado, o último com muito mais sucesso.

Finalmente, uma evidente e decisiva característica para o bom desempenho do atacante brasileiro: versatilidade e adaptação a diferentes funções e esquemas de jogo.

Um aspecto fundamental não só para a Premier League, mas indispensável para a competição, tradicionalmente marcada por um futebol de alta intensidade e por isso de necessidades e forçadas alternâncias de estilo de jogo por parte dos treinadores.

Diante do cenário, fica ainda mais perceptível a crucial ligação de Marco Silva, treinador do Watford, para que Richarlison aceitasse a proposta dos Hornets.

O próprio jogador, em entrevista à ESPN, confirmou o contato: “Ele me disse que eu poderia jogar em qualquer posição do ataque, tanto pelas beiradas do campo como mais centralizado. A partir daí, eu mudei de ideia e falei que queria ir para a Inglaterra”

Foto: Soccer Hotspot

Adaptação fora das quatro linhas

Se para muitos jogadores de futebol a vida extracampo é um problema e, muitas vezes, pauta para polêmicas, para Richarlison, a boa adaptação à cidade de Watford, como o próprio jogador já contou, parece ser outro trunfo para sua boa fase.

Muito dessa boa acomodação certamente passa por Gomes, compatriota e arqueiro do Watford, e que nas palavras do próprio atacante tem sido um verdadeiro pai para ele, ajudando-lhe, inclusive, a comprar casa, carro e até a procurar professores de inglês.

É bem verdade que o elenco do Watford é composto de jogadores modestos, mas, ao mesmo tempo, bem rodados e experientes no futebol internacional, por isso, a comunicação com outros companheiros de clube pode não ser clara, mas, certamente é suficiente.

Como se não bastasse a indicação que o levou até o clube, no Watford, Richarlison conta com um técnico português, o que obviamente facilita em muito as instruções passadas em campo e, certamente, as orientações e dicas preciosas quando está fora dele.

Foto: Watford Football Club

Perspectiva de (mais) sucesso

Pelo setor em que atua no campo, pela idade, pela carreira, até então, e outros fatores que os aproximam, é inevitável a comparação entre Richarlison e Gabriel Jesus.

Despontando rapidamente no Brasil, chamou a atenção de grandes equipes do futebol europeu e teve sua contratação pedida diretamente pelo técnico. Com rara adaptação, teve um ótimo início de temporada e não dá nenhum sinal de que não manterá o bom futebol.

Aparentemente, falamos de Gabriel Jesus, no entanto, todo este processo, observemos, é exatamente o mesmo pelo qual passou Richarlison.

Obviamente, falta ao capixaba chegar à seleção brasileira, da qual Gabriel Jesus, mesmo tão jovem, é uma das principais estrelas e esperança para o hexacampeonato mundial.

Para as vagas de centroavante, é preciso notar que, além de Jesus, outro brasileiro que atua na Premier League é favorito para integrar a lista final dos convocados do técnico Tite na Copa do Mundo de 2018. Roberto Firmino, em tese, é o substituto imediato.

Em termos de competitividade, Richarlison não perde em absolutamente nada para os companheiros. Afinal, em um clube de menor expressão e bem menos recheado de craques em relação a Manchester City e Liverpool, os números, diante das comparações, reforçam ainda mais a boa fase do atacante.

Com a versatilidade já demonstrada, com a juventude e com todos os ingredientes para fazer parte de um projeto de seleção brasileira, Richarlison pede, sim, ao menos uma oportunidade para mostrar seu valor.

Se de tudo pode acontecer até a convocação final da seleção brasileira para a Copa do Mundo, ainda que pouco tempo reste, não será surpresa alguma se Richarlison estiver presente nela. Será, mais uma vez, um fato anunciado.

1 COMMENT

  1. Parabéns pelo belíssimo texto. Já passou da hora de Tite convocar o garoto. Diego Sousa não merece. Não está jogando bem a muito tempo.

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